Sustentabilidade – um fator competitivo

Por Christian Ullmann

Nos negócios, cada vez mais o “verde” significa dinheiro. Ecoimagination é o futuro da GE e concentra suas capacidades de energia, tecnologia, fabricação e infra-estrutura exclusivamente para desenvolver soluções para o amanhã, como energia solar, locomotivas híbridas, células de combustível, motores de aeronaves com baixa emissão, materiais mais fortes e mais leves, iluminação eficiente e tecnologia de purificação de água.

Cada vez mais, o atual cenário global exige das empresas maior harmonia e equilíbrio entre resultados econômicos e posturas responsáveis do ponto de vista ambiental e social – o tripé de compromissos conhecido como triple bottom line que traduz o conceito da sustentabilidade e pressupõe ainda o exercício da ética nos negócios.

As empresas multinacionais já saíram na frente. Ns últimos anos, elas desenvolveram o processo de criação de novos conceitos direcionados à sustentabilidade. Empresas tradicionalmente criticadas – pelo relacionamento com seus funcionários e fornecedores – criaram programas de metas destinados a melhorar seu relacionamento e imagem.

O setor financeiro criou novas políticas de empréstimos, visando a sustentabilidade na gestão dos negócios; os setores energético e petroquímico incentivam a inovação para tornar o setor mais verde; a industria automobilística avança na pesquisa de modelos elétricos, híbridos, flexfuel ou totalfuel.

Reclamações de consumidores e ONGs obrigam empresas de tecnologia a desenhar seus produtos com componentes ambientalmente mais adequados, que consumam menos energia e demandem menos matéria-prima – elementos químicos de baixo impacto ambiental e no final de sua vida útil são reciclados.

Para as multinacionais, já está evidente que o desafio do crescimento está na política de inovação e suas estratégias que privilegiem a criação de produtos capazes de atuar nas linhas como da qualidade de vida, segurança, meio ambiente, energia e clima.

O relatório da IPCC de Mudanças Climáticas deixou claro o que muito intuíamos ou simplesmente vivemos no dia-a-dia. A deterioração do meio ambiente chegou a um ponto em que as conseqüências são visíveis e palpáveis. O mais interessante desta situação é que tanto as empresas como os designers podem colaborar para as mudanças estabelecidas nos Objetivos do Milênio, cujos estudos demonstram a existência de um passivo sócio-econômico-ambiental muito evidente.

Esta colaboração está na aplicação de novas tecnologias e processos menos poluentes e inclusivos na fabricação, uso e descarte de produtos. E o trabalho em conjunto de empresas e designers tem um diferencial excelente para a empresa e mercado: crescimento.

A empresa multinacional General Electric (GE) considera a sua linha de produtos ambientalmente corretos, a Linha Ecoimagination, como uma estratégia séria de negócios. De acordo com as declarações publicadas durante a visita de Lorraine Bolsinger, vice-presidente da divisão da General Electric, na segunda quinzena de março, os 45 produtos dessa linha renderam à GE, no ano de 2006, um faturamento de US$ 10 bilhões, valor que a corporação prevê dobrar em quatro anos.

Note-se que a GE cresce, em media, 10% ao ano. A linha Ecomagination é o compromisso da GE para enfrentar desafios como a necessidade de fontes de energia mais eficientes e limpas, emissões reduzidas e fontes abundantes de água limpa.

Nos negócios, cada vez mais o “verde” significa dinheiro. Ecoimagination é o futuro da GE e concentra suas capacidades de energia, tecnologia, fabricação e infra-estrutura exclusivamente para desenvolver soluções para o amanhã, como energia solar, locomotivas híbridas, células de combustível, motores de aeronaves com baixa emissão, materiais mais fortes e mais leves, iluminação eficiente e tecnologia de purificação de água.

Esta linha da GE atua numa ampla gama de setores industriais, misturando se necessário produtos com serviços que respondem aos critérios de melhorar a performance operacional e ambiental do cliente Alguns exemplos: equipamentos para a extração de sal da água que operem de forma eco-eficiente; geração de energia a partir de fontes renováveis; produtos da linha energy star, que consomem menos energia; motores para aviação mais eco-eficientes; equipamentos para pequenos agricultores para reduzir o uso de pesticidas e o consumo de água.

Não é por acaso que, até o ano de 2010, 100% dos produtos desenvolvidos pela GE serão da linha Ecomagination. De acordo com as palavras de Lorraine Bolsinger, que desenvolve projetos e produtos com esse enfoque, “os produtos e processos sustentáveis são melhores para o ambiente e também mais rentáveis para os negócios”.

O compromisso é transformar ameaças globais em oportunidades de negócios, buscar soluções mais adequadas que atinjam metas de crescimento econômico e o desafio é que, além de eco-eficientes, sejam mais baratos, para atender também clientes de menor poder aquisitivo.

Este é um exemplo, da tendência global, de como podem ser atendidos simultaneamente dois problemas ou necessidades.

Elaborar uma estratégia empresarial que envolva o design desde a etapa de planejamento pode colaborar com essas questões.

O Brasil conta com muitas pesquisas direcionadas para a sustentabilidade, desenvolvendo processos e produtos capazes de utilizar menos matéria-prima, consumir menos energia, ser mais biodegradáveis e produzir menos resíduos nos distintos setores industriais.

Algumas empresas já estão utilizando esta tecnologia. E desfrutando dos lucros.

Nota aos leitores

Esta coluna estréia com o objetivo de contribuir de forma direta e efetiva com as micro e pequenas empresas brasileiras, que representam a maioria do parque industrial brasileiro e assim posicionar o produto brasileiro no mercado nacional e internacional como um produto realmente de terceiro milênio, atendendo às necessidades reais dos usuários.

Para isso acontecer necessitamos da colaboração de empresários, designers, instituições, pesquisadores e estudantes para a elaboração de uma base de dados completa, abrangente e atualizada com as informações necessárias para colaborar com as empresas nos processos de escolhas e produção.

Também é necessário ter um fórum de empresários que colaborem com o direcionamento das nossas atividades para poder ficar o mais próximo da realidade empresarial.

Estas atividades só têm a colaborar e melhorar com a qualidade de vida, direcionando a produção para o caminho da sustentabilidade.

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