Fale mais sobre André Stolarki em livro, documentário e exposição

Por Bruno Porto

 

 

André Stolarski: designer, curador, escritor, pensador em branding e cultura

André Stolarski: designer, curador, escritor e pensador em branding e cultura

 

Quando o designer paulistano André Stolarski faleceu precocemente em agosto do ano passado – aos 43 anos, vítima de um câncer, ou ainda, do tratamento deste câncer – perdemos um dos mais ativos e versáteis articuladores do design brasileiro contemporâneo. Perdi também um grande amigo de todas as horas e fusos. Perdemos o sorriso e o brilhantismo de uma mente privilegiada e generosa, a afinação de um canto surpreendente e a fala perfeita, redonda, cristalina e certeira. Também fomos privados de um desbravador de caminhos, carreiras, parcerias e obras, que já arriscava ensaiar vôos inimagináveis pelos parâmetros atuais. André Stolarski foi ao mesmo tempo arqueólogo e astronauta no design brasileiro. Uma coisa destas não se faz.

Atendo o telefone e o amigo Marcelo Pereira, seu sócio na Tecnopop por mais de uma década, me lembra do projeto que estavam tramando antes de sua morte: uma exposição retrospectiva de projetos de Aloísio Magalhães comentados por cinco ou seis designers de renome, cujos depoimentos seriam gravados e disponibilizados online, transcritos no formato e-livro – enfim, uma sequência ao seminal registro idealizado por ele com o documentário “Alexandre Wollner e a Formação do Design Moderno no Brasil” de 2005. O projeto estava escrito, o plano era inscrevê-lo no Edital Pró-Design do Centro Carioca de Design… mas o que eu acharia se fosse sobre o André no lugar de Aloísio? Topas fazer esta curadoria ao lado do Luis Marcelo Mendes?

LMM foi outro dos grandes bróders que André pariu no Rio, seu ex-sócio na Tecnopop, meu amigo e parceiro e co-autor e quem me ligou às seis da manhã do fatídico sábado em que a infecção pulmonar levou a melhor sobre nós, ou pior, levou o melhor de nós.

Nos debruçamos sobre seus trabalhos – na Tangram, seu primeiro escritório de recém-formado; nas exposições realizadas no MASP, no MAM Rio e em outros importantes espaços da cultura e das artes; nos projetos que insistia assinar como Stolarski | Pontes, mesmo que sua sócia Ana Paula Pontes insistisse em dizer que não participara de nada; na durganiana Tecnopop; na Fundação Bienal de São Paulo que aprumou de ponta cabeça – e constatamos o óbvio: André Stolarski não cabia em uma exposição!

A quantidade de projetos de marcas, exposições, publicações, cartazes, sistemas de identidade e afins desenvolvidos em vinte anos de trabalho não era propriamente colossal, só não era… significativa. Ou melhor: alguns dos principais feitos stolarskianos não estavam em projetos de design visual. Foram curadorias e articulações com artistas, designers e produtores; traduções, artigos, poemas e resenhas; sistematizações e orientações de projetos e processos criativos; cursos, aulas, palestras e tsunamis intelectuais em mesas redondas… Isso não caberia em vinte e tantas pranchas e displays efêmeros não por questões de tamanho e quantidade, mas de suporte, de abrangência, de propriedade.

Aquela meia dúzia de depoimentos original foi recebendo acréscimos de nomes de ex-tolarskis – de colegas de profissão, sócios e estagiários a alunos, professores e admiradores – até que se viu enfim quadruplicada. Com orgulho, admiração e tristeza escutei, em sua São Paulo natal e no Rio de Janeiro que adotara, falarem de seus projetos geniais, mas também de sua genialidade projetual, o que não é a mesma coisa. Contavam histórias e anedotas e cases e trapalhadas e tiradas e gols de placa e choraram e riram… Os depoimentos que ilustrariam os projetos como comentários foram virando um documentário, que terminaria focado (sim, por que pode-se dizer que André Stolarski também não caberia em um filme) em sua trajetória profissional, recontada por quem vivera suas etapas ao seu lado.

Os depoimentos ajudaram na tarefa de identificar o que seria incluído fisicamente na mostra, que passaria a ser organizada não através de suportes ou tipos de trabalhos – o que se mostraria incoerente com a própria contribuição do designer para sua área – mas através de facetas, aspectos, características presentes em sua produção e raciocínio sherlockiano. E que por sua vez dialogariam com um livro, mix de catálogo da exposição, registro visual estático dos sons e imagens em movimento do documentário, e, esperamos, ferramenta de estudo, análise e inspiração intelecto-projetual do legado de André Stolarski.

Coeso com sua atuação multi-plataforma-mídia-disciplinar, André Stolarski apenas “começou a caber” neste(s) formato(s): em movimento, com som, impresso, digital, físico, tátil, interativo… Mas se não prevíamos esta amplitude, tampouco os recursos provenientes do Edital Pro Design 2013 do Centro Carioca de Design. Daí termos adotado para este livraço – que sairá em edição limitada, de quase cem páginas, lindamente editado pelo Julio Silveira – o sistema de financiamento coletivo em http://www.imaeditorial.com/motor/?download=andre-stolarski-fale-mais-sobre-isso

 

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