Ufa, acabaram as feiras

Por Editor DesignBrasil

Fenavem encerra o congestionado calendário de feiras de 2005 com poucas novidades em design

Num ano marcado pelo maior volume de feiras da história do mobiliário brasileiro, confesso que ao encerrar a Fenavem, realizada de 1 a 5 de agosto, senti um certo alívio. Afinal, acompanhei nove eventos País afora (incluindo feiras de móveis e de fornecedores) em menos de oito meses.
O mais contraditório é que este tem sido um ano de negócios aquém do esperado pelos integrantes da cadeia. Aliás, a reclamação foi a tônica da Fenavem. Os negócios este ano não estão bons. As vendas caíram muito. Foram algumas frases mais ouvidas pelos corredores e nos estandes do Anhembi.
E este clima pessimista, aliado ao excesso de eventos, afetou de forma significativa a feira. Sobraram espaços vazios no pavilhão e faltaram também visitantes… Mas faltou especialmente inovação.
Nos estandes, o que mais se viu foram produtos em linha ou com pequenas adaptações. Entre as que mostraram lançamentos, era preciso muita atenção para identificar algo realmente novo.
As exceções ficaram por conta de empresas como a gaúcha Arvy ou a paulista Casa Verde, que estão investindo em nichos específicos e, mais do que lançar produtos, concentram o foco numa proposta de atuação diferenciada.
Fora isso, só mesmo nos estandes patrocinados pelo Sebrae. Aliás, o Sebrae salvou a feira, ocupando cerca de 30% do espaço e possibilitando a participação de empresas de pequeno e até de médio porte. Tanto assim, que os mais sarcásticos estão chamando a Fenavem de Fenabrae. Mas também foram estas empresas abrigadas pelo Sebrae que mostraram alguma novidade. A Coleção Móveis do Jequitinhonha é um exemplo. Peças em eucalipto, com design inspirado na natureza e na cultura de Minas (foto), obedecem à estética do Vale do Jequitinhonha, utilizando matérias-primas típicas, a exemplo de cadeiras com tecidos artesanais de algodão, guarda-roupas com trançados de fibra e até armários de cozinha com aplicações em cerâmica. A fauna e a flora emprestaram aos móveis nomes de pássaros João de Barro e Colibri , animais como o macaco Muriqui e o Carneiro, além de frutos e plantas como o Buriti, o Pequi, o Gravatá e o Jataí. Expressões do cotidiano, musicalidade e traços étnicos da região também foram talhados na madeira do eucalipto, em móveis como a cadeira de balanço Gerações, a sala de jantar Cabocla, a cama Etnia e os guarda-roupas Horizontes e Acordeon.A Coleção Móveis do Jequitinhonha foi desenvolvida por 16 empresas que participaram do Programa Sebrae Via Design, que visa a disseminar entre as micro e pequenas empresas a importância do design para a aceitação de um produto no mercado.
Fora isso, a Mostra Abimóvel de Design do Mobiliário, que reuniu peças de consagrados profissionais como irmãos Campana, Edson Arone, Ronaldo Duschenes, Fernando Jaeger, Tina&Lui e Débora, Oswaldo Melone, Fábio Goldfarb, Gustavo Calazans, Bertussi Designdustrial, Mauricio Sanchez, Pedro Useche, André Cruz e Michel Arnoult falecido no início deste ano e que recebeu homenagens reuniu peças interessantes do bom design brasileiro.
Pena que poucas destas peças estão na linha de produção das industrias expositoras da feira. Pena também que a mostra tenha recebido pouca visitação.
Quanto à pouca inovação, nos resta acreditar que a culpa está no excesso de feiras e não na falta de criatividade dos nossos designers.

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