MCBW 2013: a Bauhaus vista da nossa praia

Por Editor DesignBrasil

 

Mario Mioso, Guto Indio da Costa, Filomena Padron, Juliana Buso e Ronald Kapaz

 

Uma vez mais tive a oportunidade de visitar Munique e enfrentar o frio europeu para ver o que se premia na terra do planejamento, eficiência,  economia e execução.

Da primeira vez, o contato foi pontual, no evento de premiação do iF Design Award – já inserido como parte da primeira edição da Munich Creative Business Week 2012 – e  onde estive na condição de feliz premiado.

Desta vez, um ano depois, decidi voltar incentivado pelas queridas amigas do Centro Brasil Design para acompanhar a Delegação Brasileira que se mobilizou para interagir mais ativamente com o evento, com os profissionais locais e com a cultura alemã como um todo.

Éramos poucos, conseguimos atender a poucos dos muitos eventos programados, em parte porque eram poucos os em inglês ou que contavam com tradução para o inglês, uma lacuna a ser solucionada pelos eficientes organizadores, se quiserem de fato transformar o evento num encontro internacional. Ainda assim, retorno com a lembrança feliz de alguns encontros marcantes que me fizeram pensar o Brasil, pensar o Design e pensar minha formação profissional.

A mais marcante, que merece destaque, foi a possibilidade de interagir diretamente e visitar colegas em seus mundos, em seus ambientes de trabalho e poder trocar histórias do campo de batalha, dilemas comuns, descobertas, visões de mundo e cultura.

Percebi ali, olhando de dentro e de perto, o valor que o planejamento, a executabilidade, a economia, a inteligência, a síntese e o respeito aos recursos naturais têm no jeito alemão de pensar e praticar o design. A Bauhaus, por toda sua força de conteúdo e forma, continua a inspirar e balizar o jeito alemão de ver o mundo. Não por acaso eles fazem grandes máquinas, grandes carros, máquinas de performance e eficiência. “Os latinos se encantam com a beleza da forma e se esquecem de considerar a viabilidade de execução e se a coisa ficará de pé” ouvimos de quem ainda assim prefere trabalhar com latinos e seus (des)temperos, mas balanceados pelo jeito objetivo, pragmático e germânico de gestão e planejamento.

Volto com a sensação boa de que aprendi a ver um pouco melhor o copo cheio deles – bom design é aquele que pensa o todo do problema, que desenha o negócio como um todo e não o produto, de forma pragmática e estruturada – e o copo cheio nosso – a capacidade de se entregar de forma lúdica, jovial, exploratória, sensorial e sensível ao enfrentamento do problema – nosso tempero latino, que ganharia muito se pudéssemos combiná-lo com uma pitada de Bauhaus. É bom ver de perto a matriz estética que inspirou e orientou minha formação de arquiteto na FAUUSP, a formação de quem deve pensar “o garfo e a cidade” com o mesmo respeito e reverência.

O copo vazio, vamos completando com o tempo, que nos desenha a todos.

 

Ronald Kapaz, Sócio fundador e Diretor de Estratégia e Design da Oz Estratégia+Design

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