Design na indústria do mobiliário

Por Editor DesignBrasil

Design na indústria do mobiliário

Já se passaram quase duas décadas desde que me deparei pela primeira vez com a palavra design. Foi numa entrevista que o designer gaúcho Manlio Gobbi me colocou em contato com tão complexo e empolgante tema. Desde então, nunca mais me separei do design e dos designers. E por conta desta proximidade, tenho acompanhado sua evolução, especialmente na indústria do mobiliário. Evolução esta que mostra que já andamos bastante, mas que ainda tem muita estrada pela frente.

Superamos, por exemplo, o conceito de que design é algo supérfluo – de forma sutil e vagarosa, é bem verdade. Também vencemos boa parte do preconceito em relação aos profissionais, antes vistos como artistas malucos e despreocupados com os resultados econômicos de suas criações. Hoje já temos uma safra de bons e mortais designers contribuindo com o sucesso de diversas indústrias de mobiliário Brasil afora.

Não dá para negar que alguns, preocupados demais com a viabilidade industrial de suas criações, às vezes limitam a criatividade e até retardam mudanças na trajetória da empresa. Hoje, no entanto, já estão dentro das empresas, seja como integrantes das equipes de criação ou como prestadores de serviço. Mesmo as pequenas empresas já utilizam os serviços deste profissional, muitas delas através de programas governamentais.

Porém, para mostrar o quanto estamos no começo basta observarmos que, apesar de contratar e pagar pelos serviços de um designer, a maioria das empresas prefere omitir o crédito profissional na hora de divulgar o produto, seja no catálogo ou anúncio. Ou seja, reconhecem que o design contribui na redução de custos e na diferenciação de seu produto, porém ainda não percebem seus benefícios intangíveis, como a construção de marca e de conceito.

Identificar que determinado produto ou linha foi desenvolvido pelo fulano de tal, seja ele famoso ou não, não desmerece a marca da fábrica. Pelo contrário, soma, agrega…

Afinal, antes de cada desenvolvimento tem o estudo (tendências, ergonomia…), a pesquisa (novos materiais, novas soluções de uso), a conceituação. Aí começa a história de cada peça ou linha. E todos sabemos que o valor não está na metragem cúbica de madeira ou derivado que o produto leva, mas nos benefícios – tangíveis e intangíveis – que proporciona.

Portanto, assinar um produto ou dar crédito ao ser criador, garante a ele, produto, uma identidade, uma história. Mas o usuário só vai saber disso se for comunicado.

Neste aspecto, considero que é preciso que as empresas entendam que investir em design agrega valor a um de seus ativos mais importantes, a marca. Que o design deve ser utilizado como estratégia frente à concorrência, na abertura de um novo negócio, ou mesmo no realinhamento da identidade corporativa de empresas já estabelecidas. E isso é mais que suficiente para que empresários e designers trabalhem em parceria. Afinal, um depende do outro.

Num mercado altamente competitivo e globalizado, a sobrevivência pode estar na criatividade dos nossos designers. Ao que parece, os estrangeiros perceberam antes nossa capacidade, tanto que o design brasileiro é mais valorizado lá fora. Mas isso é tema para outra coluna.

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