Uma conversa com Gisela Schulzinger, a nova presidente da ABRE

Por Editor DesignBrasil

Julliana Bauer

 

Desde o dia 1º de abril, a ABRE (Associação Brasileira de Embalagem) conta com nova presidente. A designer Gisela Schulzinger assume o cargo que, até então, só tinha sido ocupado por líderes vindos da indústria. Ela é também a primeira mulher a assumir o posto de presidência da ABRE.

Sócia e Chief Branding Officer da Pande e diretora da Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign), Gisela atua na área há mais de 25 anos. Ela conversou com o DesignBrasil sobre esta nova etapa:

 

Gisela Schulzinger_PandeDesign_SP

 

DesignBrasil – Quais serão seus principais desafios como presidente da ABRE?

Gisela Schulzinger – O grande desafio é criativo. Ao considerarmos as novas realidades do mercado, percebemos que as relações entre pessoas e empresas estão sendo resignificadas, e que nascem novas demandas para o consumidor, que já tem novos níveis de exigência. Chamamos esse novo consumidor de consumidor cidadão, que tem uma postura de cobrança mais ampla e profunda. Sendo assim, temos que pensar em formas de estimular novas abordagens e buscar novas soluções.  Outro desafio é: como vamos estimular uma nova ousadia por parte da indústria? Considerando a realidade econômica do país e o aumento da competitividade, a gestão da inovação tem que ser transversal.

Como é funciona o processo de escolha de quem será o presidente da instituição?

O nome do sucessor normalmente é indicado pelo presidente e pelo vice-presidente da ABRE. Ocorre então uma votação aberta aos conselheiros. É claro que o histórico do envolvimento do candidato na instituição é importantíssimo e eu sempre tive participação forte. São analisados também o histórico profissional da pessoa e sua visão de futuro. Eu fiquei muito feliz quando recebi o convite, tanto por minha experiência na área acadêmica quanto por minha carreira, é uma grande honra.

Qual será o papel de sua experiência como designer em sua gestão, tendo em vista que o presidente anterior tinha formação em Engenharia? 

Acho que a principal contribuição é ter um mindset diferente – e não melhor, quero frisar bem isso. O designer tem uma visão sistêmica e holística. Sistêmica no sentido de entender como os elos da cadeia se relacionam – até pela ideia intrínseca do projeto. E holística no sentido de entender que o todo é formado pelo conjunto das partes.

 A ABRE abrange todas as etapas do processo de produção da embalagem. Mesmo assim, qual a importância da uma instituição em um país em que o design não é uma profissão regulamentada?

Justamente por a ABRE congregar todos os elos da ideia, ela acaba se tornando a instituição ideal para ampliarmos o entendimento do quê é o design e desmistificar essa questão ainda muito difundida de que design é só estética. Estética é importante, mas design é muito mais do que isso. A ABRE é um espaço brilhante para fazer a indústria entender que o design é uma ferramenta estratégica, que gera competitividade e diferenciação. O design, por definição, tem um profundo elo com a indústria e é engraçado ver como ele foi se distanciando desta origem.

 A indústria brasileira já compreende a importância de uma embalagem de qualidade?

Já existe essa compreensão, sim. Essa fase já está superada, ainda bem, e as grandes indústrias já entendem isso. Para o pequeno empresário, estejá começa a ser um assunto cada vez mais em pauta também. Já contamos com iniciativas do BNDES e do Sebrae que disponibilizam capacitação e recursos para esse público.

 

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