Empreendedor por natureza

Por Ronaldo Duschenes

No Brasil, vemos que o empreendedorismo ainda carrega alguns estigmas, muitas vezes relacionado ao jeitinho brasileiro, à falta de emprego ou como única opção para quem não tem muita formação técnica. A boa notícia é que este panorama já está ultrapassado há tempos.

Ser empreendedor é uma característica inerente, própria de quem ousa e está pronto para assumir riscos. No Brasil, vemos que o empreendedorismo ainda carrega alguns estigmas, muitas vezes relacionado ao jeitinho brasileiro, à falta de emprego ou como única opção para quem não tem muita formação técnica. A boa notícia é que este panorama já está ultrapassado há tempos. Melhor notícia ainda é que, pela primeira vez desde que analisam a situação no Brasil, inverteu-se a proporção entre empreendedores por necessidade e por oportunidade. Em pesquisa divulgada pelo SEBRAE (GEM 2008 – Global Entrepreneurship Monitor), para cada brasileiro que empreende por necessidade existem dois que empreendem por oportunidade. Isso revela uma melhora no nível de empresas que surgem no país, cada vez mais profissionalizadas, estruturadas e prontas para dar certo. Voltando à característica inerente de ser empreendedor, hoje também existem mais recursos e um panorama mais estável para abrir o próprio negócio. Mas o frio na barriga ainda existe. E é isso que faz o coração do empreendedor bater mais forte. Os altos e baixos de ser líder de um negócio e ser responsável por tomar decisões é que movem o empreendedor. No meu caso, foi isso mesmo o que aconteceu. Já entediado com a carreira de executivo, decidi vender um quadro de Portinari (Cangaceira), herdado de meu avô, para iniciar o negócio. Naquele panorama, parecia até uma atitude irresponsável. Foi entre os anos de 1985 e 1986, o presidente era o José Sarney e a inflação atingia níveis absurdos. O Brasil ainda estava fechado para o mundo, cenário impossível de se imaginar hoje em dia, com tamanha facilidade de conexão com qualquer canto do planeta. Realmente, olhando assim de fora parecia uma grande irresponsabilidade. Mas empreendedor que se preze não deixa a ousadia de lado. Com uma equipe de três marceneiros e três serralheiros, dei início à Flexiv. No começo, a empresa estava voltada para a reforma de mobiliário comercial e logo em seguida partimos para projetos de mobiliário de escritório com destaque no design. Para um executivo entediado, depois de quatro anos de carreira e com a veia e formação em Arquitetura e também Design (tendo atuado como arquiteto em São Paulo de 1964 até 1981), voltar a criar era uma grande realização. E é até hoje. A velha máxima de fazer o que gosta funciona mesmo. É o que nos dá ânimo para empreender e fazer o negócio dar certo. E mesmo que não dê certo de primeira, sempre ficam as lições. Afinal, não está pronto para empreender quem não está pronto para perder. O resto vem com muita dedicação e persistência para encarar chuvas e trovoadas. Se você tiver estômago para passar pelas intempéries, parabéns! Bem vindo ao clube dos empreendedores. E este é o tipo de lição que você leva para a vida toda.

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