Gustavo Greco fala sobre suas conquistas de 2012 – entre elas, o Grand Prix do Red Dot

Por Centro Brasil Design

Entrevista e texto: Julliana Bauer

 

Tem sido um bom ano para o designer mineiro Gustavo Greco. Em junho, recebeu um Leão de Bronze no Festival de Cannes. Cinco meses mais tarde, ganhou o Grand Prix do Red Dot, concorrendo com cerca de 6823 trabalhos de profissionais de todo o mundo. O projeto que rendeu tantos prêmios a Greco é surpreendentemente simples – um sistema de sinalização que o designer criou para uma clínica de ortodontia. Além do Grand Prix e do Leão de Bronze, o trabalho rendeu a Gustavo também um prêmio no Ideia Brasil e a Bienal Ibero-Americana de Madri.

Greco é o proprietário e diretor de criação da Greco Design, empresa que atua em Belo Horizonte desde 2005, e é também dirigente regional da Associação Brasileira das Empresas de Design – Abedesign. Antes de partir para Berlim, onde aconteceu a cerimônia do Red Dot, pedimos a Gustavo que nos enviasse algumas fotos da premiação assim que voltasse. A entrevista com o designer e as fotos você confere abaixo:

 

Você recentemente ganhou o Grand Prix do Red Dot por seu projeto de sinalização. Como funciona esse projeto?

 

O projeto premiado é um sistema de sinalização criado para a Clínica de Ortodontia Dauro Oliveira, em Belo Horizonte. Utilizamos as matérias-primas do dentista (braquetes e borrachas) em dimensões ampliadas para criar uma família de números e pictogramas exclusivos para o projeto. O resultado é um exercício de síntese que desloca a ideia da dor e da inibição para uma solução capaz de arrancar belos sorrisos.

 

 Você imaginava que seu projeto teria uma repercussão tão expressiva?

 

Não. O projeto é pequeno, se comparado aos que são inscritos em festivais do porte dos que vencemos. Mas fica como reflexão: não importa o tamanho do projeto e, sim, o quanto se investe nele, tanto da parte da empresa de design (na elaboração da solução) quanto do cliente (que acredita e investe no design). 

 

Como foi a cerimônia do Red Dot?

 

A cerimônia aconteceu no Konzerthaus, antigo teatro de Berlim. Como um bom prêmio alemão, a cerimônia foi muito bem organizada, elegante, grandiosa. Foram 6.823 projetos inscritos, advindos de 43 países, dos quais 511 receberam a menção Red Dot. Dentre os premiados, 63 receberam a distinção best of the best, entre os quais estava um outro projeto da Greco: o editorial Palíndromo que criamos para a Rona Editora. Para nossa surpresa (só ficamos sabendo disso na hora da premiação), o projeto de sinalização da clínica foi eleito o Grand Prix da categoria, distinção feita a apenas 15 de todos os trabalhos participantes da premiação. Após a cerimônia, os convidados foram para uma festa na qual todos os projetos estavam expostos. Foi gratificante ver nossos trabalhos destacados em meio a tantos projetos incríveis. Outra questão relevante foi o fato de ter conseguido levar dois dos designers que participaram comigo nos projetos (Tidé e Fernanda Monte Mor), além de dois outros integrantes de nossa equipe (Laura Scofield e Zumberto) que aproveitaram suas férias para estar conosco em Berlim. Comemorar a conquista em equipe fez a nossa noite memorável.

 

– Para um designer brasileiro, o que significa conquistar prêmios internacionais?

 

Penso que os prêmios são reflexo de um trabalho bem feito. Pelo fato de estarmos em Minas Gerais, teoricamente fora do eixo, os prêmios têm ainda a função de trazer atenção para os inúmeros talentos que temos em nosso estado. Este ano foi especial pra gente. Conquistamos o primeiro leão de design de Minas Gerais no Festival de Cannes e os dois prêmios no citado festival alemão, Red Dot Design Award; recebemos um prêmio na Bienal Ibero Americana de Madri e uma estatueta no London International Awards. 

 

Como os prêmios que você conquistou esse ano influenciarão a sua carreira?

 

Espero que os prêmios nos tragam novas oportunidades de trabalho, bons projetos. Ter a Greco selecionada nos maiores eventos de criatividade do mundo é uma comprovação de que estamos trilhando um bom percurso. Gosto sempre de dividir todos os créditos com minha equipe, hoje meu maior patrimônio. Espero que esses prêmios sirvam de estímulo para que as empresas entendam a importância do design como disciplina criadora de linguagem, identidade e, por que não, lucro. 

 

– O profissional brasileiro de design é valorizado no exterior?

 

O Brasil não fica devendo nada para os projetos do exterior. Todo processo de criação passa por um repertório particular que, aliado ao universo simbólico do cliente, permite uma solução formal. Por isso, nossas questões culturais e sociais refletem diretamente na qualidade e inovação dos projetos brasileiros. Somos um povo criativo por natureza, estamos acostumados a gerar ideias de maneira rápida e espontânea.

Projeto criado por Greco que  venceu o Grand Prix

 

A equipe na cerimônia do Red Dot

 

Outro projeto de criação de Greco, também bastante premiado

 

Declaração do júri sobre o projeto de sinalização do Dauro Oliveira:

 

“A ideia do sistema de sinalização é fantástica e funciona perfeitamente bem – especialmente para o contexto do cliente. Inspirada no trabalho diário dos dentistas, a sinalização reflete sua identidade de uma forma tão autêntica quanto atraente.”