Fabio Lopez

Por Editor DesignBrasil

“Era para essa circunstância que eu queria que as pessoas voltassem suas atenções: se este jogo faz tanto sentido, é que alguma coisa muito errada, então, está acontecendo”

Em vez do mapa-mundi, a cidade do Rio de Janeiro. No lugar de continentes, as favelas cariocas. E nada de exércitos fictícios. Quem batalha pelos territórios são as unidades policiais e as facções criminosas que se enfrentam no dia-a-dia de um dos mais conhecidos pólos turísticos do hemisfério sul. Assim é War in Rio (http://jogowarinrio.blogspot.com), uma espécie de paródia ao famoso jogo de tabuleiro da Grow. O autor da idéia é o designer Fabio Lopez, formado no ano 2000 pela Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi).
Lançada no dia 28 de novembro, a simulação de jogo foi um dos assuntos mais comentados pela mídia nos dias seguintes. “A repercussão do projeto foi enorme. Perdi a conta da quantidade de entrevistas feitas pelo telefone e respondidas por e-mail para rádios, jornais e outras publicações. Foram cinco entrevistas para a TV”, relata o autor, em entrevista concedida por e-mail ao DesignBrasil.
O trabalho suscitou reações opostas. Os aficionados pelo jogo adoraram a idéia e querem saber quando o “produto” chegará às lojas. Outras pessoas compreenderam War in Rio como deseja Fabio Lopez: uma proposta de reflexão sobre a violência na cidade. Houve ainda quem o criticasse. Foi o caso do secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame. “Isso é uma irreverência. Não é uma atitude condizente com o problema que temos”, declarou o secretário em matéria do site O GloboOn. Fabio Lopez, que garante não ter fins comerciais com o projeto,
defende-se: “Eu não inventei a Guerra do Rio, eu só a tornei visível de forma inusitada e banal, atentando para este fato de maneira bastante crítica”.
No dia-a-dia, fora das polêmicas, o carioca de 29 anos dedica seu tempo a um mestrado na Esdi e atua como free-lancer em projetos de identidade corporativa e de tipografia, uma de suas predileções. Um de seus trabalhos foi destaque na categoria Tipografia da Bienal de Design. Seu curriculo inclui um período de cinco anos no departamento de criação da marca Redley. Na empresa de moda jovem, o designer desenvolveu estampas, identidades, eventos e outros produtos. Além dos estudos e do trabalho, Lopez tem como um de seus principais passatempos a administração de uma página na internet sobre design gráfico holandês e filatelia.

Leia a entrevista do designer para o DesignBrasil e saiba mais sobre o processo de desenvolvimento do War in Rio. Lopez fala ainda sobre outras atividades que desenvolveu como profissional e pesquisador.

DesignBrasil Por que você decidiu montar um tabuleiro do jogo War com o mapa do Rio de Janeiro? War in Rio é mais uma obra de um aficionado por War ou de um designer gráfico? Fabio Lopez Um pouco dessas duas coisas. Mas, antes de qualquer coisa, eu sou um carioca apaixonado pela cidade do Rio de Janeiro, triste pela situação em que esta se encontra. A realidade violenta do Rio é inconcebível, e eu tentei usar o que tenho à mão para expressar isso com irreverência e presença de espírito. Eu não inventei a “Guerra do Rio”, eu só a tornei visível de forma inusitada e banal (atentando para este fato de maneira bastante crítica). Essa atitude causou espanto e gerou muita polêmica, principalmente porque a olhos desatentos parecia realmente se tratar do lançamento de um novo jogo. Mas o engano acabou sendo extremamente favorável à disseminação viral do manifesto: fez a falsa notícia se espalhar rapidamente por blogs e jornais online de forma inacreditavelmente rápida.
DesignBrasil Desde o momento em que você teve a idéia de montar um tabuleiro com o mapa do Rio, quais foram os principais desafios para adaptar o jogo às características da cidade?
Fabio Lopez Eu queria manter a estrutura exata do jogo para fazer a paródia parecer uma proposta real da indústria de entretenimento. No tabuleiro mapa-múndi os oceanos têm um papel importante, separando os continentes em setores bem definidos estabelecendo assim a dinâmica do jogo. A floresta da Tijuca ajudou nesse sentido, mas alguns problemas continuaram existindo na definição das zonas da cidade. Estabelecer uma correlação entre os territórios criados (favelas) e os existentes no jogo (países) foi a fórmula de montagem do tabuleiro. Essa relação definia a quantidades de fronteiras que cada favela precisava apresentar, influenciando ainda a definição de seu contorno. Tornar o protótipo um modelo funcional deu trabalho, mas foi importante para fazer sua apresentação parecer real.
DesignBrasil Do ponto de vista técnico, de projeto de design gráfico e de produto, explique como foi o processo de desenvolvimento do jogo, das peças e do protótipo?
Fabio Lopez As peças que aparecem fotografadas no blog foram aproveitadas de uma edição especial do jogo original: adaptei apenas o tabuleiro e as cartas, e introduzi a questão de nomear os exércitos participantes (que não existe no War). Em relação ao projeto gráfico, procurei gerar um produto com as mesmas características visuais encontradas no segmento de jogos de tabuleiro: cores vivas, tipografia legível e cacoetes gráficos como degradês e outlines. Essa combinação produzia o aspecto atraente e funcional do produto. O kit foi impresso a laser em couché matte, depois de um rápido teste de cores. A identidade criada War in Rio utiliza um lettering que remete ao logo tradicional do jogo, assim como a marca do fabricante fictício Crew (equipe) também faz menção ao logo da Grow. O projeto em si está bem realizado, mas não é de outro planeta: a questão é ter trazido a idéia a público em um momento extremamente pertinente pegando carona com o filme Tropa de Elite e aproveitando a proximidade do Natal. War in Rio: versão põe no tabuleiro BOPE, milícias, Comando Vermelho e outras facções na disputa pelo controle das favelas do Rio de Janeiro. DesignBrasil Quantas unidades você produziu? Apenas uma para consumo próprio ou distribuiu outras para a experiência de alguns amigos? Fabio Lopez Só produzi e montei um protótipo para fazer as fotos. O modelo foi concebido com cuidado: deu trabalho refilar as quase 60 cartas do jogo e montar o tabuleiro fora o custo, que não foi dos mais convidativos. Apesar do projeto aparentar a qualidade e o acabamento de um produto industrial, a montagem é toda artesanal. Com o risco de perder o controle sobre os arquivos de impressão, talvez acabe se tornando peça única.
DesignBrasil Como você recebeu as acusações de “apologia à violência” e de “transformar em brincadeira um assunto sério como a violência urbana”?
Fabio Lopez As pessoas que se pronunciaram dessa forma (infelizmente, dentre elas, algumas autoridades de segurança do Estado) estavam se manifestando sobre algo que não conheciam. Falaram de forma atabalhoada e truculenta, demonstrando falta de inteligência ou informação a respeito do que se tratava o projeto. Demonstraram também não estarem preparadas para reagir diante de uma crítica pouco ortodoxa. Mas, dessa maneira, acabaram prestando um grande favor ao manifesto, alimentando a discussão em polêmica e mantendo a questão em pauta. Por conta disso, várias pessoas saíram em minha defesa, escrevendo artigos ou colunas que repudiam essa truculência e discutem seriamente o problema da violência na cidade. Esse momento foi muito especial. Foi quando eu tive a certeza de que a coisa estava surtindo efeito. Na página na internet, eu indico um endereço de e-mail para comentários, mas a pessoa só chega até ali depois de ter lido todo o conteúdo do manifesto, ou seja, depois de se informar corretamente. Talvez por isso, dos 1.300 e-mails recebidos NENHUM fazia menção a essas acusações. Seria coincidência?
DesignBrasil E a repercussão na imprensa?
Fabio Lopez Impressionante, e muito positiva. Fui muito bem tratado por jornalistas e suas equipes, que, sem exceção haviam compreendido o que eu estava tentando fazer. Apesar disso os jornais vivem de vender polêmicas, de maneira que tomei alguns sustos lendo entrevistas minhas editadas em jornais e na internet. Acordar e me deparar (duas vezes) com o projeto na capa do jornal de maior circulação do Rio é assustador. A manchete da segunda capa do Extra foi Autoridades abrem fogo contra War da Tropa de Elite. Pânico! A repercussão do projeto foi enorme: perdi a conta da quantidade de entrevistas feitas pelo telefone e respondidas por e-mail para rádios, jornais e outras publicações. Foram cinco entrevistas para a TV: Band, Globo, RedeTV, Record e PlayTV, e o projeto foi noticiado também no SBT apesar de não ter conseguido um horário para atendê-los. War in Rio foi destaque na capa de diversos jornais, como Extra (duas vezes), Estado de São Paulo, Destak, Diário de São Paulo e Metro (curiosamente a violência no Rio faz enorme sucesso na terra da garoa). Saiu ainda na Folha de São Paulo e no Globo. Algumas revistas ainda devem publicar (ou já publicaram) artigos ou notas: IstoÉ, Revista da Semana, Superinteressante, Cult e ComputerArts. Na internet, a matéria foi capa do portal G1, do globo.com, Extra, Estadão e do jornal Globo Online por dois dias, e apareceu em diversos outros jornais e portais de informação espalhados pelo Brasil. Mais de 100 blogs noticiaram o projeto, e alguns jornais estrangeiros também o fizeram (Uruguai, México e Bélgica). Eu não procurei nenhum desses órgãos de imprensa, apenas enviei o endereço do blog para alguns amigos… Tudo aconteceu em três dias: eu estava exausto, fui totalmente sugado pela história. DesignBrasil Você já recebeu centenas de e-mails de pessoas interessadas em saber mais sobre o jogo. De um modo geral, o que dizem essas pessoas?Fabio Lopez Foram quase 70.000 visitas nos três primeiros dias do blog e, no total, mais de 1.300 mensagens por e-mail. A maioria pede informações sobre o jogo, quanto à sua comercialização ou distribuição. Mas muitos também entraram em contato para manifestar seu apoio ao que consideraram uma proposta inteligente e inusitada de colocar em debate a violência no Rio de Janeiro. Algumas mensagens me emocionaram bastante, e me deram a certeza de ter feito algo positivo. Tentei responder a todas essas pessoas que demonstraram sensibilidade em relação ao tema. Às outras eu respeitei o direito de se expressarem, mas entendi que por não terem entendido a proposta do manifesto mereciam um pouco mais de tempo para refletir. Com raríssimas exceções, as mensagens foram de felicitação pelo projeto, uma unanimidade que chegou a me assustar.DesignBrasil Como foi a recepção dos seus colegas e professores de Esdi?

Fabio Lopez A maioria apoiou e elogiou a forma criativa que encontrei de me expressar e levantar uma questão tão espinhuda, com irreverência e qualidade. Recebi alguns e-mails de estudantes e ex-alunos apoiando o manifesto, foi bem legal. Minutos antes da entrevista que dei ao Jornal da Globo, recebi uma ligação de apoio do meu amigo e próximo diretor da escola, o professor Rodolfo Capeto, e me senti muito honrado. Retribui o gesto aparecendo em rede nacional com uma camisa comemorativa aos 40 anos da escola. Isso não tem preço! Polêmicas à parte (se isto for possível), acredito ter trazido um projeto de design para o centro de uma discussão muito séria por cerca de três dias, mostrando a profissão como um importante agente de debate e reflexão. Ter feito isso com bom humor ajuda a abolir a percepção de que críticas sociais precisam ser sisudas e politicamente corretas para serem eficientes. Não fui o primeiro a fazer isso, mas por uma questão de sorte acredito ter passado bem esta mensagem. Espero ter feito jus ao nome da escola e à comunidade de profissionais de que muito me orgulho pertencer.DesignBrasil A Grow, empresa brasileira que tem os direitos sobre o War, já fez algum contato com você ou já se pronunciou sobre o assunto?Fabio Lopez Não, até porque a Grow não tem nada a dizer ou fazer sobre o assunto. Eu não cometi crime algum: comprei o jogo deles de forma legal, criei uma paródia no meu computador pessoal, imprimi uma unidade sem fins comerciais e divulguei as imagens na Internet em um blog. Em nenhum momento eu falei ou divulguei qualquer informação a respeito da venda do projeto, ou associei o nome da empresa ao meu manifesto. Também não acredito que entrem em contato comigo interessados em desenvolver a idéia: isso seria falta de sensibilidade com a questão da violência na cidade. No máximo devem me procurar para agradecer a publicidade espontânea que meu manifesto gerou a um de seus produtos na véspera do Natal.

DesignBrasil Este ano foi lançada uma versão “Império Romano” do jogo War. Você tem interesse em fazer da sua idéia um produto comercial?

Fabio Lopez Não. Sem demagogia ou falso moralismo, não gostaria de saber que um assunto como esse realmente virou brinquedo, e foi absorvido pela indústria do entretenimento para tornar as pessoas ainda mais insensíveis a essa realidade. Se alguém resolver fazê-lo será em nome de sua própria consciência. Eu não posso me responsabilizar pela estupidez alheia: não sou babá de ninguém. O politicamente incorreto só tem graça quando é subversivo. Quando é cooptado e vira produto de massa, se transforma em algo degradante e perigoso.

DesignBrasil Saindo da polêmica e falando um pouco sobre sua carreira. Você trabalhou cinco anos na Redley. Como era a relação com a empresa durante o processo de criação de estampas para as coleções de cada estação?

Fabio Lopez Trabalhar na Redley foi uma experiência muito curiosa: além de ser funcionário da empresa eu também pertencia ao público-alvo da marca. Então, na maioria das vezes eu fazia as estampas que queria usar e os produtos que sonhava encontrar no mercado, o que tornava o trabalho muito prazeroso. A equipe era muito boa e o ambiente muito estimulante também: tínhamos liberdade para propor novos caminhos, e muita confiança do restante da empresa por conta de um retorno quase sempre garantido. A partir do tema definido para as coleções, passávamos dias pesquisando e debatendo formas, frases e maneiras de representar visualmente os conceitos da coleção. Foi um laboratório profissional extremamente valioso, onde pude exercitar experiências e metodologias próprias de trabalho. Com o passar do tempo, a sazonalidade dos projetos começou a incomodar e decidi arriscar novos caminhos, entendendo que aquele ciclo profissional tinha se encerrado. Deixei grandes amigos por lá e vários trabalhos que fazem parte da memória da marca, alguns expostos em bienais de design e mostras de tipografia.
 

Algumas das estampas desenvolvidas pelo designer na Redley.DesignBrasil Em 2004, sua tipografia “Ryad” foi escolhida como um dos destaques da primeira “Bienal Letras Latinas” de tipografia latino-americana. Fale um pouco sobre esse trabalho e sobre seu interesse em tipografia.

Fabio Lopez A Ryad é um projeto acadêmico experimental desenvolvido a partir do meu interesse por alfabetos não-latinos. Faz parte de um pacote étnico formado ainda por uma fonte de aparência tailandesa e outra tibetana que também estiveram presentes na mostra. Com um texto árabe em mãos, comecei a selecionar letras que se pareciam com formas latinas e fui compondo o mapa de caracteres da fonte. O resultado é interessante: por ter utilizado formas originais do árabe a simulação fica muito convincente. Além de ter sido destaque na mostra letras latinas, esse trabalho foi comentado pelo tipógrafo argentino Rubén Fontana na revista TipoGrafica, e foi convidado a participar da mostra Catalysts! que aconteceu junto a Bienal Internacional de Design de Lisboa, em 2005. A tipografia é uma área de grande interesse pessoal: foi ainda no curso da Esdi em 1998 que comecei a desenvolver minhas primeiras experiências tipográficas. Nessa época participei do coletivo Fontes Carambola, junto com outros cinco colegas de turma. Nos encontros do grupo, debatíamos e discutíamos de tudo até tipografia. Chegamos a montar um portfólio com quase 50 fontes exclusivas que tentávamos comercializar sem muita desenvoltura. O negócio não foi para frente, mas o vírus contaminou a todos e cada um a sua maneira levou isso pro seu desenvolvimento profissional. Meu projeto de graduação foi um manual de construção tipográfica (2000), e a grande maioria dos meus projetos profissionais conta com alfabetos e letterings exclusivos ou customizados. Outros trabalhos tipográficos participaram de bienais e mostras de design, dentre eles o projeto colonia destaque na bienal da ADG de 2004.Ryad: destaque na mostra Letras LatinasTipografia colonia. O projeto foi apresentado no 1º Congresso Brasileiro de Tipografia (DNA Tipográfico), participou da mostra Letras Latinas 2004 e foi destaque na categoria Tipografia da Bienal de Design Gráfico da ADG em 2004.DesignBrasil Você está cursando o mestrado na Esdi. Fale um pouco sobre a dissertação que está desenvolvendo.Fabio Lopez É uma pesquisa relacionada à construção de significado em projetos tipográficos de simulação caligráfica, orientada pelos professores Washington Dias Lessa e Jorge Lucio de Campos. O trabalho começou se baseando em questões conceituais envolvidas na simulação da escrita humana, mas acabou transformando-se em um tratado técnico de typedesign. Minha experiência profissional em tipografia falou mais alto que a capacidade de articular questões filosóficas sobre o assunto acho que faz parte do processo de depuração da pesquisa.
DesignBrasil No momento, você está se dedicando exclusivamente aos estudos ou, em paralelo, desenvolve alguma atividade profissional? Qual?
Fabio Lopez  Por não ser bolsista, infelizmente isso é inviável já que não posso pagar contas de água e luz com capítulos da dissertação. Trabalho como free-lancer em projetos de identidade corporativa, ilustração, tipografia etc. Volta e meia acabo investindo algum tempo em projetos pessoais um tanto quanto polêmicos (risos).
DesignBrasil Você é um aficionado pelo design da filatelia holandesa. Por quê?
Fabio Lopez Na verdade, a filatelia veio a reboque do meu interesse por tipografia, design gráfico e técnicas de impressão. Selos são complexas peças gráficas resolvidas em poucos centímetros quadrados, muitas vezes sobrecarregados de qualidades projetuais e artísticas. A Holanda tem uma enorme tradição de vanguarda nas artes gráficas em geral, e a administração pública sempre soube aproveitar esse potencial investindo pesada e continuadamente no desenvolvimento do design local. Não fazem isso por filantropia ou protecionismo, mas por entenderem a profissão como uma ferramenta extremamente importante no ambiente empresarial.
Assim como em projetos de arquitetura, mobiliário urbano, sinalização, identidades, cédulas e etc., os selos holandeses são assinados por grandes escritórios e profissionais de destaque, como Piet Zwart, Gerard Kiljan, Van Krimpen, Gert Dumbar, Wim Crouwel, Karel Martens, Irma Boom, Peter Bratinga e cia. A listagem é interminável e envolve ainda artistas plásticos e profissionais de renome internacional, como MC Escher, Jan Toorop, Peter Bilak e Neville Brody. A coleção de selos holandeses é conseqüentemente um importante registro histórico da vanguarda do design gráfico internacional. Desse interesse nasceu uma pesquisa particular (disfarçada de coleção) que procuro publicar na página www.designefilatelia.blogspot.com. A partir de uma listagem de autores – gravadores, designers, tipógrafos e fotógrafos destacados por questão de relevância -, venho criando verbetes biográficos em que a produção profissional de cada um é resumidamente apresentada. Adoraria ter mais tempo para me dedicar a esse projeto e expandir a pesquisa para outros países que adotam essa mesma postura.DesignBrasil Voltando a War in Rio. Em seu blog, você diz que se trata de uma “reflexão e entretenimento canalha”. Por quê?Fabio Lopez Porque transformar a violência urbana da cidade do Rio de Janeiro em um jogo de tabuleiro é, na minha opinião, um absurdo, assumidamente uma piada de mau gosto. Mas o jogo infelizmente reflete com bastante fidelidade o cotidiano da cidade, tornando-se factível, possível. Esse era para mim o segundo absurdo, ou o cúmulo do absurdo. Era para essa circunstância que eu queria que as pessoas voltassem suas atenções: se este jogo faz tanto sentido, é que alguma coisa muito errada, então, está acontecendo.

* Entrevista concedida a Juan Saavedra

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