Design para quê?

Por Editor DesignBrasil

 

 

Por Talita Daher 

Como o design vem sendo tratado ao longo dos anos no Brasil sob a ótica das políticas industriais, do desenvolvimento científico e tecnológico e da tentativa de se construir uma política eficiente e perene? Essa é uma reflexão importante e é inegável que o design recebe, ao longo dos últimos anos, um olhar atento, que evidencia cada vez mais sua função como ferramenta de inovação, de diferenciação e de competitividade para a indústria brasileira.

Nem poderia ser diferente. O design ocupa um lugar de destaque na história mundial recente. Ele está fortemente vinculado ao surgimento das indústrias, tendo em vista que a Revolução Industrial marcou a perspectiva de estetização na produção de bens em escala. Hoje a produção precisa atender às reais necessidades e desejos dos consumidores, além da preocupação com custos, funcionalidade, confiabilidade, apelo visual, estética apropriada e meio ambiente. O usuário é a figura central e o design passa a ser fator estratégico, que agrega valor ao produto e viabiliza o desenvolvimento intenso e acelerado de novas tecnologias e itens diferenciados.

Cabe dizer que a inovação está no cerne da mudança econômica e, nesse ambiente de mercados abertos e competitivos, com populações ávidas pela diferenciação, investir no design é cada vez mais importante. A globalização aumentou a percepção sobre a importância dessa área como elemento estruturante e agregador de identidade ao produto nacional. O design molda estratégias corporativas e impulsiona o crescimento dos negócios.

Para potencializar o crescimento econômico sustentável, muitos países já utilizam políticas industriais revestidas de instrumentos de inovação e que têm o design como um dos indutores do comportamento inovador. Pois essa área cumpre a importante função de conectar o que é possível tecnologicamente com o que é desejável cultural e economicamente. Nesse sentido, inovação tecnológica e design se confundem, num diálogo entre tecnologia e sociedade, inovação e funcionalidade.

E como as políticas públicas brasileiras estão voltadas para a promoção do design? Como o Estado lida com este campo desde a industrialização do país? Por suas proporções continentais e grandes disparidades, o Brasil precisa desenvolver políticas de design que sejam inclusivas, sustentáveis e que proporcionem desenvolvimento econômico e social. Por isso o design tem hoje forte relação com o Plano Brasil Maior (PBM), política industrial do governo federal cujas principais orientações estratégicas são, entre outras, promover a inovação e o desenvolvimento tecnológico e criar e fortalecer competências críticas da economia nacional.

O Plano Brasil Maior busca uma mudança do patamar competitivo da indústria brasileira rumo a uma maior inovação de produtos. Nessa trajetória, dois aspectos ligados ao design contribuem significativamente: o crescimento das indústrias criativas nas últimas décadas e a capacidade de se estabelecer elos entre o usuário, a tecnologia e criatividade. É necessário agora que o governo construa políticas públicas de design, com princípios bem definidos, para alavancar o desenvolvimento industrial, econômico, social e regional.

O momento da economia brasileira é uma oportunidade para isso. No escopo do Brasil Maior, instrumentos de apoio à inovação e ao design têm sido criados, a exemplo do Prodesign, do BNDES. Com isso, e com o debate sobre políticas públicas para esse setor que também está sendo promovido na Europa, o contexto atual favorece o debate, o planejamento e a implementação de uma política voltada para o design eficiente e sem sobreposições, que proporcione às empresas uma vantagem estratégica e um diferencial que aumente os rendimentos, adicione valor aos produtos e torne possível o fornecimento de itens diferenciados, como quer o mercado.

 

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Talita Daher é especialista em Desenvolvimento Produtivo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI)

 

Texto publicado originalmente no portal E-Móbile