Marcelo Rosenbaum e sua experiência como jurado do iF Design Award 2015

Por Editor DesignBrasil

Por Marcelo Rosenbaum

É impressionante imaginar que o iF é uma instituição que nasceu em 1953 já com a visão de que o design era uma disciplina que articulava e agregava valor para a indústria. Enquanto que, no Brasil o design até hoje ainda é visto como um “estilo”. Relatar a seriedade e magnitude do evento de premiação do iF é um tema a parte. As proporções da premiação são espantosas. Entre produtos que iam de um simples eletrodoméstico a um trator, vi um sistema muito organizado e sério, estruturado sobre a premissa: o design tem valor para o mercado. O que comprova a visão e o porquê o iF se consolidou não apenas como um dos maiores prêmios de design do mundo, mas também como um dos de maior credibilidade.

Posso dizer que o grande aprendizado que trouxe na mala da experiência de jurado do iF Design Award foi enxergar dentro desse grande panorama do design mundial o seguinte: ainda há muitas oportunidades para o design.

Como o prêmio abrange diferentes nacionalidades, estar em Hamburgo na Alemanha com aquela infinidade de produtos, foi como estar em um só lugar e em um só momento diante da fotografia atual de toda a indústria mundial. Mas nessa fotografia, nem todo design estava na indústria. A funcionalidade e a relação com a estética têm preferência nos projetos de design que vi. Um aspecto predominante nas peças da categoria de Cozinhas que julguei. Naquele mar de oportunidades da indústria, faltaram consciência e visão de futuro. Pensar que nos dias de hoje o design oferece apenas a relação entre esses dois aspectos, forma e função, indústria e mercado,  é um desperdício de oportunidades.

Rosenbaum em ação no júri do prêmio

Rosenbaum em ação no júri do prêmio

Acreditei que o intuito de me incluir no júri já tinha a intenção por parte do iF, de provocar um outro tipo de olhar. Um olhar que estende a relação do design para além da forma e função, e que dialoga com o ser humano e seus sentimentos na essencialidade. Expressas em oportunidades de usar o design que relaciona além da forma e função, necessidades de pensar no projeto com eficiência de recursos, pensamento sistêmico sobre impactos no meio e no momento em que vivemos enquanto comunidade global e, também nas necessidades de inclusão das riquezas intrínsecas às raízes culturais presentes e às vezes tão esquecidas, em todos os lugares do mundo.

Tive convicção sobre esse ponto de vista. Com meus colegas de júri, escolhemos produtos com inteligência funcional e sensibilidade humana. Vetamos produtos com excessos de genialidades tecnológicas e de estética sem funcionalidade. Nossas discussões foram acaloradas, mas nunca perdemos o conceito do nosso pensamento e o bom humor.

 

Foto de capa: André Brandão

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