Gustavo Piqueira fala sobre Clichês Brasileiros, seu livro mais recente

Por Centro Brasil Design

 

Julliana Bauer

 

Entrevistar Gustavo Piqueira dá um pouco de medo. Conhecido por um humor ácido que é bem característico de seus livros, o designer publica e comenta os xingamentos que recebe nas redes sociais em seu site pessoal. “Pense duas vezes antes de fazer alguma pergunta meio boba pra ele”, me alertaram os mais entendidos. Assim que começamos a conversar, Gustavo disse algo como “eu falo meio devagar porque tenho medo de falar besteira, tá?” e, ufa, meu medo de entrevistá-lo morreu ali.

Menos de um ano após lançar Iconografia Paulistana – livro no qual reúne fotografias que retratam uma são Paulo um tanto cafona –, Piqueira surge agora com Clichês Brasileiros, publicação feita a partir de um catálogo de clichês tipográficos que faz uma narrativa com uma abordagem bem peculiar da história brasileira e, é claro, de todos os seus clichês.

 

Como você teve essa ideia de explorar todos os sentidos do termo “clichê” para seu novo livro?

De tempos em tempos, tento compor uma narrativa a partir de uma matéria prima específica. Já fiz isso com fotografias antigas, por exemplo. Desta vez, foi com um catálogo de clichês tipográficos. É interessante esse duplo sentido da palavra, porque esse uso mais comum veio da ideia dos clichês tipográficos. Fiz uma pesquisa e, em inglês, a tradução de “clichês” é stereotypes, achei curioso.

 

Quanto tempo demorou para o livro ficar pronto?

Não demorou muito, acho que um mês, um mês e meio.

 

Você escreveu anteriormente, no livro Morte aos Papagaios, sobre como essa questão de uma identidade brasileira no design gráfico te incomoda, com todos os clichês que são esperados do design feito aqui. Esse seu livro mais recente tem algo a ver com isso?

Esse texto que você citou é bem antigo, mas eu não mudei de opinião e essa é uma questão bem recorrente pra mim. O livro não tem uma relação direta com esse texto, não. Eu tento encontrar o que me faz brasileiro de verdade, sem me agarrar a clichês.

 

Seus dois últimos livros (Clichês Brasileiros e Iconografia Paulistana) tiveram apenas uma tiragem cada com cópias limitadas e numeradas. Por que essa decisão de fazer apenas mil exemplares?

Optei por seguir o caminho de transformar cada livro em um objeto. Iconografia Paulistana vinha com um espelho na capa, e esse mais recente vem com uma lâmina de madeira, o que inviabiliza uma tiragem grande. Não me interessa fazer uma reedição simples, com um espelho em pantone prata futuramente. Tem esse lado dos objetos quase artesanais, feitos manualmente, eu gosto disso. Com Iconografia Paulistana, eu cuidei muito para não me tornar o “especialista em prédios feios” ou uma espécie de autoridade no tema. É um jeito meu de falar “ok, esse livro terminou, vamos para o próximo”.

 

Muita gente parece não ter entendido o Iconografia Paulistana, assim como muita gente também não entendeu Marlon Brando – Vida e Obra. Isso te incomoda ou te diverte?

Isso me diverte. Quando escrevi Morte aos Papagaios, há quase dez anos, eu tinha uma preocupação maior com isso. Até que um dia percebi que sem liberdade extrema, não me interessa escrever. Gosto de confundir. É claro que eu quero que gostem dos meus livros, mas não vou fazer um livro me preocupando apenas se as pessoas vão entender ou não.

 

Você tem uma produção bem acelerada de livros, como os concilia com seu trabalho na Casa Rex?

Eu me organizo para conseguir fazer tudo, mas não é nada de muito especial, eu me entedio se não fizer nada. Trabalho em muitos projetos porque fico nervoso se for diferente. Quando termino um livro, é como se ele morresse ali e eu imediatamente já começo a pensar no próximo.

 Gustavo Piqueira cria narrativa visual combinando antigos clichês tipográficos e conta a história do Brasil em seu novo livro

 

CLICHÊS BRASILEIROS 

Autor: Gustavo Piqueira

Editora: Ateliê Editorial

Nº de páginas: 112pp.

Edição: 1ª. (Tiragem única, 1.000 exemplares numerados)

Formato 23x27cm – Capa com lâmina de madeira impressa em serigrafia, fixada com adesivos, e lombada com costura lateral especial exposta

Preço: R$ 49,00

 

LANÇAMENTO 

Dia: 29 de julho, segunda-feira, a partir das 19h

Local: Bar Balcão – Rua Dr. Melo Alves, 150 – Jardim Paulistano, São Paulo