O Centro Português de Design

Por Editor DesignBrasil

O Centro Português de Design

A coluna deste mês é uma entrevista que realizei em maio de 2005 com Maria José Nogueira, coordenadora de Empresas e Parcerias do Centro Português de Design (CPD), instituição que vem demonstrando efetiva atuação na promoção do Design em Portugal.

As atividades do CPD junto às empresas do país têm sido marcadas por projetos como o Observatório do Design e o programa de inserção de jovem designers nas empresas portuguesas. Nesta entrevista, Maria José Nogueira explica tais atividades e alguns aspectos da estrutura desta organização.

Atualmente o CPD opera com um total de 18 pessoas (cinco na área administrativa) divididas em quatro áreas de coordenação: Formação, Promoção e Comunicação, Apoio à Prática, e Empresas e Parcerias. As equipes são multidisciplinares e formadas por licenciados em sociologia, história da arte, gestão, design.

Formada em engenharia química, Maria José conta que foi sua experiência profissional junto à indústria portuguesa que a levou a trabalhar no Centro Português, em particular a experiência em atividades em que teria de detectar características e fatores críticos para o desenvolvimento de produtos (e de estratégias) aspectos que, segundo ela, são essenciais para quem tem que fazer a intermediação entre a procura (empresas) e a oferta (designers e escritórios de design).

Confira a entrevista:

O Centro Português Design está completando 20 anos de atividades. Você pode nos dar uma idéia breve de como o CPD evoluiu ao longo deste período?

O Centro Português Design foi criado em 1985, por iniciativa do Ministério da Indústria, com a missão de promover o design em geral e em particular o design industrial junto das empresas portuguesas. No entanto só em 1989 é que arrancou efetivamente as suas atividades. Esta missão tem vindo a manter-se, ainda que com uma evolução natural, decorrente de ter passado para a tutela do Ministério da Economia, de se direcionar genericamente para o tecido econômico e não só para as empresas industriais.

Como é a ligação do CPD com o Governo de Portugal?

Desde alguns anos que o Centro Português Design não tem relacionamento direto com o Governo Português, mas somente indireto através dos seus associados públicos. Não é claro o papel que governo atribui ao design como fator de inovação e de sucesso empresarial e econômico, ao contrário do que acontece na grande maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

De acordo com o que você me explicou, o CPD constitui-se como empresa privada, sem fins lucrativos, e mantida principalmente por parcerias com instituições públicas e associações da área industrial e cultural. Estas parcerias são a alternativa para compensar a falta de apoio financeiro do governo?

De fato estas iniciativas podem constituir uma alternativa para compensar aquela falta, apesar de não ser essa a nossa intenção mas sim a de desenvolvermos estas parcerias com o objetivo de promover e aumentar o recurso ao design como fator de competitividade e de transferirmos para as entidades envolvidas competências nos domínios do design e da gestão do design.

Em que consiste o programa de inserção de jovens designers em empresas?

O programa consiste na colocação de jovens designers a estagiarem durante um ano em empresas, com base numa formação em contexto de trabalho, que conta também com o apoio de um conjunto de tutores que se deslocam uma vez por mês às empresas a fim de acompanharem a evolução dos trabalhos desenvolvidos pelos jovens.

Este programa já completa 12 anos em operação – uma vida bastante longa comparada a programas de design em geral. A que você atribui este sucesso?

Considero como fator crucial para o sucesso deste programa o fato de, em simultâneo, permitir aos jovens designers a integração na realidade das empresas, e às empresas poderem beneficiar a custo insignificante de um designer a tempo inteiro e assim poderem ter uma melhor percepção das vantagens do recurso ao design como fator de competitividade.

A conexão de designers e indústria deveria ser natural mas no entanto, costuma ser vista como uma ligação difícil. Como isso acontece em Portugal? Você destacaria alguma importante barreira a ser superada?

Certamente a percepção da dimensão e abrangência do design e do seu contributo para o sucesso empresarial. É um processo de mudança de atitudes e de mentalidades que não se faz de um momento para o outro, em particular se pensarmos que Portugal apresenta no contexto europeu um atraso significativo na qualificação dos seus recursos humanos. Se uma parte muito significativa dos empresários deste país (cerca de 80%) têm menos do 9.º ano de escolaridade obrigatória, como poderão eles ter conhecimentos e conceitos consolidados nos diversos domínios da gestão estratégica e do design como fator de competitividade?

Neste contexto, o CPD vem também seguindo a tendência dos Centros de Design para se tornarem centros de conhecimento e informação? Como o CPD atua na área de pesquisa em design?

O Centro Português Design procura estar sempre na vanguarda do conhecimento e da antecipação de tendências de evolução nos diferentes domínios de design. Para o efeito realizamos estudos prospectivos, participamos em projetos de cooperação nacionais e transnacionais, realizamos fóruns, seminários e colóquios e mantemos o mais atualizada possível uma Biblioteca de Design. Além disso um Gabinete de Apoio à Propriedade Industrial também é mantido pelo CPD, e procuramos manter contato direto com o maior número possível de empresas e de entidades a fim de detectarmos e/ou anteciparmos novas necessidades ou necessidades mal resolvidas. Em resumo, procuramos ter uma atitude pró-ativa em relação à sociedade em geral.

O que é o Observatório do Design?

O Observatório é uma estrutura de caráter intangível no Centro Português Design onde se encontram concentrados os conhecimentos e competências que citei. Brevemente esta estrutura será alvo de uma reestruturação e de um relançamento de atividades.

O que você considera a maior contribuição do CDP para Portugal?

Eu considero que a contribuição do CPD para Portugal se tem feito sentir ao nível da sociedade, através dos inúmeros projetos de promoção e de divulgação do design; ao nível do desenvolvimento das indústrias e dos serviços, através das ações e projetos de apoio e de intervenção direta; ao nível do apoio à prática através de atividades de divulgação, concursos e apoio aos profissionais das diferentes áreas; e também no domínio da educação através de ações de curta e de média/longa duração (estágios ou cursos de especialização).

Mais informações sobre o Centro Português Design: www.cpd.pt.

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