Os 10 Pontos-Chave para o Design de Embalagem  

Por Fabio Mestriner

 

1- Conhecer o Produto

A embalagem é expressão e atributo do conteúdo. Não podemos desenhá-la sem conhecer profundamente o produto. Assim, as características, a composição do produto,  seus diferenciais de qualidade e principais atributos, incluindo seu processo de fabricação, precisam ser compreendidos.
Uma visita à fábrica é necessária e recomendada. A história do produto, o material de divulgação, anúncios, pesquisas de embalagens antigas, tudo isso precisa ser levanta
Quanto mais e melhor conhecermos o produto, maior será a chance do nosso trabalho vir a ser verdadeira expressão de seu conteúdo. Sem isso, ocorre, e vemos com muita freqüência no mercado embalagens de fachada semelhantes às casinhas dos filmes de bangue-bangue.

2- Conhecer o Consumidor

Saber quem compra e utiliza o produto é fundamental para estabelecer um processo de comunicação efetiva por meio da embalagem.
As características desse consumidor, seus hábitos e atitudes em relação ao produto e principalmente à motivação que o leva a consumi-lo são um ponto-chave a ser conhecido pelo designer e os profissionais responsáveis pelo projeto que devem procurar compreender por que este consumidor compraria o produto.
O conhecimento do consumidor é tão importante que projetos de grande responsabilidade devem contar sempre com o apoio de pesquisas especializadas em avaliar a relação desse consumidor com a embalagem.

3- Conhecer o Mercado

O mercado onde o produto participa tem suas características próprias. Tem história, dimensões e perspectivas.
É um cenário concreto que precisa ser conhecido, estudado e analisado para que o design não seja um salto no escuro
O fabricante do produto deve fornecer as informações que dispuser sobre o mercado ou busca-la nas fontes de pesquisa para subsidiar o projeto de design.

4- Conhecer a Concorrência

Por melhor e mais bonito que seja o design, de nada ele adiantará ao produto se não conseguir enfrentar a concorrência no ponto-de-venda.
Conhecer in loco e as condições em que se dará a competição é fundamental para o design de embalagem.
Estudar o ponto-de-venda, cada um dos concorrentes, analisar a linguagem visual da categoria e compreendê-la são pontos-chave para a realização de projetos de sucesso.
O estudo de campo deve ser realizado com critério e dedicação pelo designer.

5- Conhecer Tecnicamente a Embalagem a Ser Desenhada

A linha de produção e de embalamento, a estrutura dos materiais utilizados, as técnicas de impressão e decoração, o fechamento e a abertura, os desenhos ou plantas técnicas da embalagem a ser desenhada precisam ser conhecidos meticulosamente. Tanto para se obter o máximo dos recursos disponíveis como para evitar erros que podem prejudicar o projeto.

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6- Conhecer os Objetivos Mercadológicos

Saber por que estamos desenhando uma embalagem e o que estamos buscando com o projeto é outro ponto-chave que precisa estar bem claro.
Os objetivos de marketing, a participação de mercado, o papel da embalagem no mix de comunicação e as diretrizes comerciais do produto precisam ser conhecidos para estabelecer os parâmetros que nortearão o projeto e deverão ser atendidos pelo design final apresentado.
É preciso ter uma meta a ser buscada para poder avaliar os resultados alcançados.

7- Ter uma Estratégia para o Design

Todos os itens anteriores uma vez compreendidos precisam ser organizados e transformados em uma diretriz de design com uma estratégia clara e consciente.
Antes de desenhar é preciso pensar.
A função da estratégia na metodologia é fazer com que as premissas básicas do projeto sejam equacionadas e indiquem uma direção a ser seguida no processo de design para responder aos projetos traçados.
Esse é o ponto central da nossa metodologia, pois de nada adianta todo o esforço empreendido no projeto se o resultado final não for competitivo.
Posicionar visualmente o produto de forma que se obtenha vantagem competitiva no ponto-de-venda é o melhor que um projeto de design de embalagem pode alcançar, e a estratégia de design deve sempre buscar este objetivo.

8- Desenhar de Forma Consciente

Para atender às premissas estabelecidas e os objetivos mercadológicas do projeto, é preciso que o trabalho de design seja realizado de forma consciente e metódica, e não baseado no impulso criativo.
A criatividade é necessária e desejável, mas precisa ser exercida em favor dos objetivos estratégicos do projeto.
O designer deve aproveitar cada oportunidade para evoluir, e por isso precisa empenhar-se de verdade em cada projeto buscando superar o que já fez no passado.
Cada projeto deve ser tratado com cuidado e dedicação para ser um ponto forte do produto que nos foi confiado.

9- Trabalhar Integrado com a Indústria

Conhecer a indústria que vai produzir a embalagem é uma das proposições básicas para o sucesso do projeto. Muitos problemas que normalmente ocorrem em projetos de embalagem são evitados com esta providência simples. Porém, o grande benefício do projeto integrado é a possibilidade de encontrar melhores soluções, pois por meio da indústria as novas tecnologias chegam aos designers.
O trabalho integrado do designer com a indústria permite à embalagem final se beneficiar da experiência e das melhores soluções tecnológicas em prol do cliente.

10- Fazer a Revisão Final do Projeto

Quando a embalagem final chegar ao mercado, o designer e o cliente devem fazer uma visita a campo para avaliar o resultado final e propor eventuais melhorias ou ajustes que possam ser incorporados às novas produções e reimpressões.
Só no ponto-de-venda, em condições reais de competição, é que podemos avaliar o resultado final alcançado. Ao fazermos isso, estaremos evoluindo nosso trabalho e evitando pequenas falhas no futuro.

Fabio Mestriner

Professor Coordenador do Núcleo de Estudos da Embalagem ESPM

Autor dos livros Design de Embalagem Curso Avançado e

Gestão Estratégica de Embalagem

2 Comentários

  1. Vicente gomeS disse:

    muIto bom e esclarEcedor …
    Trabalho de mestre!

    Abraco mestriner

    VG

  2. Diego mafioletti disse:

    Ótimo artigo! Ele serve como base para um desenvolvimento mais inteligente e em constante evolução.