Planejamento urbano do Sul-Fluminense

Por Editor DesignBrasil

É um defeito da maioria das cidades do interior do Rio, que as pessoas de fora não conseguem se locomover por conta própria. Para que um visitante possa chegar ao seu destino, é necessária a ajuda dos habitantes daquele local, necessitando que sejam feitas várias paradas para pedido de informação.

É um defeito da maioria das cidades do interior do Rio, que as pessoas de fora não conseguem se locomover por conta própria. Para que um visitante possa chegar ao seu destino, é necessária a ajuda dos habitantes daquele local, necessitando que sejam feitas várias paradas para pedido de informação.

Hoje fala-se muito em acessibilidade, em usabilidade e necessidade de melhoria da qualidade de vida da população. Na verdade, considero que a melhoria da qualidade de vida muito se deve a recuperação da auto-estima e da organização visual das cidades. Quando falo de auto-estima junto com organização, é para que a população se afeiçoe com as localidades de sua cidade e com a representatividade pública e privada. Ninguém se afeiçoa por uma cidade mal-planejada.

É fato que nas cidades que já colocaram em seus planejamentos o tratamento a poluição visual, reduziram o número de acidentes e tornaram a locomoção mais efetiva. Reduz-se o número de acidentes quando o motorista tem as informações lineares em seu trajeto, não precisando por vezes estacionar em locais proibidos.

Ando assustada com o número de acidentes que vejo todos os dias andando pelas cidades da região Sul-Fluminense. A maioria deles ocorre por imprudência dos motoristas que não respeitam a sinalização, os limites de velocidade e nem aos próprios condutores que estão ao seu lado nas ruas. Porém, percebo que muitos deles realmente não sabem muito bem aonde ir.

Vejo um sem número de placas de indicação de todos os setores nas cidades, cada uma de um modelo. Bem como, com a visão de designer, vejo essas placas localizadas em pontos inacessíveis visualmente. Isso quando não há simplesmente indicação dos pontos-chave dos municípios dentro das vias de acesso. Não sei muito bem como as Secretarias de Planejamento vêem a questão de acessibilidade, mas com certeza as pessoas com dificuldade de acesso não são contempladas em um projeto.

O que ocorre é que cada gestão trabalha o planejamento urbano de uma forma. Uns priorizam a qualidade das praças, das áreas de lazer e o esporte; outras preservam os bens públicos tombando prédios e resgatando a história… há gestões que mudam todas as mãos de vias de acesso, simplesmente para a população reconhecer as suas obras. É comprovado que as mudanças urbanas não são baseadas em pesquisas com os usuários. Eu por exemplo, nunca fui consultada sobre o posicionamento de um totem no trajeto entre a minha casa e o meu trabalho. Aposto que não há uma pesquisa sobre trajeto da população e pontos de importância municipal.

Tenho conversado com as pessoas e, sempre que são abordadas sobre melhorias em sua qualidade de vida, já questionam se suas idéias serão aproveitadas pela cidade. É interessante que mencionam a cidade como se fossem os seus governantes. Elas se esquecem que a cidade só funciona porque elas fazem parte e, se o governante está lá é muito por conta delas.

Há muito que se melhorar em planejamento urbano e, se há um tipo de profissional qualificado para avaliar todas as questões acerca de direcionamento de vias de acesso e pontos principais, levantando as condições de acessibilidade e usabilidade da cidade, com certeza é o Designer, fazendo parte de toda a equipe responsável.

O Design é uma área ampla e hoje é reconhecidamente transversal. Não se trabalha sem várias visões de trabalho, bem como não se planeja sem avaliar o uso. O designer é capaz de criar uma sinalização, não só abordando os aspectos de comunicação, mas tratando a cidade com significação entre os elementos urbanos e os seus usuários.

Muito se fala do Design como se fosse um diferencial visual. Só que se tem um bom uso de qualquer sistema ele não fica evidenciado. Quando se deveria falar do Design do carro, leia-se layout; quando fala-se de Design do cabelo, leia-se penteado; Design da cidade, leia-se solução do problema.

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