Design thinking + Design social = Setor 2.5

Por Christian Ullmann

A grande desigualdade social no Brasil, abre possibilidades e novas oportunidades para designers que tenham na gestão um dos seus interesses e procurem atuar na esfera social. A 2ª década do século XXI, se apresenta como o limiar do novo modelo da sociedade contemporânea e jovens designers tem a oportunidade de cruzar este “gap” dos antigos processos de produção e produtos para os novos sistemas produtos/serviços e novos cenários inclusivos.

Nos últimos 10 anos a realidade local nos posicionou como referência de ações sociais e desde a escola de Stanford conhecemos o design thinking, a soma disto, cria novas formas de pensar em novas soluções.

O design thinking pensado para o 2º e 3º setor e as atividades do design social para o 3º setor estão criando um novo espaço de atuação que hoje é denominado setor 2,5.

Definições utilizadas pelo design thinking são muito importantes – na realidade são as mesmas que já utilizamos há mais de 50 anos desde o design industrial ou gráfico e agora as ampliamos para o design como um todo: a idéia de projetar, e somarmos as questões sociais para criar novos modelos de negócios. Novos modelos de negócios que dão forma a este novo e atual setor, com o objetivo principal de oferecer inclusão para as classes sociais carentes e necessitadas.

Jovens designers, administradores, sociólogos, assistentes sociais, antropólogos, arquitetos, médicos, advogados, todas as profissões estão dedicando tempo e esforço para fortalecer esta nova proposta sintonizada com as necessidades da sociedade contemporânea.

Uma “empresa contemporânea” não precisa ter como único objetivo o lucro econômico, ela pode ser lucrativa e pode colaborar com a inclusão social e melhoria da qualidade de vida das classes sociais mais carentes.

Novos produtos e novos serviços, criando novas oportunidades para a população excluída e de baixa renda. O setor 2.5 vem para atender uma demanda de problemas socioeconômicos que o capitalismo tradicional não conseguiu resolver. Os negócios sociais propõem aplicar o modelo eficiente de gestão das empresas para gerar o maior impacto social possível.

Porém, não podemos nos iludir e acreditar que só teremos boas intenções, pois há mais de 15 anos o mercado sabe que o único espaço para crescer na pirâmide social é para as classes de baixa renda. O novo modelo de negócios sociais não incentiva o consumo desenfreado e supérfluo, propõe criar produtos e serviços que atendam as necessidades básicas da população de baixa renda não atendidas pelo mercado.

O desenvolvimento do modelo de negócios sociais surge no governo do Reino Unido, no inicio deste século, e posteriormente o Ministério da Indústria e do Comércio definiu o conceito e formato deste novo modelo, sendo: organizações dirigidas primordialmente por objetivos sociais e que conseguem em parte ou na totalidade, o sustento financeiro através do comércio de produtos e serviços.

Ser um empreendedor social exige enxergar uma nova forma de fazer negócios, abrir novos mercados, conquistar espaço das empresas tradicionais e contar com apoio de instituições de fomento e governo. Alimentar e desenvolver o setor 2.5 colabora com a transformação social necessária para diminuir a desigualdade social brasileira.

1 Comentário

  1. [email protected] disse:

    Bem lembrado Christian, a integração do design com modelos de negocios é fundamental. Por isso recomendo esse documentário > Design the new Business (http://vimeo.com/33531612)

    Para saber sobre o que são Negócios Sociais, recomendo a Artemisia (http://www.artemisia.org.br/), organização pioneira nesse conceito aqui no Brasil.

    E para os universitários que acreditam que é possível ganhar dinheiro e transformar positivamente o mundo, fica a dica do CHOICE (http://www.facebook.com/artemisia.choice?sk=info)

    abs