Embalagem no mundo atual

Por Fabio Mestriner

Os países que desejam competir de verdade precisam estar preparados. E, para isso, precisam de mais e melhores embalagens.

Participei recentemente de dois eventos internacionais reunindo lideranças da embalagem de diversos países que trataram das questões mais atuais do setor. São as mesmas questões de sempre: avanços da indústria de da tecnologia, as novas demandas e tendências de consumo, o comércio global e as exigências deste mercado ampliado e as questões ambientais, que ganham cada vez mais proeminência nas discussões do setor.

O que vem mudando nestas discussões é o novo papel e a importância crescente da embalagem no processo de globalização e no desenvolvimento da sociedade humana. A globalização e o trânsito acelerado e ampliado de produtos e informação vem exigindo da embalagem maior desempenho e qualidade, pois ficaram mais exigentes os requisitos de proteção, conservação e transporte para a circulação internacional e intercontinental dos produtos.

O design e a apresentação visual necessários à competição no ponto-de-venda também tiveram seu papel valorizado, uma vez que a informação ficou mais complexa, exigindo texto bilíngüe, trilíngüe e que também respeite as legislações dos países de destino do produto.

Questões como segurança alimentar, rastreabilidade, bioterrorismo e questões ambientais, que antes seriam impensáveis, hoje são corriqueiras.

Responder aos novos desafios de exigências geradas pela globalização tem feito com que a indústria de embalagem do mundo todo redobre seus esforços, de modo a oferecer soluções que permitam as empresa ampliar os horizontes de seus produtos para competir globalmente.

Outro ponto que vem ganhando destaque neste processo é a questão do design que, hoje, foi transformado num fator de competitividade para as empresas. A tal ponto que a Procter &Gamble, uma empresa de ponta no consumo global, tem uma vice-presidente de design que, recentemente, declarou que seu projeto é colocar o design no DNA da P&G.

Os participantes destes eventos tomaram consciência do protagonismo crescente da embalagem na sociedade globalizada e do importante papel que cabe a todos que atuam no setor, uma vez que, do seu desempenho e da sua capacidade de responder às novas exigências, depende não só para o sucesso das empresas mas dos países que pretendem participar efetivamente do comércio global.

O Brasil tem uma lição de casa neste sentido, pois se pretendemos exportar mais e ampliar nossa presença internacional, nos precisaremos de melhores embalagens , que agreguem valor e melhorem a competitividade dos nossos produtos para que eles consigam entrar e competir nos mercados mais importantes do mundo.

As escolas, os centros de pesquisa, as entidades privadas e governamentais precisam se dedicar com mais afinco a este objetivo, pois disto depende o crescimento das nossas exportações, a ampliação do seu valor e o progresso do nosso país.

As commodities agrícolas e as barreiras fitosanitárias que as prejudicam podem ganhar uma outra dimensão de valor através do processamento e conseqüente embalamento dos produtos. Os países que desejam competir de verdade precisam estar preparados. E, para isso, precisam de mais e melhores embalagens.

Esta é a principal conclusão destes recentes eventos internacionais. O Brasil não pode ignorar essa mensagem.

Tags: