Gentilmente, você pode agitar o mundo. (Mahatma Gandhi)

Por Editor DesignBrasil

A proposta deste artigo é recuar mais de 50 anos atrás para contar a história de uma escola de design na Índia.

Todo mundo parece estar surpreso com o recente progresso econômico e cultural indiano. Este artigo, no entanto, não trata deste aspecto. Não menciona a explosão da indústria da tecnologia de informação, nem o sucesso da indústria cinematográfica Bollywood, nem a ousada recente compra da Jaguar pela Tata. A proposta é recuar mais de 50 anos atrás para contar a história de uma escola de design na Índia.
A Índia conquistou sua independência em 1947. Junto com esta conquista, veio o desafio de promover mudanças sociais e econômicas que modernizassem o país e recuperassem o atraso no desenvolvimento provocado por décadas de colonização britânica. Uma das preocupações do governo era o desenvolvimento da indústria, que precisava de técnicos e gerentes mais qualificados.
Em pleno Museu de Arte Moderna de Nova York, na primavera de 1955, durante a exposição Tecelagens e Artes Ornamentais da Índia, um encontro inesperado entre o escritor indiano especializado em artesanato Pupul Jayakar e o designer americano Charles Eames marcou o futuro do design na Índia. Como resultado deste encontro, Charles Eames e sua esposa, também designer, foram contratados pelo Governo da Índia para preparar um estudo de viabilidade para um instituto de design de produto que serviria a indústria manufatureira do país.
O casal desembarcou na Índia pela primeira vez em 1957, iniciando assim uma longa viagem de pesquisa pelo país. No ano seguinte, eles entregaram o trabalho contratado na forma de um documento de alta qualidade que descrevia o espírito necessário para o estabelecimento de um instituto de design de relevância nacional (vale enfatizar que o governo esperava um estudo técnico de viabilidade). Os designers americanos recomendavam a implantação de uma mentalidade de design para solução de problemas, que liga o aprendizado à experiência prática, colocando o designer como uma ponte entre a tradição e a modernidade. O relatório também expressava grande preocupação com a melhoria da qualidade de vida das pessoas na Índia.
Com base nestas recomendações e depois de extensa negociação com o Governo da Índia e a Fundação Ford (um patrocinador chave), o Instituto Nacional de Design (NID) foi aberto em 1961, seguindo a filosofia recomendada por Charles e Ray Eames.
A história que segue é igualmente rica e inclui a construção do prédio do Instituto, a sobrevivência a uma enchente, a transição para um modelo financeiro sustentável e a criação de novos cursos. Durante todo o tempo, o espírito original do instituto só foi reforçado:
– Estudantes eram encorajados a um auto-aprendizado, ao contrário do tradicional sistema de ensino mastigado (uma influência da teoria de Walter Groupius da Bauhaus);
– Professores eram incentivados a trabalhar em parceria com estudantes;
– Exames formais eram substituídos por um sistema de feedback contínuo e avaliação qualitativa;
– Teoria e prática eram combinados. Trabalhos em estúdio e workshops eram valorizados como projetos reais, assim como protótipos funcionais e produção em baixa escada dos conceitos desenvolvidos;
– A relação professor para aluno não ultrapassava 1 para 15;
– Uma estrutura de administração inovadora e de mínima burocracia refletia a filosofia do instituto: Um problema de design nunca será resolvido por um comitê, mas por um time bem articulado.

Além de instituição acadêmica, o NID tambem foi estabelecido como um instituto de serviço para empresas na Índia. A prática era considerada parte importante da filosofia do aprendizado e, portanto, os alunos eram estimulados a participar em projetos reais. Ao longo das décadas, o corpo docente e a equipe de futuros profissionais foram responsáveis por alguns dos projetos mais importantes de identidade corporativa e produtos na Índia, como a Companhia Aérea da Índia, o Banco do Estado, a Corporação de Transporte de Delhi, a Indústria de Telefonia da Índia.
O Instituto Nacional de Design fica em Ahmedabad, no noroeste da Índia. O campus, à beira do rio Sabarmati, é construído de tijolo e concreto em estilo modernista, com balcões e terraços, muitas árvores e muita sombra uma ilha agradável no meio de uma cidade industrial caótica. O NID oferece 16 cursos diferentes, de design de produto à gestão estratégica do design com opções de graduação e pós-graduação. Este ano, cerca de três mil candidatos de toda a Índia e países vizinhos participam de um processo de seleção feito em duas etapas, incluindo testes práticos e entrevistas. Eles competem por uma das 75 vagas dos cursos de graduação. Outros dois mil candidatos concorrem a 200 vagas na pós-graduação. É um processo de seleção difícil e a profissão é remunerada abaixo da média de outras categorias na India. No entanto, não faltam candidatos, todos otimistas com a perspectiva de uma formação. O design na Índia, muito mais do que em outros países, encontra seu significado mais forte na função de promover a transformação da qualidade de vida das pessoas. E a Índia precisa disso.

Gisele Raulik-Murphy visitou o Instituto Nacional de Design in Ahmedabad em Marco de 2008. Este artigo eh parte de entrevista conduzida com Professor M P Ranjan. (fotos: Darragh Murphy)Gisele entrevista Professor Ranjan at the NID (Março 2008).
Entrada do National Institute of Design, Ahmedabad, India.
Estudantes do National Institute of Design.
Parede de logomarcas criadas no National Institute of Design.

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