Paulo Dias

Por Editor DesignBrasil

“O destaque do Erê é sua capacidade de ser formatado pelo próprio usuário, de acordo com a necessidade: interagir, brincar ou estimular. É um produto mutante”

O designer de produto Paulo Dias Batista Junior (www.paulodiasdesign.com.br) começou a carreira com o pé direito. Graduado em 2007 pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), ele é um dos brasileiros que conquistaram o iF Product Design Award 2009, principal prêmio europeu do setor, com os Erês, blocos de montar e escalar para crianças e adolescentes.
Iniciativa exclusiva do designer, o Erê não é um simples brinquedo: mais que diversão, oferece a possibilidade de integrar portadores de necessidades especiais e não deficientes em escolas, creches e brinquedotecas. Centros de reabilitação são também consumidores potenciais do produto, que pode ser empregado por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais para estimulação psicomotora.
Na escola de educação infantil e ensino fundamental Terra Firme, localizada em Curitiba (PR), os Erês foram empregados, por exemplo, nas aulas de matemática de 5ª a 8ª série durante quase um ano. Já na educação infantil, auxiliaram no trabalho de psicomotricidade relacional. Nos dois casos, os alunos não possuíam necessidades especiais. Porém, segundo a administração da escola, seria viável integrar portadores de deficiência sem dificuldades.

Inicialmente criado pelo designer como um projeto social em 2005, os Erês agora também são comercializados. Cada módulo custa em torno de 75 reais e a venda mínima é de oito unidades. Dias contou ao DesignBrasil mais detalhes sobre o processo de desenvolvimento do produto. Confira a entrevista.

DesignBrasil Qual é o diferencial do design do Erê?

Paulo Dias O destaque é sua capacidade de ser formatado pelo próprio usuário, de acordo com a necessidade: interagir, brincar ou estimular. É um produto mutante.

DesignBrasil Como foi testada a usabilidade do produto?

Paulo Dias Os blocos foram levados até espaços onde existiam crianças e adolescentes tanto não deficientes quanto especiais. No primeiro grupo, notei que indivíduos de até oito anos brincavam de escalar e montar, enquanto os adolescentes faziam suas próprias criações, a partir de ações lógico-geométricas durante aulas de matemática. Nas verificações com portadores de paralisia cerebral, por sua vez, os profissionais de reabilitação os estimularam a escalar, contornar e montar os Erês. Os resultados foram excelentes: crianças com movimentos reduzidos e/ou espásticos melhoraram sua coordenação.

DesignBrasil De acordo com sua criatividade, como o usuário manuseia os blocos?

Paulo Dias A união dos Erês é realizada via nós/lacinhos em cordeletes de montanhismo ou por meio de botões esféricos de madeira. Ambos são de ágil uso e baixo custo.

DesignBrasil Qual é a técnica de fabricação das peças?

Paulo Dias Os Erês são obtidos a partir de um paralelepípedo de espuma com densidade 33 cortado sistematicamente, este é capaz de gerar módulos pentaédricos irregulares, derivados de ângulos de 15º, 30º e 60º, que podem formar uma gama de composições. Esse método foi criado para não deixar qualquer resíduo e permitir assim o máximo aproveitamento do material.

DesignBrasil E o acabamento?

Paulo Dias A finalização ocorre com a confecção das capas dos blocos. A cobertura é feita com couros sintéticos coloridos de excelente durabilidade, fácil higienização e impermeáveis à urina e vômitos, comuns em crianças especiais. Embora não seja ecológico, esse material possui extrema qualidade, o que implica longa vida útil.

* Entrevista concedida a Juliane Bazzo e Juliane Ferreira.

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