O mito brasileiro na visão estrangeira

Por Editor DesignBrasil

O mito brasileiro na visão estrangeira

A alegria de viver do povo brasileiro deve ser explorada nos produtos. Afinal, é assim que os estrangeiros nos vêem e é o que querem em nossos produtos. Tomo emprestados os dizeres do professor e consultor em marketing internacional, Johann Wolfgang Schneider, um amigo alemão (o nome não deixa dúvida) que percebeu muito antes de nós, brasileiros, a importância das nossas características e potencialidades.

Schneider, que vive no Brasil há mais de uma década, destaca, em recente artigo, que os temas brasileiros que dominam o imaginário dos povos nórdicos, por exemplo, não são novidade pra ninguém: um país tropical cheio de praias afrodisíacas, carnaval, samba, natureza exuberante, diversidade cultural, etc.

No entanto, o potencial que estes mitos representam para o posicionamento estratégico no mercado internacional, principalmente nos setores que, como moda e decoração, lidam com o imaginário do público é, no mínimo, sub-aproveitado, afirma ele.

Não estou defendendo que devamos aceitar o estigma de ser apenas o país do carnaval e do futebol, afinal temos outras competências, inclusive no campo tecnológico. Porém, estas características não devem ser vistas como excludentes do argumento a favor do mito brasileiro. Ao contrário, as duas são facetas complementares no contexto maior da estratégia de marketing da Nação Brasileira.

No âmbito internacional, o Brasil precisa urgentemente trabalhar sua imagem institucional, afinal nunca se mostrou de forma pró-ativa, foi sempre o mundo que lhe atribui valores e (pré) conceitos.

Não apenas concordo com Schneider, mas digo mais: o próprio mercado interno espera por esta descoberta por parte das indústrias de mobiliário.

Chega de se espelhar no design italiano, de fazer as mesmas coisas. De ficar disputando mercado tendo como diferencial alguns centavos a menos no preço, gerado principalmente pelo empobrecimento do produto.

É hora de voltar o olhar para dentro, e não ficar apenas bebendo em fontes estrangeiras, buscando inspiração nas feiras européias. Afinal, como diz Schneider e tantos outros estrangeiros, temos uma diversidade fantástica de materiais, de cores, de cultura… e precisamos aprender a explorar isso comercialmente.

Felizmente, já é possível observar exemplos, ainda pontuais, de empresas e profissionais apostando no emprego da brasilidade em suas linhas de mobiliário. Ou mesmo adotando a regionalização como diferencial.

É bem verdade que alguns o fazem de forma quase infantil, afinal, como diz outro amigo, não é preciso pintar um Tuiuiú no móvel para identificá-lo como sendo do Mato Grosso, ou mesmo copiar o Pão-de-Açúcar em forma de poltrona, para identificá-lo como produto brasileiro. Essa associação, quanto mais subjetiva, mais eficiente…

Neste aspecto, vale se espelhar em outros setores, como a moda, que vem conquistando adeptos por imprimir no vestuário o estilo de vida brasileiro.

O Brazilian Style foi tema de reportagem da conceituada revista Newsweek, edição de 2 de agosto de 2004, quando destacava que o sabor da cultura brasileira está adoçando o mundo e que as pessoas não querem nossos produtos, buscam tornar-se brasileiras ao usar nossos produtos.

Tomando por base esse e outros exemplos, podemos concluir que está mais do que na hora de valorizarmos a brasilidade e tirar proveito do mito, ao invés de copiar estilos europeus que vêm demonstrando desgaste nos últimos tempos.

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