Presidente da ADEGRAF fala sobre valores da tabela e regulamentação da profissão.

Por Centro Brasil Design

A ADEGRAF, que completa dez anos em outubro, desenvolve um trabalho voltado para a elevação do padrão de excelência do Design e dos profissionais da área.

A associação já promoveu várias ações importantes da região de Brasília, como a tabela de valores, que serve de referência em todo o país. Organização de evento como palestras, cursos e workshops; parcerias em benefício aos associados; divulgação e promoção do Design Gráfico estão entre as ações da instituição.

Costa concedeu uma entrevista exclusiva ao Design Brasil e abordou temas pertinentes à profissão, como tabela de valores e regulamentação. Confira.

Design Brasil: Como é feito o levantamento dos valores inseridos na tabela?

Carlos Eduardo Meneses de Souza Costa: A primeira edição da tabela ocorreu em 2006. Não tínhamos muitas referências e o mercado sempre foi bastante divergente na elaboração de valores para prestação dos serviços. Na época, a melhor referência de valores para Design vinha da tabela da ADG. Porém, a realidade local impossibilitava a maioria dos valores sugeridos. Convidamos escritórios e profissionais de Design do Distrito Federal e Entorno para elaborarmos nossa primeira edição.

O resultado foi bem legal e atendeu nossas expectativas. A cada edição fazemos as atualizações naturais dos valores e, além disso, montamos um grupo de discussão para garantirmos a modernização e ampliação da tabela.

Algo importante é lembrar de que os valores são referenciais, cada escritório ou profissional adapta os valores para sua realidade ou demanda específica. Nesses valores praticados pelos profissionais estão previstos custos diversos, como: criação, editoração, aquisição de imagens e fontes, impostos, tempo de execução, tamanho ou complexidade do serviço, além da experiência individual de cada designer.

Nunca pensamos atribuir esses valores como absolutos. Entendemos que nosso papel é orientar os profissionais e “combater” os preços depreciativos. O trabalho do designer é especializado e importante para a sociedade.

Design Brasil: Qual é o objetivo da ADEGRAF ao disponibilizar dados como estes?

Carlos Eduardo Meneses de Souza Costa: A ADEGRAF trabalha com os conceitos de respeito e publicidade e entende que a informação é fator importante para divulgar nossa profissão.  Respeito ao cliente que merece saber o que está pagando e de onde originam os valores. Respeito ao designer porque merece cobrar o que é justo.

Publicidade porque achamos que é melhor para o mercado, beneficia o Design e seus profissionais. Retrato disso é a repercussão nacional da tabela.

Nossas ações visam à elevação do padrão de excelência do Design e de seus profissionais, independentemente, de serem associados ou não. Claro que os principais projetos e ações são para os associados. Mas se é bom para o Design, é melhor para todos, então não há porque esconder esses valores.

Design Brasil: Qual a relevância nacional da tabela, ainda que a ADEGRAF seja um órgão regional? Há um plano de ampliar a abrangência em relação à localidade (regional x nacional)?

Carlos Eduardo Meneses de Souza Costa: A tabela deu muito certo. Ela possui coerência na elaboração, aborda muitos itens e tem valores sintonizados com o mercado do DF e do Entorno.

Nosso objetivo foi orientar os profissionais da nossa região. Naquele momento, tínhamos como objetivo “resolver” um problema pontual. Quase não existem outras referências no mercado nacional e o fato de publicarmos abertamente, fez com que rapidamente tivesse uma abrangência maior do que esperávamos. Felizmente, acabou contribuindo para os Designers de outras praças. Ficamos felizes com isso.

Nossa atuação é regional e nem pretendemos ampliar essa abrangência, pois cada estado brasileiro possui suas particularidades. Mas o Design está além das fronteiras geográficas. Acho que cada região deveria se mobilizar e montar sua própria tabela, seguindo sua própria realidade econômica. Se algum estado precisar de apoio, a ADEGRAF estará disponível.

Design Brasil: E em relação às áreas do design, existe algum plano de ampliar a abrangência dos valores de referência para além das áreas gráficas e de embalagem?

Carlos Eduardo Meneses de Souza Costa: A nossa tabela vêm crescendo desde sua origem. À medida que surgem novas demandas ou serviços, incluímos na tabela. O tema embalagem já consta. Porém, ela é (ou seria) regional, então abordamos os produtos e serviços mais comuns da nossa realidade. Não temos indústrias que demandam embalagens ou produtos mais complexos como em São Paulo, por exemplo.

Este ano, inserimos serviços de digital publishing, já que o desenvolvimento de material digital (PDFs interativos, eBooks, etc) cresceu muito. A tabela é dinâmica e, se for necessário, abordaremos outros produtos.

Design Brasi: Como está a repercussão da tabela referencial de valores? E a aceitação entre os profissionais da área?

Carlos Eduardo Meneses de Souza Costa: Recebemos mensagens de designers de quase todo o território nacional. Já enviaram e-mail até de Portugal.  Aproveito para agradecer pelas mensagens dos colegas. Temos visto na internet uma excelente aceitação. Se procurar por referências de tabelas de serviços de Design sempre vai achar a nossa como uma referência. Os comentários sempre nos ajudam, pois identificamos pontos importantes e corrigimos o que é necessário. Lembro, mais uma vez, que a tabela foi elaborada para uma necessidade local.

Design Brasil: Qual é sua opinião em relação ao Projeto de Lei proposto pelo Deputado Penna para regulamentar a profissão de design (em que se insere o estabelecimento de órgãos regulamentadores e pisos salariais)?

Carlos Eduardo Meneses de Souza Costa: O tema é muito importante. É até complicado responder em apenas uma pergunta. A ADEGRAF apoia totalmente a regulamentação. Particularmente, também apoio, é claro. Temos uma “cartilha” no site que fala um pouco sobre o assunto. (http://www.adegraf.org.br/downloads/regulamentacao.pdf)

Existe muita gente que batalha pela regulamentação. Acredito que a visão dos atuais profissionais mudou muito em relação ao tema. O designer que não se interessa é aquele que pensa só no momento atual e nele mesmo, esquece que a regulamentação é direito e que um grupo maior será beneficiado. A outra parte, geralmente, é formada pelos “profiças” que temem ser excluídos ou impedidos de exercer a profissão. Geralmente, acordam se achando designers e ficam dando dor de cabeça pra gente.

A regulamentação possibilita a legalidade de prestar concursos públicos destinados para designers. Possibilita também a proteção legal contra absurdos trabalhistas, proporciona condições dignas para a atuação da profissão, etc. Se não fosse assim, outras profissões não seriam regulamentadas.

O fato de existirem órgãos pode ajudar com apoio legal é ainda melhor. A ADEGRAF mesmo possui conselho de ética em que procuramos orientar, advertir ou apoiar nossos associados. Quando necessário, comunicamos, advertimos ou orientamos outros órgãos sobre situações específicas.

Hoje, sem a regulamentação, passamos por muitos problemas que nem deveriam existir. Muitos nem sabem o que fazemos direito. Temos excelentes expectativas de melhorias após a regulamentação. Mas não esperamos que o trabalho acabe, teremos novas lutas, porém em outros aspectos.

Regulamentar é acima de tudo, respeito ao profissional.

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