Relação entre Design Gráfico e Projeto de Interface

Por Editor DesignBrasil
Autor: Guilherme Howat

 

Hoje em dia, em pleno século XXI, as interfaces gráficas são parte fundamental do dia a dia. Mas quem, e de que forma, desenvolve essas interfaces?

Define-se como interface o dispositivo (físico ou lógico) que estabelece a adaptação entre dois sistemas independentes. No caso das interfaces eletrônicas, estas são softwares que tornam possível a interação entre homem e máquina.

O primeiro vislumbre do que poderia vir a se tornar uma interface gráfica como conhecemos hoje aconteceu no final da década de 60, numa apresentação feita pelo doutor em engenaria eletrônica Douglas C. Engelbart. O Dr.Engelbart apresentou sua idéia de espaço-informação que “transformava” códigos de computador em uma representação gráfica metafórica do ambiente físico, tornando possível sua compreensão para a maioria dos seres humanos partindo da idéia de que os seres humanos raciocinam e interagem através de palavras, imagens, sons, associações e conceitos.

No início da década de 70, pesquisadores do Palo alto Research Center na Califórnia desenvolveram com sucesso a primeira “interface gráfica do usuário” batizada como GUI, e como previsto pelo Dr. Engelbart, essa interface transformou drasticamente o modo como seres humanos se comunicavam com computadores.

Hoje em dia, em pleno século XXI, as interfaces gráficas são parte fundamental do dia a dia, terminais de consultas, sistemas operacionais, telefones e websites publicados na internet são apenas alguns exemplos das interfaces mais comuns. Mas quem, e de que forma, desenvolve essas interfaces?

É importante resaltar que toda interface é composta basicamente de dois “lados” chamados de back-end e front-end. O back-end se refere a parte do software responsável pelos componentes e processamentos do sistema. E o front-end se refere a parte do sistema que interage diretamente com o usuário.

O projeto de interface se caracteriza por ser um projeto multidisciplinar composto por profissionais de diferentes áreas do conhecimento. Podemos apontar – basicamente – três perfis profissionais inseridos num projeto de interface, o Arquiteto de Informação, responsável por “arrumar” e categorizar o acesso a estas informações. O Designer Gráfico, responsável direto pelo front-end do sistema. E o Programador, responsável pelo desenvolvimento do sistema e integração entre front e back-end.

O ato de projetar uma interface exige conhecimentos específicos e coordenação de equipe, uma vez que se trata de um projeto multidisciplinar. As etapas básicas (não necessáriamente na ordem apresentada) e indispensáveis pra um bom desenvolvmento deste tipo de projeto são:

Diagnóstico da necessidade;
definição de escopo;
estudo da Arquitetura da Informação;
análise do sistema;
brieffing da linha gráfica;
desenvolvimento dos elementos gráficos da interface;
programação do sistema;
integração do front-end com back-end.

O conceito inicial, desenvolvido pelo Dr. Engelbart e transformado em realidade pelos pesquisadores da Xerox de que uma interface, em grande parte, é um produto interativo de comunicação visual, transforma o Designer Gráfico em peça fundamental nesse tipo de projeto. O Designer responsável por um projeto de Interface Gráfica deve possuir conhecimentos sólidos tanto em Comunicação Visual quanto em interação com usuário. Transformando este profissional num comunicador apto a desenvolver produtos que necessitem interatividade entre homem e máquina.

Com o advento da internet e a demanda crescente para este tipo de produto, a quantidade de projetos de interface aumentaram de volume e de importância, mas essa popularização também gerou uma grande quantidade de produtos mal desenvolvidos. Portanto, é de extrema importância para o desenvolvimento de um produto de qualidade que todo o processo projetual e as funções incluídas neste tipo de projeto sejam exercidos de forma consciente e de acordo com as capacidades e limitações dos profissionais enolvidos. Um bom projeto demanda investimento e recursos alinhados ao objetivo de desenvolver um produto adequado.

Referências Bibliográficas:

JOHNSON, Steven. Cultura da Interface (trad. Maria Luiza X. de A. Borges). Jorge Zahar editora, 2001. 192p.
LÉVY, Pierre. Cibercultura (trad. Carlos Irineu da Costa). Editora 34, 1999, 264p.

Tags: