Por que as empresas só sobrevivem com inovação?

Por Editor DesignBrasil

 

Por Orlando Oda

O contrário de sobreviver é morrer. Inovação é uma característica daquilo que está vivo. Basta ver uma planta. Como distinguimos uma planta viva, da morta? As vivas se renovam diariamente. Sempre há algo novo nelas que não havia ontem: um broto, uma folha que nasceu, cresceu ou caiu, um botão que abriu, etc. Uma planta viva é aquela que está sempre se renovando. Não inovar significa estar morto. Desta forma uma pessoa ou empresa que não se inova é como se estivesse morta. Na realidade já está na UTI, aguardando o fim.

Renovação é o ressurgimento de alguma coisa que já existia. Portanto não há a criação de coisa nova. Renovação significa novidade. Inovação é geralmente algo bem simples do tipo: Como não fiz isso antes? Para inovar, basta mudar a maneira de fazer a limpeza ou o modo de expor os produtos. Então, por que as pessoas tem dificuldade de inovar?

Porque negligenciam pensando que são coisas insignificantes, tem preguiça de fazer direito. Até para fazer limpeza ou expor um produto devemos prestar atenção, cuidado para fazer um pouco melhor do que ontem e amanhã mais do que hoje. “Sou cada dia melhor” deve ser o lema do trabalho para ser inovador. É preciso desmistificar alguns conceitos para ser inovador. Um deles é que a inovação depende da tecnologia. Outra é associar a inovação ao surgimento de um novo produto, uma invenção revolucionária. Estes conceitos errados inibem a inovação porque faz pensar que precisa dominar novas tecnologias ou ter talento nato de um inventor.

A inovação pode ser apenas uma nova forma de realizar uma tarefa, simplificar um processo, agregar uma facilidade a um produto existente. Por exemplo: um inconveniente da saboneteira era que juntava água, deixando o sabonete úmido. Demorou muito tempo para que alguém fizesse um pequeno furo e hoje todas as saboneteiras são vazadas.

Peter Drucker, o  pensador reconhecido mundialmete afirma:  “Todas as inovações eficazes são surpreendentemente simples. Na verdade, o maior elogio que uma inovação pode receber é haver quem diga: isto é óbvio. Por que não pensei nisso antes?” Exemplos de inovação não faltam: Walkman, da Sony, Circo du Soleil,  Sistema operacional  DOS, de Bill Gates. Bill Gates não inventou o computador, não criou aparelho de TV. No início da década de 80 a comunicação do homem com o computador era muito difícil. Só um especialista podia operar um computador. Para facilitar a vida do usuário, colocou-se entre o homem e o computador uma tela da TV e aperfeiçoou-se a linguagem de comunicação. É a essência do DOS que evoluiu depois para o Windows. Inovação é recriar uma nova forma de utilizar algo que já existia.

A inovação que permite o Circu du Soleil navegar no Oceano Azul foi eliminar do espetáculo a presença de animais, buscar profissionais que podiam fazer diferente, de forma excepcional as mesmas apresentações circenses. Por que ninguém pensou nisso antes?

Walkman, o aparelho para ouvir fitas musicais lançado em 1979 é a maior “desinvenção” da história que vendeu cerca de 200 milhões de unidades. Um dos produtos responsáveis pela ascenção da Sony no topo do mercado mundial. É “desinvenção” porque é um gravador de fita cassete portátil sem dispositivo de gravação e alto falante. Com isso, o gravador ficou mais leve, menor, mais fácil de transportar e mais barato.

Akio Morita, da Sony, conta que a ideia do Walkman veio de uma observação: um engenheiro andando ouvindo música no gravador portátil. A ideia foi rejeitada por quase todos: “Parece uma ideia boa, mas será que as pessoas vão comprar se não tem um gravador?”. Incapaz de covencer o pessoal, propôs um desafio. Se não vendesse cem mil unidades em dois anos, ele renunciaria à presidência da Sony..  Morita ganhou a aposta. Vendeu cerca de  1,5 milhões de aparelhos.

Edmund Phelps, ganhador do prêmio Nobel, considera home office prejudicial à inovação porque estando em casa não há interação entre as pessoas.  As ideias para a inovação surgem no dia a dia, observando coisas insignificantes nas conversas rotineiras, da percepção de uma necessidade para ajudar o próximo, sejam colegas de trabalho, fornecedores ou clientes.

Só não consegue ser inovador aquele que vê apenas a sua própria necessidade, não está nem aí para as necessidades dos outros.  Enxerga  apenas a aparência das coisas, não dá importância ou vê tudo pelo lado negativo.  Basta ser um pouco mais ingênuo e prestativo para ver que existem muitas oportunidades de inovação. Você ou sua empresa está vivo ou morto? Vai inovar ou vai morrer?

orlando-olda

(Orlando Oda é administrador de empresas, mestrado em administração financeira pela FGV e presidente do Grupo AfixCode)

 

*Este artigo foi não pertence ao DesignBrasil. O conteúdo é do Diário da Manhã, e pode ser acessado em: http://www.dm.com.br/texto/164103