Especial Semana D – Fabio Mestriner e as tendências no design de embalagens

Por Centro Brasil Design

Texto: Julliana Bauer / Foto: Unicuritiba

Com 39 anos de experiência profissional, o designer Fabio Mestriner é responsável por alguns cases icônicos do design de embalagem brasileiro. Entre seus maiores feitos, está o formato curvilíneo da lata do Leite Moça, que chegou a ser patenteado pela Nestlé devido ao sucesso que causou.

Atualmente, Mestriner é professor Coordenador do Núcleo de Estudos da Embalagem da ESPM, Escola Superior de Propaganda e Marketing e professor do MBA de Marketing da Fundace USP. Tem também no currículo a autoria dos livros Design de Embalagem – Curso Básico, Design de Embalagem – Curso Avançado e Gestão Estratégica de Embalagem. Foi também curador setorial de embalagem na 1º Bienal de Design. Foi Presidente da ABRE Associação Brasileira de Embalagem e representante do Brasil no Board da WPO World Packaging Organization entre 2002 e 2006. Como designer de embalagem, conquistou vários prêmios internacionais.

Em passagem por Curitiba para participar da abertura da Semana D – Festival de Design, com a palestra “Como o bom design de embalagem transforma os negócios”, Mestriner conversou com o DesignBrasil. 

Com a proposta de mostrar para a comunidade que o design não precisa ser elitista, a Semana D – Festival de Design chega à sua terceira edição em 2013. Realizada pelo Centro Brasil Design, pela Prodesign>PR e com patrocínio do SEBRAE e do Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA, a Semana D é um festival de design moldado de acordo com eventos similares que acontecem anualmente na Europa. O evento acontece entre os dias 01 e 06 de outubro em Curitiba e, neste ano, tem como tema “O Design Transforma”. Confira a entrevista:

 

O que uma boa embalagem pode fazer por um produto?

A embalagem como componente é fundamental. Ela está embutida no custo final do produto e sabemos que o consumidor não separa a embalagem do conteúdo, ou seja, a embalagem interfere na percepção do produto. Outro fator é que 90% dos produtos não possuem apoio de marketing, e por isso a embalagem é tão importante.

 

 

O que faz com que algumas embalagens icônicas – como a da sopa Campbell’s, por exemplo – se tornem tão queridas pelos consumidores?

A tradição! Conforme o produto se torna um clássico, sua embalagem segue o mesmo caminho.

 

Existe alguma grande tendência no que diz respeito à embalagem, atualmente?

Existe, sim. Os frascos, por exemplo, seguem a tendência do design integrado, no qual os componentes “desaparecem” um no outro. Isso é perceptível em embalagens de xampu, por exemplo, em que a tampa é pensada para parecer uma continuação do frasco. Já no design gráfico, o que temos percebido como tendência é uma maior objetividade na comunicação.

 

O que mais te fascina no universo do design de embalagem?

O que me fascina é como ele é um bom medidor da expressão da cultura material de um povo. Andy Warhol, quando pintou aquela lata de sopa, percebeu isso. A embalagem é também um parâmetro de desempenho econômico e da tecnologia de um país. É uma necessidade – precisamos embalar os alimentos, mantimentos e produtos.