Quem não se preparar para o futuro não estará nele

Por Ronald Kapaz

“Everything is Design”

                       Paul Rand

 

Uma imagem me ocorreu, no intervalo de uma das muitas palestras que aconteciam simultaneamente no coração de Austin, Texas, durante o evento “South by Southwest”, ou, à moda simplificadora americana, o SXSW: me senti entrando naquele bar de “Guerra nas Estrelas” em que curiosos personagens de diversas galáxias bebiam juntos conteúdos também singulares.

O SXSW é exatamente isto: um encontro “futurista” em que, durante três semanas intensas, eventos, palestras e mesas de debates sobre educação, música, filme e interatividade acontecem consecutivamente e, muitas vezes, simultaneamente, como uma grande catarze de criatividade, inovação e cultura.

Para Austin são atraídas as mentes criativas e as personalidades mais variadas de “celebridades” que se encontram nas muitas salas de eventos espalhadas pela cidade, com um objetivo muito preciso e desafiador: pensar e debater sobre o que vem por aí, sobre tudo que o admirável mundo novo nos reserva de surpresas, oportunidades e desafios.

Não é fácil mergulhar nesse rico caldo de conteúdo e poder aproveitar ao máximo tudo que alí se apresenta. Parece que a própria lógica da multiplicidade de estímulos que hoje reparte nossa tela de televisão nos programas jornalísticos em imagens e um ou mais headlines de texto paralelos ao pé da tela, que requerem de cada um de nós uma atenção também repartida, está na base do evento como um primeiro sinal dos tempos: tudo ao mesmo tempo, real time, para que se possa agarrar o que o seu interesse e capacidade de atenção puder identificar e absorver num curto intervalo interativo e hiperacelerado.

Interatividade e aceleração parecem ser dois outros pilares importantes da lógica hipermoderna em que estamos inseridos. Brevidade, eficácia e conexão estão alí, em cada sala e em cada painel, sinalizando um presente e um futuro cheio de desafios para nosso cérebro, nossa capacidade de atenção, seleção e depuração, em tempos de cultura globalizada.

O que fica claro, para quem teve a oportunidade de experimentar essa rave de criatividade e cultura, é que existe um único caminho para aquele que quiser participar como agente e protagonista do amanhã. Seja você um indivíduo, profissional, corporação, marca ou país, perceberá que todos que alí estavam foram a Austin para confirmar e participar da celebração da inovação e da criatividade como valores determinantes da competitividade e da cultura contemporânea.

O Design, pela sua própria natureza disruptiva e integradora, esteve presente como dimensão estratégica e estética em muitas das mesas e palestras, combinado com ciência cognitiva e branding em umas, com interatividade (UI) e user experience (UX) em outras, revelando sempre o potencial infinito desta disciplina como harmonizadora de forma e conteúdo, razão e emoção, humanismo e resultados. Não por acaso, a palestra de abertura da série sobre Interatividade do evento foi ministrada por Paola Antonelli, Curadora Senior de Arquitetura e Design do MoMA, com o tema “Curious Bridges: How Designers Grow the Future”.

Depois de Austin, fui a New York para, entre outras coisas, visitar a bela retrospectiva sobre a obra de Paul Rand, “Design is everything”, organizada pelo Museum of the City of New York, da qual emprestei o título, pela sincronicidade, para reforçar e sintetizar este meu testemunho sobre o SXSW e o valor do Design.

Por último, foi bom ver que o Brasil, através de uma iniciativa da APEX, esteve mais uma vez presente no evento, de forma bastante representativa, montando a Casa Brasil no coração de Austin, e oferecendo um conjunto de oportunidades e encontros para quem precisa nos conhecer para reconhecer nossos valores e potencial. Da presença em eventos como este dependerá nossa capacidade de entender o momento e preparar nossas empresas e marcas para participarem ativamente do desenho do que vem por aí.

Volto com a impressão clara de que temos que ampliar nossa dedicação a este evento e aos valores e temas que alí se apresentaram. Porque, afinal, quem não se preparar para o futuro não estará nele.

 

Ronald Kapaz, VP de Estratégia da Oz Estratégia+Design, esteve em Austin para mediar, na Casa Brasil, o painel sobre criatividade brasileira “Brasil is not for beginners”, organizado pela Apex e pela Abedesign, com participação da atriz e produtora Alice Braga e Claudio Lima, CCO da Y&R Miami.

Ronald

 

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