Internacionalização do Design Brasileiro*

Por Editor DesignBrasil

Ao que tudo indica o design brasileiro está seguindo a maior tendência de mercado hoje: o foco no ser humano.

A evolução do universo artificial, criado pelo homem, está esgotando irreversivelmente os recursos naturais e o aquecimento global é uma prova deste processo. A violência, o desemprego, as epidemias sociais e tudo mais que nos afeta contribui diretamente para mudar nossa forma de ver o mundo. Esta mudança constante influencia, por sua vez, a forma como as pessoas se relacionam entre si, com o ambiente natural e com os objetos à sua volta, o ambiente artificial.

Por outro lado, tudo que criamos afeta também esta realidade em maior ou menor grau, trazendo novas necessidades e novas mudanças, em um processo dialético. Os produtos que compramos e usamos sempre dizem algo a nosso respeito de forma que o discurso individual surge terceirizado nos objetos criteriosamente selecionados que, juntos, se prestam também para passar aos outros a imagem que gostaríamos de ter.

Mas se as questões ambientais não podem mais ser tratadas de forma leviana, o design tem também que assumir sua responsabilidade para com a sociedade nesse sentido. Não podemos mais embelezar um produto decadente com linhas mais sedutoras ou seguir friamente as pesquisas de tendências, pensando nas curvas de vendas da empresa. Precisamos inovar com consciência, entendendo que o que produzimos hoje será o lixo de amanhã.

A sociedade valoriza hoje aquele profissional que pensa “fora da caixa”, aquele que rompe paradigmas e propõe algo novo, com mais qualidade em todos os aspectos possíveis para o ser humano. As dificuldades existentes neste processo, mais complexo, tornam-se excelentes oportunidades na ótica do Design Responsável.

O design assume, portanto, uma posição de gestão estratégica em qualquer empresa que tenha interesse expandir os limites e criar na mente do consumidor um novo conceito de produto, totalmente focado nas necessidades do ser humano. É fundamental entender que as pessoas não compram produtos, mas seus benefícios.

O iPhone, por exemplo, é o primeiro aparelho lançado pela Apple que integra as funções de aparelho de comunicação, câmera, internet e MP3 Player, onde a inovação está na humanização da tecnologia, tornando-a mais amigável pelas operações manuais e intuitivas em sua tela touch screen. É a tecnologia adaptada ao homem. Não o Homem adaptado às tecnologias.

Entender as necessidades do ser humano em sua essência é a matéria-prima do design atual. É aí que está o valor do Design. Não podemos mais apenas melhorar o que existe, precisamos verificar se o que existe hoje é bom para nós, sem medo de mudanças.

O design brasileiro está sendo muito valorizado no exterior justamente pela característica de saber dosar a quantidade de inovação e o conservadorismo do mercado, adaptando aspectos subjetivos que envolvem a conceituação de um novo produto com as limitações técnicas e comerciais que viabilizarão os novos conceitos.

Empresas norte-americanas, como a Charge Design, já estabeleceram alianças estratégicas com escritórios de design brasileiros com este perfil. O prêmio IF Design, sediado em Hannover na Alemanha, premiou em 2007 mais produtos brasileiros do que os desenvolvidos em alguns países considerados berços do design mundial e empresas de capital nacional apostaram no design brasileiro, como a Spy Eyeware, que recebeu o selo Design Excellence Brazil, quatro prêmios Opus Design Award no Japão, conquistou uma fatia maior de mercado e já se prepara para uma nova fase de crescimento.

Ao que tudo indica o design brasileiro está seguindo a maior tendência de mercado hoje: o foco no ser humano.

*Publicado no jornal Gazeta Mercantil

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