O design além do fetiche – Giovanni Vannucchi fala sobre a mostra BID 8|10|12

Por Centro Brasil Design

Texto e entrevista por Julliana Bauer

 

Mostrar o design além do fetiche. Para Giovanni Vannucchi, essa é uma das maiores contribuições da mostra BID 8|10|12, que está no Museu da Casa Brasileira desde o dia 06 de abril e mostra o que houve de mais representativo nas três edições da Bienal Ibero-Americana de Design, que acontece em Madri a cada dois anos.

O designer, que é sócio diretor da Oz Design e um dos fundadores da ADG Brasil, é também, ao lado de Ruth Klotzel, representante brasileiro do Conselho Consultivo da Bienal Iberoamericana de Diseño. Giovanni e Ruth são também os responsáveis pela curadoria da BID 8|10|12, que em sua noite de abertura, levou 500 pessoas ao Museu da Casa Brasileira.

Confira a entrevista com Giovanni:

 

Como surgiu a oportunidade de ser representante do Brasil na BID?

A Bienal Ibero-Americana de Design não é apenas uma mostra, é um movimento. Começou em 2007, quando profissionais ligados ao design fizeram um manifesto pelo design ibero-americano e, na sequência, foram nomeados representantes de cada país – para isso, há o crivo de um júri internacional. Eu e a Ruth Klotzel fomos os escolhidos para representar o Brasil.

O que o público deve saber sobre a mostra antes de visitá-la?

A grande riqueza é mostrar design de países desconhecidos geográfica, cultural e politicamente. Algumas pessoas não sabem que se faz design nos países vizinhos, até porque o conhecimento ao qual temos acesso sobre eles, de forma geral, não é muito amplo. O design está relacionado com o desenvolvimento industrial de cada país, então colocamos informações também sobre PIB, economia, cultura e população de cada um deles – para que os visitantes possam entender o design de cada país dentro de um contexto.

O que foi levado em consideração para a curadoria?

Normalmente após a realização de uma Bienal, alguns dos países participantes pedem para exibir uma mostra do que foi exibido naquele ano, especificamente. Eu e a Ruth fizemos diferente, preferimos selecionar o melhor das três já realizadas, tentamos ampliar esse conceito. Quisemos fazer uma retrospectiva em uma só mostra. Pensamos também em fazer categorias que iam além das que existem na própria bienal – design gráfico, de produto, e cruzamos os elementos que apareciam nos mesmos eixos, além de priorizar por uma conexão com cada designer. Tentamos também reunir trabalhos que resgatam a cultura, os valores e ícones de cada país. Sustentabilidade e reaproveitamento de materiais foram qualidades pelas quais priorizamos também.

Você tem favoritos na mostra?

Eu não diria que tenho favoritos, mas tem muitos trabalhos interessantes e que desmitificam alguns clichês sobre o design. Tem, por exemplo, uma peça de plástico feita no Chile que é utilizada para aumentar a durabilidade da uva. A uva é a matriz econômica do Chile, e esse é um bom exemplo de uma peça simples que mostra que o design não é uma questão formal, que pode ser inteligente e vinculado à economia do país. O público deve visitar a mostra com esse olhar.