Design Emocional – nós amamos os objetos

Por Editor DesignBrasil

Se olharmos ao nosso redor, conseguiremos sem muito esforço elencar diversos objetos que amamos e que odiamos. Isso porque os produtos da cultura material não suprem apenas nossas necessidades físicas e/ou fisiológicas, mas também nossas ‘necessidades simbólicas’. Cada vez mais, os produtos desempenham um papel expressivo na construção do estilo de vida do homem contemporâneo. Por exemplo, nosso celular é muito mais que um simples telefone. Ele é um facilitador social. A roupa que está sobre o nosso corpo desempenha funções que vão além de nos proteger. Nossa casa reflete nossa visão de mundo e assim por diante.

Os produtos da nossa cultura são mais que bens materiais, pois no dia a dia o homem não somente os usa, como também desenvolve laços afetivos ao interagir com tais objetos. E, nesta interação, os objetos são capazes de trazer à tona fortes emoções, sejam elas positivas ou negativas.

Mas por qual motivo as emoções são importantes? Diversos estudiosos chamam a atenção para o fato de que as emoções são básicas para o comportamento humano, uma vez que o sistema emocional está entrelaçado ao racional e intimamente ligado ao comportamental, possibilitando ao corpo responder apropriadamente a uma determinada situação. O ser humano reage emocionalmente a uma situação antes de avaliá-la racionalmente. Por exemplo, diante de uma situação perigosa, nosso corpo nos prepara para a ação antes mesmo que possamos raciocinar sobre o evento. Já reparou como você reage quando toma um susto? Só depois de se acalmar é que você pensa racionalmente sobre o episódio. E como nos comportamos diante de um objeto do nosso desejo? Muitas vezes compramos coisas e só depois nos damos conta de que não necessitávamos dela naquele momento. As estratégias promocionais sabem muito bem como explorar essa nossa capacidade (ou fraqueza?).

Outro ponto importante a considerar: estudos comprovam que uma pessoa feliz é mais eficiente, raciocina mais rápido e pensa de forma mais criativa e imaginativa, o que possibilita examinar múltiplas variáveis e chegar a soluções alternativas. Isso porque a emoção positiva é capaz de despertar a curiosidade e envolver a criatividade, o que faz do cérebro um organismo eficiente de criação e de aprendizado. Contrariamente, uma pessoa triste ou deprimida tem sua capacidade criativa e de aprendizado prejudicada, uma vez que os processos de raciocínio são estreitados. Nessa situação, o indivíduo está com o foco tão concentrado que pode deixar de considerar outras possibilidades. Entretanto, não se pode perder de vista que tanto as emoções negativas quanto as positivas são importantes, pois permitem avaliar uma situação por diferentes perspectivas, fundamentando a tomada de decisão para que se possa atingir o objetivo mais adequado.

E como o Design pode servir-se da emoção? Hoje é consenso que os produtos desencadeiam respostas emocionais, podendo influenciar tanto as decisões de compra de um objeto quanto o prazer de o possuir e usá-lo. Os indivíduos ‘amam’ (emoção) determinados produtos, e esse amor experimentado por meio do uso de produtos é muito semelhante ao ‘amor’ entre casais. 

A economia está, aos poucos, entendendo que o valor de qualquer produto é emocionalmente – e não racionalmente – determinado. Na contemporaneidade, não é mais suficiente para as empresas ter um plano de vendas singular. Elas precisam desenvolver um ‘plano emocional’ singular se quiserem criar uma barreira resistente contra a concorrência.

O desafio do designer em nossos dias é desenvolver produtos com valor emocional agregado. Dito de outra forma, o objetivo deve estar pautado na elaboração de produtos que sejam capazes de promover a expressão da heterogeneidade humana e o exercício de uma identidade individual, de modo mais prazeroso e sensível.

Nessa direção, o foco do design volta-se muito mais para o efeito que o produto causa do que para a função a que se destina, uma vez que os objetos assumem forma social e funções simbólicas. Assim, a atenção do designer deve se concentrar nas pessoas e no modo como elas interagem e interpretam o meio físico e social. Soma-se a isso um especial cuidado que deve ser concedido à emoção, com o objetivo de proporcionar experiências agradáveis aos usuários quando estes utilizam os produtos.

Também é importante que a temática das emoções seja abordada nos cursos superiores de design com o propósito de preparar os futuros profissionais para enfrentar os novos desafios que se apresentam, principalmente, no que tange à presença da emoção em todas as interações humanas. E esta abordagem não deve ser focada somente em metodologias de projetos, como também nos demais setores que estão envolvidos na cadeia de vida de um produto.

1 Comentário

  1. [email protected] disse:

    Humberto Costa faz um alerta providencial sobre a importância do Design Emocional na contemporaneidade. Contemplar apenas das funções de estima, como prevê a metodologia tradicional do design, já não garante mais ao artefato o atendimento de todas as necessidades do usuário. Tanto a estética do produto, quanto o design, acompanham as constantes mudanças da sociedade. Essas confiram-se como cada vez mais híbridas, mais rápidas e cada vez mais ligadas a questões emocionais. Então, o design emocional torna-se condição necessária à prática profissional do designer de modo a refletir em projetos suas implicações sociais.