Frank Zierenberg fala sobre o potencial do design brasileiro

Por Editor DesignBrasil

Designer, Frank Zierenberg veio ao Brasil mais uma vez para promover o design. Ele visitou empresas, escritórios de design e agência de publicidade, passando por São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e por Curitiba, onde visitou o Centro de Design e nos contou um pouco da sua experiência no Brasil, além de mostrar que o design brasileiro tem potencial para premiações internacionais, como o iF Design Awards.

 

 

DesignBrasil: Qual é a visão do Prêmio iF sobre os projetos inscritos dos diversos países?

Frank Zierenberg: O iF tem uma visão global, hoje temos a participação de mais de 52 países nas premiações. No próximo ano é o 60° aniversário do prêmio e o objetivo constante é mostrar o poder do design para empresários e também para a sociedade em geral. Antigamente o foco do prêmio era apenas produto, hoje contempla as áreas de comunicação e embalagem, além de coordenar o maior prêmio de estudantes na área de design do mundo. A ideia é mostrar o design como uma ferramenta de negócios e não um fator de custo, isso é um desafio global.

 

DesignBrasil: Há uma maior participação das empresas?

Frank Zierenberg: Sim. Nos últimos anos temos trabalhado no aumento dos benefícios para os premiados. Hoje, um premiado no iF conta com quatro exposições, duas na Alemanha e duas na CeBIT, além da cerimônia de premiação em Munique, que ocorre paralelamente com uma semana de design, onde a cidade Bavária tem mais de 100 eventos de design acontecendo simultaneamente entre exposições, seminários, lançamentos de coleções e lojas mudam o layout e se transformam em showroom cheios de design! Os premiados contam também com uma página na exposição online no site do prêmio e um catálogo impresso. Além é claro do uso do selo iF.

 

 

DesignBrasil: Como é a participação do Brasil na premiação?

Frank Zierenberg: Tradicionalmente, é muito boa. Nós trabalhamos em 52 países e o Brasil sempre está entre os 10 primeiros em números de inscritos e premiados. O Brasil participa de forma mais constante desde 2004 e vem se superando a cada ano. No próximo deadline, 19 de setembro saberemos quantas inscrições Brasileiras vamos ter, mas, novamente, os números são bons. Estamos otimistas.

 

DesignBrasil: Qual é a sua visão do Mercado de design brasileiro?

Frank Zierenberg: Na Europa, o design brasileiro tem grande potencial, porque é animado, há inúmeras coisas acontecendo e bastante experimentação. Existe o uso tradicional de artes e recursos artesanais brasileiros que deixam o produto mais especial. O design de produto tem um grande potencial por conta desses ricos recursos que estão disponíveis no Brazil, além da criatividade e da flexibilidade dos designers. Acredito que isto está ligado com o passado do país, há 20 anos houve a necessidade de improvisar e pegar utensílios e produtos que já estavam disponíveis e transformá-los em algo novo. Isso ainda é visível no design dos Irmãos Campana, eles improvisam bastante, é uma combinação entre produção artesanal e industrial, algo que é bastante popular na Europa porque a maioria dos produtos feitos industrialmente e em massa de alguma forma acaba não tendo tanta alma quanto os produtos artesanais. Se eu pudesse sugerir algo, eu sugiro que Os designers brasileiros devam cuidar dessa riqueza e tentar utilizá-la na era industrial. Alguns outros países são prova de que a tradição artesã foi perdida.

Outros países, como a Itália, conseguiu manter essa arte, por exemplo, uma indústria de vidro que consegue produzir coisas que nenhuma outra pessoa no mundo tem capacidade. Não há dúvida de que produtos dos Irmãos Campana são produzidos por companhias italianas porque eles possuem essa combinação de artesanato e indústria, e um acaba nutrindo o outro.

 

DesignBrasil: Qual é a importância do prêmio iF para companhias e para designers?

Frank Zierenberg: Para uma companhia é uma forma de se diferenciar diante da competitividade Este é um motivo, o outro é mostrar ao mundo que o design está sendo usado como uma ferramenta estratégica de negócio. Para designers, o prêmio é uma prova de suas capacidades no ofício. Eu penso que, como designer, existe o problema de não poder provar o design com números, então se o empresário contrata um profissional não há como provar se o projeto é bom. Você como criador pode afirmar que é algo de qualidade, mas não há como provar por completo, claro, você pode provar a qualidade de alguns aspectos, mas a estética não pode ser posta em números. O problema é que empresários, clientes e fabricantes estão acostumados com números e planilhas. O design é sobre confiança e confiança no mundo de negócios é sempre algo complicado. Neste caso, o iF pode auxiliar, porque um júri independente assegura com certa propriedade que você, como designer, fez um bom trabalho. O iF é apenas o organizador, o júri é soberano nas decisões. O profissional não diz por si próprio que é um bom designer, ele pode dizer que ganhou 4 prêmios iF, ano após ano e isso prova sua capacidade. Para designers e agências de comunicação, este é um dos benefícios que oferecemos.