Design Management ?

Por Ellen Kiss

Design não funciona de uma maneira desintegrada. Independentemente da estratégia, estrutura ou cultura empresarial, é extremamente necessário a existência de um condutor que sincronize cada etapa do processo no seu devido tempo.

Design é uma palavra cujo significado é extremamente amplo e envolve uma série de disciplinas. Pode ser considerado uma atividade profissional, um processo ou um produto final. Design pode ser visto como uma função gerencial, um fenômeno cultural ou uma indústria. Pode ser um veículo cujo valor agregado induz a mudanças sociais e políticas. Pode ser uma ferramenta estratégica voltada a construir e manter a competitividade de pequenas empresas, setores industriais ou mesmo toda uma economia nacional. Sua definição é identificada de maneiras distintas em vários países, sendo que nossa percepção em relação ao seu significado vem sendo modificada ao longo do tempo.

Segundo um dos mais conceituados escritores em marketing, Philip Kotler, design é o processo que busca atender as necessidades do consumidor e o resultado das empresas através do uso criativo dos elementos do design (performance, qualidade, durabilidade, aparência e custos) em conexão com produtos, ambientes, informação e identidades coorporativas. Segundo esta definição, design aproxima as necessidades do consumidor aos objetivos das empresas, criando produtos e serviços com desempenho apropriado, expressando comprometimento com a qualidade, estética e que possam ser produzidos de maneira eficiente. Portanto, design é certamente uma atividade interdisciplinar complexa, que permeia todas os departamentos de uma empresa e não somente as áreas de marketing ou desenvolvimento de produto.

Segundo Peter Gorb e Ângela Dumas, o design dentro de uma organização pode ser entendido como um guarda-chuva, em que as disciplinas específicas (como engenharia, design industrial e ergonomia) ficam no centro. Marketing e Produção são posicionados ao redor, fazendo a relação entre o processo de produção com os consumidores e o mercado. O gerenciamento do design integra todas as áreas e por isso, é fundamental a existência de uma comunicação efetiva entre todos os profissionais. O design não deve ser visto como uma atividade periférica ou especializada e sim como a atividade central do negócio.

Como todas as atividades corporativas, o gerenciamento do design necessita de metodologia e de mecanismos de controle. Processos devem ser criados para garantir que o design seja consistente e atenda aos padrões de qualidade e inovação. Estruturas eficazes de gerenciamento são necessárias para garantir que o design atenda os objetivos da empresa e seja integrado corretamente às outras atividades corporativas. De um modo geral, uma visão estratégica do design na alta gestão das empresas eleva a disciplina a um processo inovador com inúmeras perspectivas a médio longo prazo.

A partir destas considerações, a disciplina Design Management foi criada há alguns anos visando aplicar processos de management aos processos de design e inovação. Transformar uma boa idéia em uma bem sucedida implementação exige a integração entre todos os aspectos da corporação: estratégia, marketing, operações, cultura da organização, finanças e aspectos legais. Além disso, pesquisas identificaram a presença de managers em algumas corporações que atuam como design managers sem serem percebidos como tal, chamados de silent designers, os quais também precisam ser agregados ao processo.

Existem inúmeras pesquisas comprovando que um processo de design efetivo contribui significantemente para o sucesso e a competitividade corporativa. Algumas iniciativas em busca do avanço neste contexto estão sendo tomadas. Recentemente, o Governo do Reino Unido, juntamente com o Design Council, lançou uma nova política buscando educar as pessoas não sobre o uso do design, mas como gerenciá-lo de maneira eficaz.

Pequenas e médias empresas, grandes e estabelecidas corporações, independentemente de serem focadas em produtos ou serviços, precisam inserir design na agenda. E não somente inseri-lo, mas criar estratégias buscando uma melhor performance no resultado.

Pessoalmente acredito que, como em uma orquestra na qual um só instrumento não atinge um efeito significativo, design não funciona de uma maneira desintegrada. Independentemente da estratégia, estrutura ou cultura empresarial, é extremamente necessário a existência de um condutor que sincronize cada etapa do processo no seu devido tempo…