Gustavo Engelhardt

Por Editor DesignBrasil

“Decidimos encarar o desafio de combinar design e arte. A fruteira pareceu uma peça ideal, uma vez que permitiria valorizar as próprias frutas enquanto elementos artísticos”

Formado em 2002 pela Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba (PR), o designer de produto Gustavo Engelhardt já ostenta em seu currículo um prêmio que poucos têm: o de vencedor do iF Product Design Award.
Engelhardt trabalha na criação e desenvolvimento de projetos e produtos por meio da empresa Desfiacoco d.e.s.i.g.n., priorizando aspectos como ecodesign e sustentabilidade. Em parceria com Daniel Castelo e Diego Costi, desenvolveu a fruteira Centopéia. O produto valeu ao trio a consagração no principal prêmio do design europeu – foi um dos 19 brasileiros entre os 802 eleitos pelo júri internacional, com direito à exposição da peça na feira de Hannover. É, aliás, o segundo prêmio do produto, que também conquistara o VII Prêmio House & Gift de design, em 2006.
A Centopéia surgiu em 2005. É uma peça que pode ser usada dos dois lados e que permite dezenas de possibilidades formais, abrigando tanto frutas de pequeno como grande porte – seu diâmetro, fechada, é de 41 cm.
Outro detalhe essencial é que o produto foi desenvolvido com materiais 100% recicláveis, à base de fibras naturais, com acabamento em fibra de coco (escura) e fibra de madeira (clara). Esses são fatores que fizeram da fruteira um projeto de alto valor agregado no mercado – a peça custa cerca de R$ 350,00 em lojas de design e decoração de alto padrão.
Em entrevista ao DesignBrasil, Engelhardt falou sobre o processo de desenvolvimento do produto.
Confira:

DesignBrasil Qual foi o contexto de surgimento do produto?

Gustavo Engelhardt A idéia apareceu quando a Desfiacoco estava prestes a completar seu primeiro aniversário. Nesse momento, a partir de um brainstorming, decidimos encarar o desafio de combinar design e arte. A fruteira pareceu uma peça ideal, uma vez que permitiria valorizar as próprias frutas enquanto elementos artísticos. Dessa maneira, a proposta foi desenhada para conferir destaque à beleza natural: retirá-la do recinto mais fechado da cozinha e explorá-la em ambientes como a sala da casa.

DesignBrasil Depois de estabelecida a idéia, como se deu a pesquisa de mercado?

Gustavo Engelhardt O resultado desse levantamento foi a opção de buscar inspiração na natureza para o formato da peça, uma lacuna que ainda não havia sido suprida pelo mercado. A comprovação da viabilidade dessa alternativa ocorreu a partir da elaboração de um protótipo simples, em papelão, que deixou mais clara a possibilidade de existência do produto.

DesignBrasil Como foi o processo de produção?

Gustavo Engelhardt Por ser o foco da Desficoco, a questão ecológica ficou no centro de nossas preocupações. Num primeiro momento, a confecção foi realizada de maneira praticamente artesanal. Contudo, isso acabou encarecendo demais o produto, que demonstrava boa aceitação nos pontos de venda, mas não era adquirido pelo público consumidor em virtude de seu custo elevado. A partir desse feedback, decidiu-se alterar o processo de fabricação, cujo resultado foi uma queda de 60% do custo de produção. No final de 2007, surgiu então a segunda versão.
 

DesignBrasil Que medidas foram tomadas para alcançar essa redução?

Gustavo Engelhardt A primeira versão foi confeccionada toda em madeira certificada. Na produção da segunda, por sua vez, houve o emprego de fibras naturais de coco, cana e madeira. Além de baratear a peça, essa matéria-prima agrega duas características fundamentais: durabilidade e sustentabilidade: é 100% reciclável.

DesignBrasil Quais seriam os principais diferenciais do design do produto?

Gustavo Engelhardt O design da Centopéia quebra dois paradigmas. Primeiramente, um produto tradicionalmente estático ganha mobilidade. Essa flexibilidade é obtida a partir da simplicidade de sua estrutura: a repetição de uma mesma peça conforma um sistema de eixos e garante a movimentação. Dessa maneira, a fruteira pode ser disposta de maneira mais ou menos esticada, a depender do espaço disponível. Capaz de receber frutas grandes ou pequenas, o formato ainda impede que elas não se encostem tanto e assim apodreçam menos. O segundo paradigma é a interface que o produto estabelece entre design e arte. Apesar da polêmica existente sobre as chances de alcançar sucesso nessa união, acreditamos que a Centopéia consegue fazer de maneira satisfatória uma ponte entre essas duas áreas.
* Entrevista concedida a Juliane Bazzo. Edição final de Juan Saavedra.

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