Design em Davos 2006

Por Editor DesignBrasil

O design deverá assumir um papel mais relevante na gestão, tanto a nível hierárquico como funcional.

O design imperou em varias conferencias do Fórum Econômico Mundial 2006 (Davos). Sob o tema central O Imperativo Criativo onde nada menos do que 22 sessões foram apresentadas sob a égide Criatividade, Inovação & Estratégias de Design , não deixam mais duvidas de que o design e a inovação chegaram ao topo das preocupações empresariais.

A pergunta que cabe fazer é: porque o design chegou tão alto nesse Fórum que agrupa as maiores lideranças empresariais e a vanguarda do pensamento mundial? Duas respostas pelo menos foram dadas no evento: a primeira é que os modelos atuais de gestão baseados em sistemas de análise/controles e melhorias contínuas se esgotaram, afirmaram os CEO´s presentes no fórum. As empresas não encontram mais respostas para seus problemas de crescimento lucrativo nestas técnicas apenas (Planejamento Estratégico com visão interna, ERP, CRM, TQM e outros sistemas orientados para a rentabilidade e qualidade em si).

Segundo, pela crença crescente de que o Pensamento de Design é o novo modelo de gestão capaz de enfrentar os desafios e a complexidade do mundo atual, não só no âmbito dos negócios como também nos temas públicos, como a saúde, habitação, educação, lazer e tantos outros problemas de ordem social.

Quais as implicações desta constatação? Primeiro, a nível gerencial e organizacional, o design deverá assumir um papel mais relevante na gestão, tanto a nível hierárquico como funcional. A visão que o design oferece em todo o processo de inovacão, desde descobrir o que os consumidores não sabem ainda que querem como a viabilização da implementação dos projetos, começa a ser imprescindível como estratégia. Segundo, no ensino e formação profissional. O Executivo devera aprender gestão de design como o designer devera aprender gestão de negócios. Devera ser investido cada vez mais no desenvolvimento das Estratégias & Pensamento de Design , revisando os currículos das escolas, para enfatizar mais CRIAÇÃO e menos ADMINISTRAÇÃO, e ensinar às pessoas os fundamentos do design e da inovação.

O design esta evoluindo para um novo campo – design innovation – o design das experiências do consumidor: informação, interação, produtos, ambientes e serviços que requerem cada vez mais inovação. O conceito da experiência da marca é que abriu as portas para este novo pensamento de design. As experiências do consumidor em relação a marca vai além dos produtos e serviços que a empresa oferece. Ela mora no coração das percepções do consumidor, experiências positivas, sensações e emoções baseados em sua interação com as marcas. Assim, a experiência da marca se tornou um todo, by design, incluindo todo e qualquer ponto de contato com o consumidor. O design predomina por que é através dele que se cria e materializa as experiencias.

Conforme afirma Bruce Nussbaum, editor de design da Business Week, o paradigma da gestão global esta mudando do lado esquerdo do cérebro (racional) para o direito (criativo) e que o novo mantra da administração é a inovação rompedora através do creative-design thinking. Ele está substituindo o velho business-value proposition da melhoria contínua.

As empresas de ponta estão se tornando o que se chama design-centric companies. A Procter & Gamble / Gillette, a maior empresa de produtos de consumo do mundo, a Apple, Samsung, Nokia, IKEA, Amazon, BMW, Johnson&Johnson entre outras e no Brasil, a Natura, Brastemp, Nestlé, O Boticario, Gradiente e Embraer, são algumas das empresas que estão colocando o design nesse nível. Não há duvidas que o design está chegando ao topo, e cada vez mais empresas seguirão esses líderes.

*Publicado originalmente na Revista Exame (Editora Abril). Os direitos de reprodução foram cedidos pelo autor.

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