Projetando Produtos Sociais

Por Christian Ullmann

É muito gratificante ver como a produção de teoria está sendo preenchida nesta nova área do design, talvez, não tão nova assim, pois já temos publicações internacionais desde a década 1960 abordando temas de design, sua função social e o atendimento às reais necessidades da sociedade.

Isto é muito importante pois “Design” é muito mais abrangente, completo e complexo que “Design Industrial ou Desenho Industrial”, porém, mais que as palavras, definições e discussões de semântica, prática e academia, todos temos que entender que a sociedade evolui e também evoluem os problemas que ela enfrenta.

“E para problemas contemporâneos nada melhor que soluções contemporâneas”

E isso significa que design, teoria e sua prática têm que evoluir também e agora temos mais uma nova publicação: o livro “Projetando Produtos Sociais”, do Danilo Émmerson N. Silva, docente na área de design (industrial e de produto) nos estados do Rio Grande do Sul (Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul) e de Santa Catarina (Universidade do Oeste de Santa Catarina) e, há cerca de dois anos e meio, atuante na Universidade Federal de Pernambuco, no Curso de Design.

Aproveito também para comentar e convidar vocês a visitar o blog do Danilo sobre Desenho Industrial/Design Industrial, onde socializa algumas questões e reflexões a cerca da nossa profissão. O endereço é http://emmersondanilo.blogspot.com.

O livro “Projetando Produtos Sociais”, além de uma crítica ao sistema capitalista, suas práticas e implicações impostas à sociedade e aos setores produtivos industrializados, traz uma síntese de algumas reflexões e experiências vivenciadas na academia.

Partindo-se do pressuposto de que as questões sociais dizem respeito aos setores e agentes da sociedade, o livro busca retomar a função social da área projetual (Arquitetura, Engenharias e Desenho Industrial/Design), no sentido de desencadear uma projetação mais voltada para as necessidades da população. Danilo coloca em questionamento os padrões e valores da economia e do sistema capitalista, sugerindo alternativas para disponibilizarmos aparatos tecnológicos e de uma cultura material mais justa, honesta, ética, responsável e igualitária e que insira as camadas sociais em políticas públicas e de oportunidades materiais acessíveis.

A área do Desenho Industrial, em particular, tem sofrido durante as últimas décadas pressões impostas pelo sistema capitalista que a fizeram se distanciar das políticas públicas e sociais. Os principais fatores causadores desse distanciamento foram a busca pela inovação e competitividade, globalização, lucros, ampliação dos mercados pelas empresas e a forma de atuação do Estado. Nesse sentido, houve um estímulo ao consumo irresponsável, conseqüentemente, à projetação de produtos campeões de vendas e descomprometidos com as questões reais da sociedade. Ampliou-se o descartável e reduziu-se o ciclo de vida, adotaram-se materiais e processos causadores de impactos ambientais e incentivou-se a estilização com apelo atrativo. Basta olharmos para as matrizes curriculares dos cursos de bacharelado do país que constataremos a forte ênfase na preparação de um profissional sintonizado com as diretrizes e princípios do mercado, mas alheio aos maiores problemas materiais da sociedade. aqueles que permeiam, principalmente. a educação, a saúde, a agricultura, a pecuária, o saneamento, o esporte, a cultura, a defesa civil, a habitação, o transporte, o meio ambiente, o trabalho e a segurança pública.

Danilo ministra uma disciplina no curso de design intitulada Projeto de produto, com ênfase em Design Social. A disciplina é projetual, ou seja, os acadêmicos têm que identificar um problema e uma necessidade material dentro dessas áreas e apresentar uma solução projetual ao final do semestre. Além disso, precisam inserir a sociedade como público-alvo (portadores de necessidades especiais, terceira idade, menor carente e demais grupos sociais excluídos das políticas públicas e do sistema capitalista). Obviamente, o foco não é consumo, moda, tendências de mercado, lucro, aumento de vendas, obsolescência planejada nem estilística, objetos supérfluos ou, em muitos casos objetos inúteis e, sim, os problemas reais que atingem a grande maioria da população brasileira.

O objetivo principal está sendo alcançado: disseminar, no primeiro âmbito, entre os acadêmicos de cursos de Design e Desenho Industrial o principal papel e a responsabilidade social dessa profissão.

E segundo comentários de Danilo:

“O que tenho presenciado é o fato dos acadêmicos, ao cursarem a minha disciplina, transformarem sua visão e percepção sobre a sua futura profissão e áreas de atuação. Ao concluírem, por exemplo, percebem que a linha social tem muito mais valor e respaldo ético que a linha de consumo. E que a associação com Design Social não se limita apenas a comunidades artesanais e sustentabilidade visando à ocupação e renda como muito se tem pregado. A indústria, um dos ícones do sistema capitalista, precisa estar inserida nesse processo, uma vez que os maiores problemas e erros da projetação de uma cultura material, decididamente, passam pelos setores produtivos e industriais. Cabe também ao Estado inserir-se nesta “revolução” e desencadear uma série de estratégias para tais setores”.

“A cada ano, tenho ofertado essa oportunidade a cerca de 30 acadêmicos. Desde 2005, começara ministrando esta disciplina em outras IES. Fazendo as contas, grosseiramente, são 180 acadêmicos, ou profissionais, que receberam uma ‘pequena semente’ para cultivá-la posteriormente. Este número está começando a aumentar, uma vez que outras oportunidades estão surgindo como participação em eventos, palestras, minicursos e oficinas etc. Isto é um bom sinal: mostra que estamos no caminho certo e que podemos fazer alguma diferença em qualquer área ou assunto, basta termos determinação e acreditarmos em algo!”.

O livro foi publicado pela Editora Universitária da UFPE, no final de 2009, e tem o prefácio de Allene Lage, professora da Universidade Federal de Pernambuco, além da apresentação feita por Luiz Vidal Gomes e Lígia Sampaio de Medeiros, autores de vários livros sobre Desenho Industrial e temas correlatos, estes, também professores do Centro Universitário Ritter dos Reis.

O livro possui 108 páginas e fora estruturado com seis capítulos.

Os exemplares podem ser adquiridos diretamente com o autor pelo email: [email protected] ou pelo site da Livraria Cultura do Paço Alfândega, em Recife – Pernambuco – www.livrariacultura.com.br. O valor de cada exemplar é de R$ 40,00; se a compra é feita por e-mail ou site é acrescida da taxa de envio.

Danilo Émmerson N. Silva, tornou-se Bacharel em Desenho Industrial/Projeto do Produto (UFPE) em 1993, e mestre em Engenharia de Produção/Projeto do Produto (UFSM) em 1998. Atuou como docente da área desde o ano de 2000, quando foi professor e coordenador do curso de Design da UNIJUÍ (RS). Entre 2006 e 2007, foi professor e coordenador do curso Superior de Tecnologia em Design de Produto da UNOESC/SMO (SC). Desde 2008, leciona no curso de Design da UFPE, localizado no Centro Acadêmico do Agreste, em Pernambuco. Durante essa década realizou palestras, publicações, consultorias, assessorias e perícias técnicas; implantação de cursos superiores e de pós-graduação na área; avaliações e autorizações de cursos em Comissões designadas pelo MEC/INEP/SINAES. Curriculum vitae detalhado http://lattes.cnpq.br/9366927001717910

E-mail: [email protected]; [email protected]

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