Estamos reciclando da forma errada

Por Christian Ullmann

 

O projeto My Waste is your Waste é uma parceria entre o Museu da Imagem da cidade de Breda Holanda e o Museu da Casa Brasileira da cidade de São Paulo, e no mês de maio, realizamos um workshop de uma semana na cidade de Breda. Na inauguração da mostra, discutíamos da realidade de materiais e produtos reciclados e das limitações de processos – especialmente de criação, e concluímos que estamos reciclando errado. Achei pertinente compartilhar este assunto, e o portal é um bom canal para discutir e descobrir novos caminhos.

 

A reciclagem é o termo geralmente utilizado para designar o reaproveitamento de materiais beneficiados como matéria-prima para um novo produto. Muitos materiais podem ser reciclados e os exemplos mais comuns são papel, vidro, alumínio, pneu, aço carbono, plástico, etc. As maiores vantagens da reciclagem são a minimização da utilização de fontes naturais, muitas vezes não renováveis, e a minimização da quantidade de resíduos que necessita de tratamento final. Isso reduz o consumo de novas matérias-primas durante a criação de novos produtos. Reduzir o uso de novas matérias-primas pode resultar em uma redução do consumo de energia, poluição do ar, poluição da água e até as emissões de gases de efeito estufa.

 

A palavra reciclagem ganhou destaque a partir do final da década de 1980, quando foi constatado que as fontes de petróleo e de outras matérias-primas não renováveis estavam se esgotando rapidamente e que havia falta de espaço para a disposição de resíduos e de outros dejetos na natureza. A expressão vem do inglês recycle (re = repetir, e cycle = ciclo). Os resultados da reciclagem são expressivos tanto no campo ambiental, como nos campos econômico e social.

 

Dependendo dos materiais reciclados, a reciclagem permite fazer novos produtos com valor igual, menor ou maior que o produto original. Isto é algo que não é muito divulgado, questionado ou utilizado. A reciclagem mais comum é a de geração de produtos de menor valor e os produtos reciclados de menor valor são denominados downcycling que é o processo de conversão de materiais de resíduos ou produtos inúteis em novos materiais ou produtos de menor qualidade e funcionalidade reduzida. Downcycling visa evitar desperdício de materiais potencialmente úteis, reduzir o consumo de matérias primas frescas, consumo de energia, poluição do ar e poluição da água. Seus objetivos são também reduzir as emissões de gases de efeito estufa (apesar de que re-uso de produtos químicos tóxicos contaminados para outros fins pode ter o efeito oposto) em relação à produção virgem. Um claro exemplo de downcycling é a reciclagem de plástico, que transforma o material em plástico de qualidade inferior. O termo downcycling foi usado por Reiner Pilz, em entrevista por Kay Thornton de Salvo, em 1994 e também foi usado por William McDonough e Michael Braungart em seu livro de 2002 Cradle to Cradle: Refazendo a Way We Make Things

 

O melhor processo para a reciclagem é pouco conhecido e utilizado, e é quando produtos velhos são transformados em novos e com mais valor. Este processo de reciclagem é denominado como upcycling.

Upcycling é o processo de transformar resíduos em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade que o original ou primário. O objetivo do upcycling é evitar desperdício de materiais potencialmente úteis, fazendo uso dos já existentes. O grande desafio para designers e empresas é pesquisar mais de materiais, criar novos processos e novos produtos para ter maior valor agregado a partir de matéria prima reciclada.

 

Exemplo de upcycling: embalagem é reutilizada como um suporte para carregar a bateria de equipamentos eletrônicos

 

Fonte.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Reciclagem

http://pt.wikipedia.org/wiki/Upcycling

http://en.wikipedia.org/wiki/Downcycling

Imagem: http://www.apartmenttherapy.com/an-upcycled-plastic-bottle-charging-station-make-it-and-love-it-166194

1 Comentário

  1. [email protected] disse:

    Parabéns pelo artigo. Ele só vem reforçar meu ponto de vista, e é muito bom saber que há projetos sérios referentes ao tema que, ao que me parece, ainda está longe de ser valorizado.