Os desafios do novo quadro emergente no mercado cerâmico

Por Majoi Aina

Apesar do quadro otimista, já paira sobre o mercado cerâmico nacional a sombra do dragão chinês que surge no horizonte com tecnologia de ponta e preços bastante competitivos.

No que diz respeito ao revestimento cerâmico, o Brasil há muito deixou de estar em posição desprivilegiada no cenário mundial do segmento, tanto na qualidade de produtor quanto de consumidor de placas cerâmicas. A produção de revestimentos cerâmicos cresceu mais de 60% no Brasil na última década, levando o país à terceira posição no ranking mundial de produtores, atrás apenas da China e da Espanha, e ao segundo lugar entre os consumidores do produto*.

De qualidade indiscutível, o produto cerâmico para revestimentos no Brasil impulsiona um setor cada vez mais consciente da necessidade de investimentos constantes em tecnologias e processos de fabricação. Isso se vê refletido na iniciativa pioneira da indústria cerâmica nacional que levou a cabo a primeira norma técnica para porcelanato, lançada na Revestir 2007, feira nacional de revestimentos que acontece anualmente em São Paulo.

Apesar do quadro otimista, já paira sobre o mercado cerâmico nacional a sombra do dragão chinês que surge no horizonte com tecnologia de ponta e preços bastante competitivos. O momento pede que se reflita sobre o futuro do mercado de revestimentos cerâmicos em busca de soluções para a crise iminente.

Uma das saídas para contornar o cenário que se anuncia é a criação de uma identidade forte do produto brasileiro, valorizando sua imagem tanto em âmbito nacional como internacional. Com o apoio institucional das empresas, através das associações setoriais e a garantia da qualidade técnica do produto, será possível a consolidação de uma marca brasileira de revestimentos cerâmicos que desperte no consumidor os valores tangíveis e intangíveis da cerâmica nacional.

Entretanto, é preciso acreditar no design como fator estratégico na gestão de marcas, na agregação de valor aos produtos e na melhoria dos processos, principalmente quando as possibilidades de investimento em tecnologia são mais reduzidas.

Ocorre, porém, que, na maior parte dos casos, as empresas se apóiam em suas marcas sem um processo contínuo de avaliação de posicionamento e a metodologia de criação utilizada no desenvolvimento do produto ainda faz escala em Bologna na Itália, na principal feira de revestimentos cerâmicos da Europa – a CERSAIE – palco de lançamentos de novos produtos e grandes negócios.

O novo paradigma para o setor, que tradicionalmente segue ao invés de prospectar tendências, é a qualificação de seus profissionais através de cursos de aperfeiçoamento e especialização. E compreende ainda estratégias conjuntas, que envolvem empresas e universidades de forma interdisciplinar, articulando conhecimentos do design, do marketing, da engenharia de materiais, da gestão de projeto e desenvolvimento do produto para estruturar práticas contínuas de inovação e posicionamento no mercado.

As empresas que apostarem nessa parceria, cuja finalidade é alimentar a roda viva do conhecimento, podem alcançar bons resultados e garantir um enfrentamento adequado aos desafios que traz o novo quadro emergente no mercado cerâmico mundial.

*Dados da ANFACER, Associação Nacional de Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos (www.anfacer.org.br).

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