Somos insustentáveis

Por Christian Ullmann

O design do século XX tem que ser entendido como conhecimento e como vanguarda do pensamento para desenvolver o potencial humano, para melhorar a vida com o objetivo de colaborar para resolver os desafios com que se depara a humanidade.

Ser sustentável é atender às necessidades do presente e sem comprometer as possibilidades de as futuras gerações atenderem às suas próprias necessidades. Esta é uma das definições mais abrangentes de sustentabilidade. Para ser sustentável, qualquer empreendimento humano deve ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente representativo. Mas esses conceitos, que parecem óbvios e simples sinais de bom senso, infelizmente ainda estão longe da prática cotidiana de muitas pessoas, grupos, empresas e governos. Tanto que um movimento mundial pela sustentabilidade surge como resposta ao seu contrário: a insustentabilidade provocada pelo que é ecologicamente errado, economicamente inviável, socialmente injusto, culturalmente inaceitável.

Ficou claro que o sistema de produção e consumo mundial tem que mudar. Para nossa sorte, está crescendo rapidamente no mundo e, no Brasil, a indústria criativa que, entre suas múltiplas atuações, está trazendo novos ares para um sistema ultrapassado.

Por exemplo, na procura por novos cenários, jovens designers inspiram seus projetos em iniciativas espontâneas de grupos artesanais, comunidades carentes ou de periferia que desenvolvem atividades em cooperativas para resolver o seu cotidiano, ate hoje pouco valorizadas e exploradas por empresas e academia. Estas ações já inspiram novos modelos pedagógicos e ate empresas multinacionais estão mudando seus padrões globais para atender às demandas locais e assim conquistar novos mercados.

A troca de informação esta mais fluida e em todas as direções e entre todas as classes sociai, gerando novos contextos socioeconômicos, provocando inclusão e melhoria da qualidade de vida.

As empresas estão focadas na redução do consumo de energia, utilização de água, matéria-prima, resíduos de produção, gastos com transporte, uso de energia no uso do produto e descarte pós-consumo. Isto é muito bom, porém não suficiente para produzir as mudanças necessárias temos que dar mais dois ou três passos na frente e discutir como criar a sociedade de uso para substituir a nossa atual e desgastada sociedade de consumo. Sociedade de uso que depende de uma indústria não agressiva ao meio ambiente, inclusiva no campo social e fundamentalmente de mudanças de hábitos de todos nos para alcançar a necessária melhoria da qualidade de vida.

Dentro de um contexto socioeconômico definido, o design é uma ferramenta fundamental para promover uma revolução social. A partir de uma idéia comum ou global cada contexto definido pode achar suas melhores respostas e criar micro-economias focadas nos recursos naturais e humanos disponíveis. Valorizar os recursos locais e as tradições colabora com o envolvimento da sociedade e com a chance de que as mudanças aconteçam.

Seguramente, estruturas modulares, flexíveis, dinâmicas é em constante atualização são necessárias. O intercâmbio de idéias vai ser fundamental para poder achar soluções para as diferentes situações de forma colaborativa.

 

O design acompanha a evolução mundial e as mudanças se sucedem. Para problemas contemporâneos, nada melhor que soluções contemporâneas. Hoje, a tecnologia já não é suficiente e a cultura e soluções locais entram no sistema produtivo globalizado. Fazer produtos já não é suficiente e, agora, também consideramos o sistema onde o produto vai ser usado e até arriscamos novos usos e ou definimos comportamentos a partir dos produtos.

A demanda da sociedade por atitudes mais responsáveis é crescente. Em muitas empresas, a sustentabilidade ainda é tratada como mais uma etapa do desenvolvimento. Porém, as empresas que pensam em atuar no mercado nas próximas décadas assumem a sustentabilidade como ponto de partida e como a base do seu negócio. Nas empresas que têm a sustentabilidade como política na sua estratégia marcam a diferencia entre presente e futuro.

Inovação, desafio e responsabilidade

O desenvolvimento sustentável é um processo continuo de melhoria e já esta acontecendo. Não podemos falar que nossa sociedade tem produtos sustentáveis. O que sim podemos fazer é formar parte e assumir cada um seu compromisso. E a soma das atitudes individuais vai nos aproximar cada vez mais do novo modelo sustentável.

Designers contemporâneos dão forma a produtos contemporâneos como serviços, processos, programas de desenvolvimento, programas para o sector público, novas empresas e sistemas. O design contemporâneo pode ser tangível ou virtual, físico ou digital.

O design do século XX tem que ser entendido como conhecimento e como vanguarda do pensamento para desenvolver o potencial humano, para melhorar a vida com o objetivo de colaborar para resolver os desafios com que se depara a humanidade. Design como ferramenta para compreender, de forma exaustiva, as necessidades tácitas e explícitas do usuário para criar soluções para contextos determinados.

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