Manoel Muller

Por Editor DesignBrasil

“Nosso foco é ampliar o valor percebido pelos clientes sobre os serviços oferecidos pela empresas de design”

Organizar as empresas de design. Este é o objetivo da Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign). Criada no dia 28 de fevereiro de 2005 por um grupo de 30 escritórios, a associação tem como meta aumentar a percepção de valor percebido pelos clientes sobre os serviços oferecidos pela empresas de design.

Para isso afirma o presidente da Abedesign, Manoel Müller, em entrevista exclusiva ao DesignBrasil a instituição pretende seguir duas linhas de ação: conhecer o mercado nacional do segmento e conseguir uma maior inserção internacional para o design brasileiro.

Administrador de empresas pela FGV de São Paulo, Manoel Muller é sócio diretor da Müller Camacho Design e Comunicação. O escritório te mais de 15 anos de atuação e atende a grandes empresas clientes como Votorantim, Sadia, Bayer, Coca Cola, 3M, Café Pelé, Braskem, entre outras.
Müller foi diretor fundador do Comitê de Design da ABRE, co-autor do relatório “Brasil Pack Trends” e autor de estudos como “A Estética do Marketing através da Embalagem” e “O Mercado Brasileiro do Design de Embalagem”.

Confira aqui a entrevista que o presidente da Abedesign concedeu ao DesignBrasil, por e-mail, em dezembro de 2005.

 

DesignBrasil: O design brasileiro já contava com duas entidades representativas de abrangência nacional, a ADG e a ADP. Por que e para que foi criada a Abedesign?

Manoel Müller: A Abedesign foi criada para apoiar e promover o mercado das empresas de design, ou seja, pessoas jurídicas com equipes multidisciplinares com todas as responsabilidades empresariais.

 

DesignBrasil: A Abedesign surgiu em 2005. Qual o balanço deste primeiro ano de atividades?

Manoel Müller: A Abedesign tem atendido seus associados através de palestras, encontros, troca de idéias e sugestões sobre questões como direitos da propriedade intelectual, impostos, valores de mercado, marketing, treinamento de pessoal, etc. Sempre do ponto de vista da empresa.

 

DesignBrasil: Existe algum critério para aceitar associados? Quantos escritórios já estão associados? A maioria dos associados é de São Paulo ou já há uma capilaridade no quadro social pelos demais estados? Quais os serviços que a Abedesign oferece para seus associados?

Manoel Müller: Para ser associado da Abedesign a empresa precisa ser apresentada por pelo menos um já associado. Em seguida uma comissão específica referenda a participação do novo associado. Além de empresas de design participam como sócios colaboradores empresas correlatas com a atividade do design, instituições de ensino e órgãos representativos de outros setores industriais ou comerciais. Hoje temos cerca de 40 empresas associadas, com concentração em São Paulo, mas já contamos com associados do Rio, de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Pará. O principal serviço oferecido pela Abedesign é a representação institucional junto ao governo, empresas e instituições. Através desta representação realizamos convênios com a Fiesp, com o CIEE, com o MDIC, abrangendo aspectos empresariais importantes como pesquisa de mercado, treinamento de jovens designers e exportação de serviços de design. Temos também o Banco de Proteção Autoral, um mecanismo rápido e de baixo custo para proteção intelectual dos trabalhos realizados pelos associados realizados. Neste primeiro ano de atividade realizamos vários encontros e workshops com associados, sempre para discussão dos assuntos pertinentes à atividade empresarial do design.

 

DesignBrasil: De que modo a Abedesign pretende promover a organização do mercado de design?

Manoel Müller: Para a Abedesign, organizar o mercado significa organizar as empresas de design. Entendemos que é fundamental o aparelhamento das empresas de design no que tange ao seu modelo de negócio, contratos, direitos autorais, capital de giro, equipamentos, recursos humanos.

 

DesignBrasil: Qual será o foco da associação em 2006?

Manoel Müller: Em 2006 o foco definido pelos associados é ampliar o valor percebido pelos clientes sobre os serviços oferecidos pela empresas de design.

 

DesignBrasil: De que forma a Abedesign pretende atuar para aumentar essa percepção de valor?

Manoel Müller: A estratégia da Abedesign para aumentar a percepção de valor dos serviços de design, que é inclusive nosso foco de atuação para 2006, passa por dois aspectos fundamentais, que já estão sendo trabalhados. São eles: 1) conhecer profundamente o atual mercado de serviços de design, quanto se investe, quem investe, como investe, resultados obtidos e assim por diante; e, 2) adquirir inserção internacional para o design brasileiro.

 

DesignBrasil: Quais as principais dificuldades, hoje, de se manter uma empresa formal de design?

Manoel Müller: Procurando refletir as opiniões de nossos associados, eu diria que as principais dificuldades de uma empresa de design estão no modelo de negócio “job a job” e o financiamento do capital de giro. Há questões como uma melhor classificação jurídica da atividade e uma melhor ordenação tributária. Mas o ponto central é de fato o fluxo da demanda por serviços de design. Precisamos de mais clientes. Muito mais.

 

DesignBrasil: O Brasil tem registrado nos últimos anos um boom do design, em que se percebe uma conjunção de investimentos em políticas públicas de incentivo do design, o surgimento de diversos concursos e faculdades de design, o reconhecimento do design nacional em prêmios internacionais, e até uma atenção maior da grande imprensa ao tema. Esse cenário tem gerado um aumento do mercado e uma maior demanda por serviços de design?

Manoel Müller: Tudo o que se tem dito e falado sobre o design tem contribuído para ampliar o mercado. Mas o design ainda não é uma rubrica nos orçamentos das empresas clientes. O design não é tratado como uma ferramenta da gestão de negócios, mas sim como uma atividade necessária, porém ocasional. Acredito que é uma questão de amadurecimento das empresas brasileiras, maior inserção internacional da nossa economia e melhor distribuição de renda, que fortalece o mercado consumidor.

 

DesignBrasil: A criação de centros de design nas grandes empresas é uma ameaça ao mercado dos escritórios? Quais são as ameaças?

Manoel Müller: Não creio que são uma ameaça. É um desafio de mercado. É natural que uma empresa que se utilize muito do design venha a ter um departamento interno por acreditar que possa obter melhores custos. Por outro lado, os prestadores de serviços de design devem oferecer qualidade e custos competitivos para, ou completarem o departamento interno, ou substituírem o departamento interno. Enfim, é uma questão de custo e qualidade.

 

DesignBrasil: Um dos temas mais debatidos pelos designers em 2005 foi o projeto de lei 2.621/03, de autoria do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), que regulamenta o exercício profissional de desenhista industrial. Associações como a ADP, Apdesign e ADG defendem a aprovação do projeto. A Abedesign já tem uma posição oficial sobre o assunto? Qual e por quê?

Manoel Müller: A Abedesign não formatou uma opinião “oficial” sobre o assunto. Estamos em contato com o deputado Eduardo Paes para conhecer certos detalhes do projeto para depois discuti-lo em assembléia, prevista para fevereiro próximo. A Abedesign quer chegar a uma avaliação própria, empresarial e menos apaixonada sobre o tema.

 

DesignBrasil: Sua formação é de administrador de empresas. Que caminhos levaram sua carreira para a atuação no design?

Manoel Müller: Foram os caminhos da embalagem. Comecei minha carreira em uma empresa fabricante de embalagens e me encantei com o seu significado e importância para o mercado. Após participar de vários projetos de criação e desenvolvimento, trabalhei com Lincoln Seragini e descobri o valor de design. Em 1990 abri meu próprio escritório e não parei mais.

 

DesignBrasil: O senhor foi diretor fundador do Comitê de Design da ABRE. Nessa cadeia produtiva, como se deu a evolução da percepção de valor de investimento em design?

Manoel Müller: A área de embalagem é uma das mais importantes para o design. Este setor, considerando a indústria de produtos de consumo e os fabricantes de embalagem, evoluiu muito nos últimos 10 anos. Temos premiações internacionais conquistadas em conjunto com a indústria e de certa forma o Comitê de Design é um reflexo desta sintonia entre a indústria e o design na área de embalagem. Tem coisas para melhorar? Sim. Sempre terá, mas avançamos muito.

 

DesignBrasil: Em 15 anos de experiência no escritório Müller Camacho Design e Comunicação, qual o projeto do qual o senhor tem mais orgulhou de ter desenvolvido? Por quê? Houve algum projeto mal sucedido? E que aprendizado a empresa tirou dele?

Manoel Müller: Temos muito orgulho de muitos projetos. A embalagem do Café Pelé, da Água Crystal, do papel Copimax entre outros que não são marcas famosas, mas que foram significativos para nossa história. Sim, é claro que tivemos projetos mal sucedidos. E foram muito importantes para nós, pois nos ensinaram a encarar os problemas com mais humildade e determinação.

 

DesignBrasil: Muitos designers no país ainda atuam como autônomos. Apesar de toda as dificuldades burocráticas e fiscais existentes no país para a abertura de uma empresa, o senhor recomenda a via da formalidade? Por quê?

Manoel Müller: Sem dúvida que precisamos respeitar as instituições. Se elas não são boas, devemos mudá-las, pois para crescer o mercado precisa de boas regras que sejam respeitadas por todos.

 

DesignBrasil: Para os escritórios de design, qual seria um cenário otimista e realista para 2010 no Brasil?

Manoel Müller: Colocar o Brasil como um dos bambambam do design mundial!!!

* Contatos com a Abedesign: (11) 3891-0000 Email: [email protected]