Experiência e opinião sobre os serviços de assessoria em design para empresas

Por Editor DesignBrasil

Entrevista com Jonathan Ball, consultor em design

Jonathan Ball é designer de produto e possui vários anos de experiência junto à indústria britânica em desenvolvimento de produto, gestão de projeto e marketing. Nos últimos 10 anos tem se dedicado a prestar assessoria em design para empresas. Depois de trabalhar como consultor em design para o Business Link (Reino Unido) ele abriu a própria consultoria em gerência de design, vindo a prestar serviços ao Design Council de Londres, ao programa Different by Design em Staffordshire (Reino Unido) e um número de outras empresas públicas e também privadas. Em novembro de 2004, Jonathan participou do Segundo International Workshop on Design Support, na cidade de Cardiff (País de Gales), onde ele concedeu esta entrevista que foi recentemente atualizada. Confira as principais idéias de Jonathan a respeito da prestação de seriços de suporte (ou assessoria) em design para empresas.

Jonathan, você tem trabalhado junto a empresas há bastante tempo. As empresas demandam assessoria em design?

Muito raras as vezes em que o gerente de uma empresa tenha me dito eu quero desenvolver este produto, eu sei exatamente o que eu quero e então me leve a quem eu possa contratar para desenvolver o projeto. Eu sinto que na maioria das vezes design é usado na solução de algo que a empresa não percebe como um problema de design.

E então qual a ênfase que você adota quando trabalha com a empresa?

Eu sou bem pragmático. Qualquer coisa que eu faço é focado em resultados para os negócios da empresa. Apesar de toda a minha paixão pela mágica do design e obsessão por produtos e brand, todo o trabalho que faço é focado em impacto econômico.

E este é um bom benefício do suporte em design do seu ponto de vista?

Eu sinto que a maior vantagem da consultoria em design prestada por um programa de design é o fato da empresa poder trabalhar com alguém que é independente, que a empresa percebe como sendo independente, imparcial e que possa confiar como sendo parte do conselho; e alguém que tenha conhecimento e experiência em negócios em geral e que possa relacionar design e negócios sem perder a mágica e excitação que um bom design pode trazer. Um grupo compacto de designers experientes nesta função facilitadora de projetos também é importante. É necessário desenvolver um grupo forte que irá trocar conhecimento e flexível o bastante para adaptar a consultoria de acordo com as necessidades de cada empresa.

E quais os problemas que devem ser superados para atingir um bom serviço de suporte em design para as empresas?

Penso que existem algumas mensagens fundamentais sendo ignoradas. É perigoso dizer eu sei e você não entende disso, utilizando uma linguagem no design que não é a mesma linguagem que a empresa utiliza para negócios. Os profissionais que trabalham em programas de design com as empresas deveriam tomar um pouco do seu próprio remédio e ser mais focado no cliente em si (a empresa). Também existe muito pouco em termos de inovação na maneira como os programas de suporte em design pra empresas tem sido desenvolvido. Se estamos falando de programas que têm por objetivo elevar a qualidade e a importância do design, então precisamos colocar nossos próprios métodos em prática. Também, os programas de design no Reino Unido são um pouco retalhados e improvisados. As diferentes iniciativas não podem ser sempre tão efetivas quanto as outras na minha opinião é necessário fazer um esforço para colocá-las trabalhando juntas. No entanto, o que eu não gostaria de testemunhar seria um único modo de colocar os programas em prática. Seria ideal ter uma voz comum estabelecendo uma comunicação entre as diferentes partes, em vez de homogeneizar todos os programas. O fato de haver diversidade é um ponto positivo, mas o fato fundamental é que ainda não tivemos uma história relevante pra contar, o que provavelmente é um erro.

Existe algum problema na comunicação entre as empresas e os programas de suporte em design?

Sim, a linguagem é problema. Existe um isolamento em uma torre, um pouco de nós temos esta mensagem e você deveria escutar, particularmente com pequenas empresas, sem que haja um reconhecimento de como foi difícil para estas pessoas para colocar seus negócios funcionando. Precisamos ser bem mais sensíveis com esta situação e com a maneira como apresentamos nossa mensagem. Em alguns contextos um pouco mais inovadores atualmente, algumas desta idéias estão sendo consolidadas e passadas para os programas de design, talvez indo ainda mais longe e relacionando as diferentes iniciativas. Penso que existe um número de indivíduos muito competentes e organizações que podem facilitar esta mudança de pensamento e focar melhor na linguagem e na aproximação correta, na maneira certa de trabalhar com as pessoas que estamos tentando influenciar.

Você mencionou a necessidade de programas mais inovadores e mais integrados. Os programas de design suporte poderiam funcionar junto a programas de transferência de conhecimento?

Provavelmente. No projeto que estou trabalhando, trazemos uma equipe de 3 designers para dentro de uma empresa por um dia inteiro, para atuar em uma atividade específica dentro desta empresa. É uma surpresa quanto conhecimento é passado, sem que isso esteja planejado.

Claramente estamos falando do contexto da transferência de conhecimento.

Certamente! Eu não cheguei a pensar nisso desta maneira, pensando na gestão do design como transferência de conhecimento, mas esta analogia está certa. Provavelmente existe agora um grupo de indivíduos trabalhando com programas de assessoria em design que subestimam o valor do conhecimento que tem e o seu benefício se transferido para os negócios . Eles vêem resultados, uma estratégia de branding, um novo produto, um gerente que adotou seus conselhos, uma mudança na cultura da empresa mas não pensamos na transferência do conhecimento isoladamente.

Supondo que os maiores problemas tenham sido transpostos. Como você descreve o cenário ideal para um programa de suporte em design?

Bem, o cenário ideal seria na verdade redundante. Eu vejo meu trabalho chegando a um ponto quando a empresa não precisará mais dos meus serviços, porque ela já compreendeu e assimilou a mensagem que foi passada, e agora trabalha por iniciativa própria. Eles iriam então contratar um gerente de design, ou teriam encontrado e contratado os designers com quem querem trabalhar dentro e fora de seus negócios . Talvez a empresa não tenha necessidade de um gerente de design em tempo integral mas compreenda o benefício que este profissional pode trazer como um mentor nos negócios . Neste caso a empresa talvez adote um relacionamento com base em um contrato. Isso tudo está relacionado ao fato do design ser compreendido como um elemento importante e a maioria das empresas admitir o seu espaço da mesma maneira que percebe finanças ou vendas.

E então no futuro?

Uma das coisas que mais me impressionou nas empresas que trabalhei assessorando em design foi que no momento que as encontrei, elas estavam passando por um momento de confusão. Elas tiveram um problema a ser resolvido ou uma mudança nos negócios. Provavelmente estas empresas estavam sendo desafiadas pelas importações e pelo poder da demanda e dos clientes, como grandes redes de lojas, cortando custos mas sem saber como iriam compensar a qualidade. Estas empresas não teriam perguntado por design, mas o importante é que o design pode dar uma resposta a esta crise. Existe uma necessidade latente enorme por assistência em design e a percepção da economia e política atuais reforça isso. Então, penso que a hora desta prática é agora. No entanto, o quanto suporte em design será bem explorado esta é uma questão interessante.

Observação: esta entrevista foi originalmente concedida em inglês e publicada no SEEdesign Bulletin (disponível no site www.seedesign.org).

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