Movimento Brasil criativo, já!

Por Lincoln Seragini

A DESCOBERTA

Poucos assuntos nos últimos anos mostrou ser tão fascinante, instigante e relevante como Economia Criativa.

Desde que ouvi pela primeira vez a expressão através do livro “The Creative Economy” de John Howkins publicado em 2001 e logo depois em 2002 pelo “The Rise of Creative Class” de Richard Florida, fiquei ligado para sempre ao assunto.

Inicialmente o meu interesse era apenas pelo Design, tanto como um dos setores da Economia Criativa em si como posteriormente pelo Design Thinking, disciplina que também estava em ascensão na mesma época, por oferecer um novo modelo de solução de problemas e gestão da Inovação. Em 2006 participei da organização do primeiro curso de Pós-graduação em Gestão Criativa de Negócios na Faculdade Rio Branco de São Paulo inspirado pela filosofia do Design Thinking.

Na sequência descobri outro tema também fascinante que está no coração da Economia Criativa:

Cidades Criativas, que constitui de fato o maior potencial a ser desenvolvido no País, simplesmente porque é onde as pessoas vivem e é o cenário onde os grandes talentos se encontram. Em 2006 fui convidado para integrar o conselho do Instituto da Economia Criativa, fundado pelo querido Adolfo Melito, que foi um dos pioneiros institucionais do tema no Brasil. Hoje Melito é também Presidente do Conselho de Criatividade e Inovação da Fecomercio/SP, onde tenho a honra de ser membro. Melito, através de seu Instituto, realizou em 2007 o I Fórum Internacional de Criatividade e Inovação em São Paulo, com a ilustre presença de Richard Florida. Nesse Fórum apresentei a conferência “O Design na Era da Economia Criativa”.

Neste artigo, porém, mais do que falar do histórico, o meu interesse é propor uma aceleração da adoção das práticas da Economia e das Cidades Criativas no Brasil.

RELEVÂNCIA E URGÊNCIA

Mesmo sabendo que as novas técnicas levam tempo para se disseminarem, penso que o Brasil vacilou em adotar inteligentemente há mais tempo essas disciplinas. A realidade econômica atual exige novas oportunidades de desenvolvimento e criação de emprego agravado pelo processo de desindustrialização que se observa no mundo, provocado muito pela atuação atual da China e mais futuramente pela Índia.

O meu objetivo é propor uma forma de tentar tirar o atraso e acelerar o processo, principalmente por saber das estimativas internacionais que demonstram que a Economia Criativa se encontra entre os setores emergentes mais dinâmicos do comércio mundial e que a previsão até 2016 é de que 40% dos novos empregos virão dessa área.

Fomentar a Economia Criativa significa acelerar o processo de desenvolvimento e reduzir as diferenças entre as varias regiões do País. É o desenvolvimento de todos os cidadãos, tanto na dimensão social como na profissional. Quando falo do atraso é porque o conceito existe desde 1994 (há portanto quase 20 anos) nascido na Austrália que é considerada a “founding father” da Economia Criativa quando lançou o programa CREATIVE NATION, fato que influenciou na sequência o Reino Unido através do New Labor, o novo Partido Trabalhista Inglês que em seu Manifesto pré-eleitoral de 1997, identificou as INDÚSTRIAS CRIATIVAS como um setor particular da economia e a reconhecer a necessidade de políticas públicas específicas que potencializassem o seu expressivo ritmo de crescimento. A experiência inglesa foi a que mais influenciou o mundo, tanto na Economia como nas Cidades Criativas.

Segundo a UNCTAD (2010) as atividades da Economia Criativa se encontram no cruzamento das Artes x Cultura x Negócios e Tecnologia, isto é, atividades que compreendem o ciclo de criação, produção e distribuição de bens e serviços que utilizam o Capital Intelectual como seu ponto de partida. Sabemos que esse é o maior capital brasileiro. O que precisamos é formar especialistas e líderes gestores em Economia Criativa e simultaneamente organizar o esforço e a ajudar as pessoas a serem mais produtivas, com suporte de gestão e recursos para viabilizar entre outros o empreendedorismo criativo. A criatividade e o talento humano, mais do que potencial, estão se convertendo em poderoso instrumento de criação de riqueza. Na Economia Criativa a força motriz é a criatividade liderada pelo conhecimento e hoje respaldada pelo compartilhamento e redes sociais.

A UNESCO desenvolveu um Rede de Cidades Criativas com o propósito de permitir o intercâmbio entre as cidades que fazem parte desse grupo. Atenção especial foi dada às iniciativas relacionadas ao estímulo aos pequenos negócios e a produção do talento das pessoas, como forma de transformar a economia tradicional.

Mesmo sabendo que o Brasil deverá desenvolver seus próprios modelos dos programas de Economia e Cidades Criativas, o conhecimento disponível acumulado mundialmente é enorme e devemos aproveitá-los o mais rapidamente possível. Não precisamos reinventar a roda. Historicamente esse fenômeno valeu para conceitos que não foram desenvolvidos aqui, como o Marketing, Business Management, Franchising, Merchandising, Branding, Design e Design Thinking e tantos outros. Já que não inventamos, vamos aprender e implantar rápido para tirar proveito desses conhecimentos fundamentais para o nosso desenvolvimento e para não perder a competitividade internacional.

Apesar de tardias, muitas atividades positivas estão acontecendo no Brasil. O fato mais relevante ocorreu no ano passado com o lançamento da Secretaria da Economia Criativa do MinC, cuja secretária Claudia Leitão além do excelente curriculum, tem a visão apropriada e a paixão pelo tema, ajudando com sua liderança a disseminar por toda parte a atividade.

Institucionalmente, desde 2008 a FIRJAN tem realizado as melhores pesquisas para dimensionar e qualificar a atividade.

O importante Sistema S ( SEBRAE, SENAI e SENAC ) tem desenvolvido estudos e realizado eventos e publicações para promover a atividade. Muitas Secretarias de Cultura Estaduais tem desenvolvido atividades e programas relativos ao tema amparados pelo SNC (Sistema Nacional de Cultura) direcionado aos municípios signatários. Os Secretários de Cultura dos Estados fundaram a FNEC (Federação Nacional da Economia Criativa) em 2011.

Profissionais como Ana Carla Fonseca, a nossa maior expoente, é hoje quem mais contribui para desenvolvimento da Economia e especialmente Cidades Criativas, onde além de ser Doutora pela FAU nessa especialidade, publicou livros e atua como consultora, professora e conferencista internacional. Sua empresa Garimpo de Soluções organizou juntamente com o Santander, o projeto Criaticidades.

Duas outras mulheres também merecem ser citadas por suas contribuições pioneiras: Lala Deheinzelin e Lídia Goldenstein.

PROPOSTA

Por tudo que escrevi, justamente por evidenciar a importância e urgência do tema, proponho que seja orquestrado entre várias lideranças brasileiras, o lançamento do:

MOVIMENTO BRASIL CRIATIVO

Gostaria de citar como exemplo o muito bem sucedido MOVIMENTO BRASIL COMPETITIVO, liderado pelo empresário Jorge Gerdau, que mudou o padrão da qualidade e produtividade brasileiras. Podemos fazer o mesmo com a Economia Criativa!

Para o bem geral da nação temos que encontrar formas de andar mais rápido, pulando fases se necessário, acreditando que nas áreas criativas estão as melhores oportunidades para o país crescer com maior velocidade produtiva. Afinal, a alma brasileira é mais artística do que científica.

1 Comentário

  1. Laércio e Henrique disse:

    FYI, veja a data.