Qual é a sua impressão de uma marca chamada Brasil?

Por Editor DesignBrasil

Marcelo Lopes escreveu este artigo originalmente para o blog 100 degrees of Brazil. A autora Daniela Novaes gentilmente concordou que o replicássemos no DesignBrasil.

 

 

 

 

QUE MARCA?

A que nunca tivemos?

A que temos?

A que pensamos em ter?

A que enxergamos?

A que os estrangeiros conhecem?

A que nós mostramos?

A do sensacionalismo que a mídia internacional divulga?

A que gostaríamos de ter?

Um Brasil que foi? Um Brasil que é? Um Brasil que será? Ou nunca será?

Eu prefiro acreditar, otimismo é sempre bem-vindo, ainda seremos!

 

Mas acho no presente momento mostrar uma marca chamada Brasil como a almejamos, faz-se necessário muita lição de casa. É necessário mais transparência, honestidade, seriedade, respeito, menos corrupção política e até mais amor pelo Brasil!

Como brasileiro enxergo a realidade do Brasil visualizando-a de dentro para fora e o que vejo me parece negativo. Meu ponto de vista tem seu lado positivo que é também o que eu creio ser visto pelo mundo.

Acredito que tivemos grandes avanços nestes últimos quarenta anos: Os nossos carros (carroças – até a década de 90) não existem mais, manifestações pelo Brasil a fora pelas novas gerações até convocadas e divulgadas por redes sociais, um sistema informatizado de excelente desempenho na rede bancária; avanço social pelo qual 20 milhões de brasileiros saíram da classe C e D e passaram para a classe média – isso gerou um aquecimento na economia. E os retrocessos? Menos divulgados, é claro, levará o país para longe do verdadeiro Brasil que todos nós merecemos ter por direito e queremos mostrar ao mundo.

Faço uma comparação entre o Brasil e Estados Unidos. Qual seria a diferença entre os 2 países? Igualmente jovens?

Quando os ingleses partiram para os Estados Unidos foi com a intenção de colonizar e construir a sua pátria. E os portugueses? Deixo claro – gosto dos portugueses e sou descendente, mas não posso fechar os olhos ao que me foi ensinado na escola sobre a história do nosso Brasil. Os verbos usados eram: colonizar, explorar e povoar. Voltando para casa (Portugal) levando nossas riquezas como o ouro, o pau-brasil, as pedras preciosas…

Passaram-se mais de 500 anos e a herança genética da exploração continua enraizada no sistema.

Pequenos exemplos: Temos uma das telefonias mais cara do mundo em comparação com a renda per capita. E os juros do cheque especial e cartão de crédito? Na beira dos 10%? Quais países operam com estes juros abusivos? Será que encontramos isto nos países desenvolvidos? E nossos impostos?

O governo diminuiu a sonegação, mas a corrupção aumentou. O próprio governo que lutou para o fim da ditadura e pela igualdade hoje virou meio esquerda e meio direita levando à deficiência de educação, saneamento, saúde, segurança – estamos vivendo com um grande índice de criminalidade, etc., alimentando o país no corpo e na alma com Pão e Circo! Salve a bolsa família, a bolsa auxílio-reclusão…

Acredito que o Brasil sempre foi e sempre será um país de Contrastes!

Contrastes dentro da nossa flora, fauna, praias exuberantes são positivos, mas temos os negativos que creio ser necessário lutar para eliminar ou pelo menos diminuir. Continuo vendo que não existe a diminuição, mas sim a repetição. Trocam-se os atores, permanece o cenário!

Há mais de 50 anos tivemos a construção de uma cidade 100% planejada: Brasília – 50 anos em cinco! Qual a conseqüência? Início de uma inflação voraz que só melhorou a partir de 1994. Sonho caro, esse de JK!

Agora, pouco mais de 50 anos depois está se repetindo o cenário! Mais um sonho caro para os Brasileiros? Felizes por sediar a copa? Uma copa que está custando muito mais do que as últimas realizadas no mundo? E os milhões a serão gastos na manutenção destes elefantes brancos? O maracanã realmente está lindo, mas na certa passará boa parte do seu tempo descansando em silêncio gozando da forma e vida dada ao concreto. Sabemos que o futebol é endeusado no Brasil, temos que reconhecer, mas não podemos esquecer que as carências do nosso povo não são alimentadas por ele.

Com tudo isto e mais um milhão de coisas considero que ainda falar de uma marca que represente o Brasil é muito difícil e complexo, porque temos a marca hoje perceptível, não tão boa, e a marca que aspiramos um dia ter. Para construir uma marca nacional temos que ir muito além dos interesses políticos e chegar ao interesse de uma nação.

Considerando apenas os interesses políticos acontecem as construções em passo de tartaruga e a destruição na rapidez de uma implosão. Um pequeno exemplo é o PBD – Programa Brasileiro do Design, que surgiu em 1995, com nossa admirável Dorothea Werneck no MDIC- Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no intuito de inserir o design nos setores produtivos brasileiros, mas que teve vida curta! 7 anos!

Recentemente tive o conhecimento de mais uma possível extinção, agora especificamente do governo do estado de São Paulo. A Sutaco, com mais de 30.000 artesãos corre o risco de acabar! Se isto vier a acontecer o que representaria? Cada vez mais matar a cultura do nosso país?

Aproveitando que falei em matar a cultura sob meu ponto de vista, não generalizando, vejo muito de nossa cultura sendo enterrada quando a princípio ela deveria ser mais valorizada a começar pelo nosso próprio idioma. O português, uma lingua linda e rica, tão bem expressada por grandes escritores brasileiros como Castro Alves, Cecília Meireles, Machado de Assis, Carlos Drumond de Andrade, vai sendo constantemente atacada pelo anglo-saxão.

Liquidação? O que é isto? Tá fora de moda?

Agora é OFF, SALE…

E ainda os que acreditam que é “legal” usar o by ao invés do por? Será que isto é globalização? Perda da nossa identidade? Desvalorização de nossa personalidade?

Ok, precisamos convir que o inglês por ser a segunda lingua universal influi o mundo.

Ainda vejo também um descaso com a preservação da história e da arte do Brasil, incluindo a preservação urbanistíca do país.

A falta de escola é a melhor forma de não gerar cultura no povo e acaba por isso influenciando muito na qualidade dos eleitores que elegem alguns candidatos sem nenhum preparo para gerir o destino da nação chegando aonde estamos.

E o faz de conta? Esse realmente tá na moda.

Faz um bombom que é mole dentro e vira “trufa”

Faz uma tortinha sem tampa e vira “quiche”

Faz um bolo que vai nozes e baunilha e vira  “Brownie”

Faz um bolinho que é cremoso dentro e vira “Petit Gateau”

Estes em alta no nosso País, principalmente em São Paulo.

A comida nacional encontrada em todo o Brasil é nosso arroz e feijão, nossa culinária regional é tão rica, talvez até pela própria dimensão do nosso país– “somos vários dentro de um” – que acabou gerando uma gastronomía incrível de delicias.

Então porque não aumentar este intercâmbio de paladares entre os estados e cidades brasileiras ao invés de importar receitas internacionais?

Temos o exemplo: o cupuaçu da Amazonas, o tutu de feijão de Minas Gerais, o bolo de rolo de Pernambuco, a tapioca de Fortaleza, o acarajé da Bahia, a maniçoba do Pará, o arroz carreteiro do Rio Grande do Sul…

Enquanto em 10 restaurantes de São Paulo você encontra com facilidade o “Petit Gateau” talvez eu tenha que viajar alguns mil quilômetros para encontrar um doce de cupuaçu.

Acho que todo mundo gosta de mostrar sempre o currículo mas ninguem gosta de mostrar seus prontuários e nesta primeira parte acredito que acabei mostrando um pouco mais do raio X do Brasil que estamos vivendo neste momento.

Agora vamos para o currículo?

Já fomos o país de Carmem Miranda, da banana, dos Indíos, da Amazônia.

Ja fomos o país da garota de Ipanema.

Sempre fomos o país tropical, da sensualidade exacerbada, das mulatas, do bumbum – no meu ponto de vista posso dizer que até temos uma obra em sua homenagem – a apoteose do sambódromo do Rio de Janeiro, do futebol, do samba, das praias exuberantes, da bossa-nova, da caipirinha, do Pelé, do café, do povo alegre, hospitaleiro, cordial, quente em vários sentidos sem falar de nossas riquezas incluindo as minerais – somos o único país do mundo com o magnífico Topazio Imperial. O País “gigante por natureza” com grandes nuances de cores, até com a aquarela de Tom Jobim! Um país jovem mas não mais tão jovem! Um país criativo, que o diga a nossa Publicidade, um país com uma das melhores televisões do mundo, haja vista as nossas novelas, um país da abundância, que o diga nossas churrascarias.

 

Hoje também somos o segundo país da cirurgia plástica e estética, o segundo maior mercado consumidor de cosmetologia, afinal a beleza continua imperando no querido Brasil, somos o maior consumidor de crack, um país ficando mais famoso pela corrupção e escandâlos políticos gerando uma instabilidade futura. O Brasil do Inhotim – mais cultura para o Brasil, que deveria ser responsabilidade do poder público sendo realizada pelo poder privado. NOSSA! Falei que nesta segunda parte mostraria meu Brasil positivo, mas acabei incluindo outros aspectos negativos que não poderia deixar de fora. Vou retificar isto com mais maravilhas do nosso País!

Somos o maior produtor de grãos do mundo, um país com grandes exemplos de competência empresarial, como a Embraer, a Havainas – um produto hoje quase que espalhado por todo o mundo, construtoras como Andrade Gutierrez e a Odebretch realizando grandes projetos fora do país e em design empresas como Ornare. Somos também emergentes na ciência e ainda outras tantas coisas boas.

Resumindo: nosso Brasil é uma verdadeira “colcha de retalhos”. Tem tudo para tornar-se o paraíso dos nossos sonhos, um país sobre o qual mais do que se falar a respeito podemos sentir o deleite de dele desfrutar.

Um país que ainda fascina e luta para construir sua marca!

Mas como acredito que marcas nunca estão definitivamente prontas, e sim, estão constantemente sendo construídas ainda chegaremos lá. Afinal fé é outra coisa que brasileiros tem e muita.

Eu amo nossa bandeira, o azul, o verde e o amarelo mas pensando nela como símbolo gráfico, bem que poderia passar por um pequeno redesenho para ajudar, quem sabe, levando em consideração inclusive a física quantica a alavancar o progresso que tanto almejamos. O leme dos defensores da república eram “Amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim” e foi resumido na bandeira em Ordem e Progresso, mas acabou sendo representada graficamente com a faixa em sentido decrescente. Que tal se mudassemos a faixa para o sentido ascendente?  Será que contribuiria para transformar o eterno país do futuro no país do presente? Além disso também ficaria mais parecido com um belo sorriso que é a cara do nosso Brasil.

Por fim, a marca Brasil de hoje é ainda como nosso cristo redentor!

Uma marca que de braços abertos recebe com alegria, com sorriso e cordialidade à todos que chegam em meu querido Brasil. Bem-vindo aos contrastes, você pode aprender muito com eles. Faz parte da nossa história!