Prêmios de design como estratégia competitiva

Por Editor DesignBrasil

 

Pufe Carambola, de Sérgio Matos

 

Nas últimas nove edições do prêmio iF Design Awards – um dos mais importantes prêmios de design do mundo –, a categoria que mais teve inscritos e premiados brasileiros foi a de design de móveis. Foram 25 premiados entre 2004 e 2013. Só nas quatro últimas edições, a categoria abocanhou 22,3% dos prêmios entre os concorrentes brasileiros.

Em uma profissão que luta há mais de 30 anos pela regulamentação no país, os prêmios de design promovem competição, estimulam a criatividade e possuem um caráter dinâmico de renovação. Ana Brum, diretora técnica do Centro Brasil Design e coordenadora do curso de Design Gráfico do Unicuritiba, em artigo produzido em 2012 para o P&D (Encontro Nacional em Pesquisa e Desenvolvimento em Design), afirma que prêmios de design são também uma forma de proteção. “As estratégias para se ganhar prêmios podem ainda ser mais eficientes do que as formas legais e tradicionais de proteção, especialmente em países onde a proteção legal não é bem organizada”, afirma.

Falamos de uma área que, no Brasil, ainda não é exatamente bem difundida entre a população e que não conta com a proteção legal citada por Ana. Mais do que um mérito no currículo, quando uma organização recebe um prêmio, ela ganha um tipo de certificação de um avaliador idôneo que ajuda a construir credibilidade e legitimidade.

De acordo com Juliana Buso, a representante do prêmio iF no Brasil, o crescimento no setor moveleiro pode ser percebido justamente pelo investimento em design, que fica nítido quando vemos os bons resultados da categoria em premiações. “Temos algumas empresas já consagradas, como a catarinense Sollos, com design de Jader Almeida, que já trouxe alguns iFs para o país. Outro case interessante foi o sistema Carrapixxxo, que levou o iF Product Design Award 2008, com design de Índio da Costa”, conta Juliana.

Um caso bastante conhecido é o do designer Sérgio Matos e seu pufe Carambola. Inspirado na fruta efeito de forma artesanal em cores vibrantes, o pufe, quando lançado, foi considerado inusitado. Produzido em 2010 pela Dostum – empresa da Paraíba que conta com apenas oito funcionários, o móvel ganhou notoriedade internacional com o prêmio iF, tornando-se uma espécie de novo ícone do design brasileiro. Outra consequência do prêmio foi a possibilidade de participar de exposições itinerantes e internacionais em Hannover, Hamburgo, Haikou e Hangzbou; além da exposição online do iF, que recebe, em média, 200 mil acessos por mês.

Mas Ana Brum avisa: é importante que as empresas saibam discernir sobre qual concurso ou premiação participar. Os renomados Good Design Award, International Design Excellence Award _ IDEA, Red Dot Design Award e International Forum Design Awards _ iF são indicados pela designer como os de maior expressão mundial. “O critério mais representativo para a seleção entre os prêmios internacionais foi a coerência destes com o mercado, pois todos validam o design de empresas que produzem em escala seriada e não o design autoral”, ensina.

Artigo publicado originalmente na revista EMóbile