Quero ir num restaurante cheio

Por Fabio Mestriner

Quando buscamos um restaurante, costumamos passar em frente daqueles que estão vazios e continuamos a procura até encontrarmos um restaurante cheio. Isso é uma atitude natural nas pessoas, mas que se aplica também às empresas, pois ninguém gosta de trabalhar com aquelas que se parecem com os restaurantes vazios, onde nada está acontecendo e ninguém quer entrar.

Durante o ano de 2015 pude observar de perto este fenômeno acontecendo com uma série de empresas. Observei que algumas mantiveram seus planos e trabalharam firmemente neles – apesar do cenário de tempestade e nuvens negras que se ergueu sobre a economia brasileira no ano passado e que ainda permanece sobre nossas cabeças nesse ano. Essas empresas cresceram mesmo atuando em cenários adversos, porque se mantiveram firmes naquilo que haviam proposto fazer, não se assustaram, nem mudaram repentinamente de atitude à medida que a crise foi se revelando mais grave.

Aprendi uma importante lição observando essas empresas que atravessaram o ano passado e prosseguiram no caminho que vinham trilhando. Ouço muito falar sobre a necessidade de mudança, mas mudanças não podem ser feitas de qualquer jeito e a qualquer custo, de acordo com as circunstâncias do momento. Toda empresa sabe muito bem o que gerou resultados para ela, sabe quem são os clientes que ela não pode perder de forma alguma, conhece o cenário onde atua e tem uma visão clara sobre seus concorrentes – pelo menos as que vi crescer na crise têm muita clareza sobre isso.

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Observei que as empresas que estavam melhor organizadas, as que fizeram a lição de casa, concentrando-se naquilo que fazem melhor, eliminando desperdícios e investindo seus esforços em favor de seus clientes sem se desviar de seus objetivos, prosperaram e cresceram em cima dos concorrentes, que não estavam tão bem ou que se encolheram amedrontados, tornando-se parecidos com os restaurantes vazios.

Toda empresa, não importa o ramo de negócios em que atua, precisa estar presente junto aos seus clientes, precisa transmitir a eles confiança e mostrar-se ativa, gerando notícias que podem ser transmitidas, demonstrando que seu parceiro está vivo. Os clientes precisam sentir que seus fornecedores não se esvaziaram, que eles continuam atuantes e atentos ao que está se passando.

Certamente entre aqueles com quem sua empresa se relaciona, existem parceiros, fornecedores e clientes que podem ser observados da forma como descrevi até agora. É possível perceber aqueles que estão se mostrando confiáveis mesmo na crise, são os que admiramos por sua atitude.

Mas também vemos aquelas empresas que reduziram drasticamente suas atividades e que, por isso, passam a nos preocupar por demonstrarem que não estão em tão boa situação.

Segurança é importante em momentos de incerteza e a melhor forma de demonstrar isso é continuar atuando, mostrando-se ativos e presentes. E, principalmente, preservando, sem perder de vista, os planos que vão nos levar onde desejamos estar depois que a crise passar, afinal, crise tem causas e portanto tem começo, meio e fim.

Quem desenha embalagens é fornecedor de um componente fundamental dos produtos de seus clientes. Se a entrega das embalagens falhar, o cliente para de emitir notas fiscais porque seus produtos não têm como sair da fábrica sem as embalagens que os conduzem. Fornecedores com esse nível de responsabilidade no negócio de seus clientes não podem permitir que paire qualquer dúvida sobre sua capacidade de suprir o design das embalagens no prazo correto e na qualidade desejada. Por isso, evitar se parecer com um restaurante vazio, é fundamental nesse momento.