Lincoln Seragini: “O mundo está pedindo por um novo marketing”

Por Centro Brasil Design

 

 

Com uma carreira de 45 anos, Lincoln Seragini é um dos designers de embalagem de maior destaque no Brasil. Ou, como ele mesmo se define, um “embrulhão” com muita história. Presidente da Seragini Brand Innovation (Consulting), ele já atuou como consultor das Nações Unidas nas áreas de Design e Tecnologia de Embalagem, trabalhou na Colgate-Palmolive, Nestlé, Dixie-Toga, Johnson & Johnson e durante 10 anos foi associado ao grupo norte-americano de comunicação Young&Rubicam.

Em uma breve passagem por Curitiba para participar de um painel de consultores do programa Paraná Inovador pelo Design, Seragini contou ao DesignBrasil o que mais lhe fascina no universo do design de embalagem. 

 

 

Quais as principais transformações que você pôde presenciar no design nacional ao longo de sua carreira?

Além de a formação profissional ter melhorado, floresceram escritórios e profissionais de alto padrão. Houve uma evolução muito grande, a ponto de estarmos muito bem posicionados no design de moda, ganhando prêmios mundiais. Vários designers nossos trabalham na indústria automobilística mundial, que, aliás, investe muito nos nossos profissionais. É uma evolução visível. Aos poucos, estamos vencendo o que chamamos de cultura da cópia, que era algo muito comum na America Latina.

 

Qual o atual papel do design na indústria criativa?

O design em si está presente em quase 80% disso que chamamos de indústria criativa. De longe, o design é o máximo denominador comum da economia criativa. Isso é uma boa notícia, porque o design pode mesmo transformar o mundo com sua mentalidade e talento. Não se trata só da criação de objetos, mas também de solucionar problemas da sociedade, de inovação.O design é uma área específica. Naturalmente, o primeiro nível dele é resolver projetos, seguido da gestão do design, da inovação através do design e, por fim, do design do próprio negócio – o business design. É claro que o designer que trabalha com projetos não é o mesmo que é apropriado para o business design. O design como profissão evoluiu. Sabe o que está acontecendo no final das contas? O design está substituindo o velho marketing. O marketing velho morreu. O mundo esta pedindo por um novo marketing e isso está vindo com o caminho do design. Quem lidera o novo marketing é o novo design – o design thinking, o design thinker. 

 

Existe alguma grande tendência no que diz respeito à embalagem atualmente?

A tendência é que elas sejam mais simples, tenham mais segurança no uso e que tenham sustentabilidade.

 

O que mais te fascina no universo do design de embalagem?

Qualquer embalagem do mundo só utiliza quatro elementos: forma, cores, tipografia e imagens. Imagine que só com esses elementos é possível criar embalagens diferentes e originais! Pense em segmentos prestigiados, como perfumes – qualquer perfume tem frasco e tampa. Pense em criar um diferencial de valor só com esses dois elementos. É isso que me fascina. O maior desafio, no entanto, é não copiar.

 

As notícias mais compartilhadas nas redes sociais do DesignBrasil são as que são relacionadas a embalagens. Como você explica a relação emocional entre consumidor e embalagem?

A embalagem faz parte do cotidiano das pessoas, e elas existem para conter os alimentos, que são perecíveis. Temos que levar em consideração o fato de que a embalagem não é o produto. O produto é o conteúdo. O consumidor, no entanto, vê a embalagem como o produto – pense na maisena e na Coca Cola, por exemplo. Você logo imagina a caixinha amarela e a garrafinha característica. Faça um filme da sua vida diária e pense em quantos produtos são usados no seu dia-a-dia, desde a sua higiene pessoal matinal até o fim do dia. O contato e a intimidade que a embalagem permite são próximos demais do consumidor. Depois do celular, que é o objeto mais próximo do ser humano civilizado, a embalagem é o item que está mais próximo de nós.