O mercado quer novidade, não preço

Por Editor DesignBrasil

O mercado quer novidade, não preço

Vim aqui em busca de novidade e só me ofereceram desconto. A reclamação é de um grande lojista paulistano que encontrei durante a Abimad, feira de decoração que aconteceu em São Paulo, de 21 a 24 de fevereiro.

Embora eu seja uma otimista e sempre defenda que o setor está caminhando para frente no que se refere a design, sou obrigada a reconhecer que este lojista estava coberto de razões.

Na Abimad pude ver muitas repetições do mesmo tema e reedições de clássicos, mas novidade mesmo só em alguns estandes. Assim como este lojista, eu também esperava mais dos participantes do evento, especialmente por se tratar de uma feira de decoração.

Na Movelpar, realizada no mesmo período e voltada ao segmento médio e popular, não foi diferente: pouca inovação e muita cópia. Felizmente o Prêmio de Design Movelpar, simultâneo à feira, conseguiu reunir alguns bons projetos e salvar a honra do evento no quesito inovação.

Apenas na segunda edição, o prêmio recebeu um número expressivo de inscrições – 130 projetos – vindos das mais diferentes regiões do País. Além do volume e da representatividade nacional, o prêmio evidenciou a preocupação crescente com o desenvolvimento de peças com características regionais, com olhar voltado mais para nossas raízes do que para as tendências internacionais. É o design brasileiro querendo sair da casca.

E o mais interessante é que, de acordo com o coordenador do concurso, Fábio Luís Perusso, cerca de 30% dos participantes tem ligação com as indústrias moveleiras, e do restante, a maioria já desenvolve trabalhos para o segmento.

O júri, do qual fiz parte, concedeu o 1º prêmio ao Rack 50s, do designer acreano Luiz do Valle, exatamente por este representar inovação dentro do segmento de racks, onde tudo é rigorosamente muito parecido. Além disso, a peça cumpre os requisitos exigidos, como inovação, funcionalidade, viabilidade industrial e comercial e proposta estética.

Os produtos classificados em segundo e terceiro lugares, também cumprem as exigências e já fazem parte da linha de produção de importantes indústrias moveleiras. O segundo colocado estação Battus, de Dari Beck está sendo produzido pela Flexiv, de Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba; e o terceiro – Dormitório Carisma, de Mara Guedes e Antonio Franco -, pela paranaense Santos Andirá.

O fato de terem sido premiados dois projetos que já estão no catálogo das empresas, além de mostrar que são viáveis comercialmente, evidencia que algumas indústrias estão aceitando o trabalho profissional de design e saindo na frente dos concorrentes.

Porém, a julgar pela reclamação do citado lojista paulistano, ainda é pouco. Precisamos apressar o passo nesta lenta caminhada em busca de inovação.
 

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