Entrevista Exclusiva : Tommy Li

Por Editor DesignBrasil

Tommy Li é um designer com foco em branding que tem o trabalho reconhecido internacionalmente. O Tommy Li Design é uma das principais agências de branding de Hong Kong. Entre seus clientes estão muitas empresas chinesas e internacionais, como Swarovski, MTR Corporation, Honeymoon Dessert e Dairy Farm Group.

Li se formou na Escola de Design da Universidade Politécnica de Hong Kong e recebeu mais de 580 prêmios. Costuma dizer que é uma espécie de “médico de marcas”.

O designbrasil, por meio do Centro Brasil Design, esteve com Tommy Li e fez uma entrevista exclusiva com o designer.

1 – Com os seus clientes você costuma usar o “0 to hero”! Você pode nos contar um pouco mais sobre o papel do design neste conceito?

Para mim, esse conceito diz respeito ao que o cliente pensa sobre o designer. O cliente que começa do zero, que contrata design pela primeira vez, não sabe quão bom você é e qual é a sua habilidade. O que ele quer saber é: “Você pode resolver esse problema para mim?”

O valor do design para um cliente novo é zero porque ele não te conhece e não sabe se você pode ajudá-lo. Por isso é preciso paciência, explicar com lógica para os clientes como é possível resolver um problema baseado nos princípios do design e na criatividade do designer. Com resultados das vendas é possível perceber o resultado facilmente.

A partir daí o valor do design não é mais zero. O projeto é um sucesso, o contexto muda e o empresário começa a te agradecer. Esse trabalho é um processo começa com valor zero e se transforma em algo grandioso, como um herói.

2 – Como medir os resultados dos clientes e mensurar o impacto do uso do design no negócio?

O meu foco é o “retail branding”. Ao desenhar uma logo ninguém sabe se isso funcionará, ninguém sabe se irá desapontar. Em retail branding, é preciso trazer resultados.

Quando nós desenhamos um “rebrand”, nós fazemos uma pesquisa, medimos o antes e o depois, o “turnover per day”. Por exemplo, quantas pessoas entraram na loja durante o dia? Temos que calcular quantas pessoas entraram na loja durante a semana, às vezes até em um mês após o rebrand. Com isso descobrimos se o consumo está aumentando ou diminuindo, descobrimos se o turnover está acima ou abaixo. Com esses dados posso dizer se este é um bom design baseado no fluxo de consumo. E essa é a razão pela qual é muito lógico e muito científico rastrear os movimentos do comércio para conseguir saber se o preço está muito alto ou o preço está muito baixo.

Isso não funciona da mesma forma todos os dias, então precisamos vários tipos de pesquisa e cálculos para que saibamos dizer se um design é bom ou não.

3 – Você tem um case de sucesso que é o Honeymoon Dessert. Eles tinham três lojas antes de te contratar e hoje são 450 lojas. Pode nos contar um pouco sobre o projeto?honeymoon

Esse é um bom exemplo. Antes do processo de rebranding eles tinham 3 pequenas lojas. Oferecemos um plano de negócios para eles que incluía uma cozinha central, ensinamos a usar o espaço, um sistema de design que trabalhasse e funcionasse para todas as lojas.

Uma pesquisa mostrou que o consumo e o fluxo de clientes aumentaram a partir daí. O modelo de negócios cresceu tanto que hoje o negócio tem valor estimado de 1.4 bilhões de dólares de Hong Kong. Com certeza eles não apenas vendem sobremesas, vendem ambição, conceito, valor para a nova geração que vem à loja.

O produto é bem generalista, nada muito especial, mas o que fizemos foi criar uma nova cultura. Os clientes levam a marca no coração e voltam lá porque se identificam com a proposta.

4 – Gostaria de compartilhar conosco a sua experiência com o projeto para a Fundação Ayrton Senna?

Esse trabalho aconteceu 10 anos depois da morte do piloto. Ayrton Senna é o segundo nome mais popular no Japão. O primeiro é o imperador. Senna é um importante ídolo para os cidadãos japoneses.

Então surgiu a oportunidade de fazer um programa em memória ao piloto. Fui apresentado à Fundação Ayrton Senna e desenvolvemos um pôster que apresentava Senna como piloto membro da Fórmula 1 com suas quatro equipes  Toleman, Lotus,  McLaren e Williams.

Fizemos uma coleção limitada com 999 unidades assinadas por duas pessoas: a irmã de Senna, Viviane, e eu. É um projeto cheio de significado para mim porque assisto a Fórmula 1 desde 1990 até hoje por causa do Ayrton Senna.

5 – Como você vê o futuro do design?

Acredito que as áreas do design estão cada vez mais se fundindo. Um projeto precisa de várias expertises somadas, não consegue se sustentar apenas com uma força para finalizar o trabalho.

É isso que chamo de multidesign, é como eu acredito que o design terá espaço no futuro, com profissionais especializados que entendam de todas as áreas do design, além do negócio em si e de pesquisas que meçam resultados para terem projetos de sucesso.

Letícia Castro (Diretora Executiva do Centro Brasil Design), Juliana Buso (coordenadora de projetos do Centro Brasil Design) e Tommy Li.

Letícia Castro (Diretora Executiva do Centro Brasil Design), Juliana Buso (coordenadora de projetos do Centro Brasil Design) e Tommy Li.