Novos Materiais para o Velho Design

Por Editor DesignBrasil

Nesses tempos de crise econômica a velha estratégia de relançar produtos substituindo materiais e cores é mais uma vez explorada por fabricantes de móveis no mundo todo. Descobrir matérias-primas e acabamentos mais sustentáveis e/ou econômicos tem sido um grande desafio para cientistas, pesquisadores designers que vêm mudando o foco de sua atividade para o início da cadeia produtiva. A famosa Panton’s Chair é um bom exemplo de como a substituição da matéria-prima pode garantir a longevidade de um produto. Considerada um dos ícones do design dos anos 1960, a peça era fabricada inicialmente a partir de um molde único, em fibra de vidro. Como ao longo de 40 anos a tecnologia foi se aprimorando e os processos e materiais utilizados na fabricação da Panton’s Chair também foram mudando. Da pioneira fibra de vidro passou a ser fabricada em poliuretano, depois poliestireno e finalmente chegou à quarta e atual versão em polipropileno, sem nunca ter alterada a forma original que ainda desafia a gravidade e o futuro dos materiais. Minha experiência com novos materiais começou na década de 1980, quando busquei madeiras alternativas para aplicações diversas. Depois foi a vez de testar o aglomerado de casca de arroz e bagaço de cana, buscar soluções para produzir o MDF Perfurado e, mais recentemente, avaliar a madeira de seringueira na produção de móveis. Algumas iniciativas prosperaram, outras se mostraram inviáveis, mas sempre acreditei na experimentação e na busca de alternativas de exploração do material como meio de concretizar idéias. O tema Materiais sempre sugere a necessidade de pensar o design a partir de novas diretrizes de produção e consumo decorrentes do desenvolvimento tecnológico e dos processos produtivos. E cada vez mais as novas possibilidades técnicas e estéticas dos materiais devem estar alinhadas com a premissa do desenvolvimento sustentável. A apropriação das características particulares de cada material pode representar ainda uma importante possibilidade de inovação e construção da identidade do projeto e da empresa. Caso clássico de exploração da matéria para construção da identidade corporativa é a italiana Kartell, cuja trajetória é marcada pelo esforço de elevar o plástico ao nível das mais nobres matérias primas. Na cadeia moveleira as pesquisas para desenvolvimento de novos materiais estão quase sempre ligadas à indústria de painéis e acabamentos. Em outros setores industriais, porém, esse desenvolvimento parte de soluções científicas como a nanotecnolgia. Para se ter uma idéia, as nanopartículas estão presentes em tecidos coloridos sem tinturas e dipositivos emissores de luz. Na forma de filmes compostos, nanorevestimentos finos de alumínio, ou óxido de alumínio, as nanopartículas protegem salgadinhos ou chocolate contra oxigênio e vapor de água. Elas também são utilizadas em garrafas PET para melhorar as propriedades de barreira contra oxigênio. A mais recente edição do IDEA premiou o estúdio americano IDEO pelo produto I Miss My Pencil – um livro que reune 12 experiâncias de design desenvolvidas por designers de produto e cientistas. Os materiais são o ponto de partida dessa experiência e cada objeto têm uma história para contar, como o Trademark, que explora uma potencial combinação entre artesanato chinês e alta tecnologia de design. Para os interessados no tema estes links são indispensáveis: Material ConneXion® – o maior centro mundial de documentação e pesquisa de novos materiais com sedes em New York, Bangkok, Koln, Milano e Daegu (Korea). Conteúdo disponível através de assinatura. http://www.materialconnexion.com/ Matech – Centro de pesquisa sobre novos materiais do Parque Científico e Tecnológico Galileo di Padova. Conteúdo gratuito. http://www.matech.it/ Portal do jornal Business Week – Inovação http://www.businessweek.com/innovate/ SILVIA GRILLI Formada em Desenho Industrial com especialização em Design de Interiores na Scuola Lorenzo de Médici (Florença). Designer titular da Studesign Projetos com grande vivência no Design de Produtos, atende empresas de destaque no setor moveleiro. Iniciou sua carreira na Arredamento, Vogue e Forma Design, e após um período de estágios e trabalhos na Itália fundou seu próprio estúdio em SP. Docente dos cursos de Design de Interiores e pós-graduação em Movelaria do SENAC-SP. Seu trabalho premiado foi classificado como contemporâneo light, sempre combinando recursos clássicos com novos materiais. Em seu portifólio constam projetos como a EcoLeo e coleções de móveis para as principais lojas de design do Brasil. Leia mais no http://estudesign.blogspot.com