Uma pequena revolução na maneira de fazer compras

Por Fabio Mestriner

Uma nova evolução deste sistema promete revolucionar novamente a operação do varejo e a maneira de fazer compras. Trata-se da Smart Tag ou Sistema de Identificação por Rádio Freqüência.

Muita gente ainda se lembra das filas quilométricas que existiam nos supermercados, até meados dos anos noventa, quando não eram utilizadas as etiquetas com o código de barras.

Cada produto portava seu preço e o operador de caixa tinha que digitá-los individualmente, levando um tempo interminável, pois, devido à inflação galopante daquela época, as compras tinham que ser feitas no início e para o mês inteiro, havendo famílias que passavam com três carrinhos abarrotados. Era um martírio.

Para quem viveu esta época o som do “bip” emitido pelo scanner quando o produto passa no caixa na frente do leitor infravermelho, soa como uma música tranqüilizadora.

O código de barras de sete campos criou uma nova maneira de operar os supermercados e trouxe enorme benefício para a cadeia do varejo e para a vida dos consumidores.

Tudo ficou mais ágil, eficiente, os controles melhoraram e o negócio cresceu graças aos benefícios em cadeia que o sistema propiciou. Hoje, 86% das vendas de gêneros alimentícios, produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica são feitas no sistema de auto-serviço e setores como drogarias, materiais de construção, papelarias e livrarias, por exemplo, estão migrando progressivamente para este sistema. Foi uma pequena revolução.

Agora, uma nova evolução deste sistema promete revolucionar novamente a operação do varejo e a maneira de fazer compras. Trata-se da Smart Tag ou Sistema de Identificação por Rádiofreqüência (RFID, em inglês).

Este sistema substitui a leitura infravermelha do código de barras atual pela leitura por rádiofreqüência e amplia de 7 para 32 campos o espaço para informação que o produto possa carregar consigo.

Através deste sistema, o lote de fabricação, o prazo de validade e outras informações importantes para a logística de distribuição, a segurança, os controles, perdas, roubos etc, passam a ser incorporadas ao produto com uma série de ganhos em cadeia, tanto para quem produz quanto para os que distribuem, vendem e compram o produto.

Com este sistema, uma mercadoria, ao sair de uma fábrica, desencadeia um processo de leituras e registros que acompanharão o produto até a casa do consumidor.

As conferências, checagens e controles passarão a ser automáticos e computadorizados, o supermercado saberá instantaneamente a qualquer momento o que tem no estoque, o que vai vencer a validade e toda a movimentação que o produto faz até aquele momento, melhorando a eficiência do sistema, reduzindo perdas e gerando mais informação a cada passo do processo.

Para o consumidor, os benefícios imediatos serão a redução no custo dos produtos que o novo sistema propiciará e a conveniência de passar direto pelo caixa sem ter que tirar os produtos do carrinho, pois com um único “bip” o sistema lê todos os produtos. Se, por algum descuido, o consumidor tiver colocado algum produto no bolso, ele também será lido instantaneamente.

Os 32 campos de informação destas novas etiquetas possibilitarão às indústrias uma ampliação sem precedentes no conhecimento sobre seus negócios, com repercussões profundas em seu desempenho. É uma nova revolução, pois este conhecimento ofertará o trabalho dos gestores de negócios, comerciantes, profissionais de pesquisa e das comunicações. Vamos saber mais e funcionar melhor, com mais eficiência em todo o sistema.

E para quem pensa que isto é futurismo e ficção científica, é bom lembrar que o Wal Mart já colocou para funcionar este sistema em parte de sua rede nos Estados Unidos.

A Smart Tag ainda tem um obstáculo a ser vencido para sua implantação em larga escala. O preço por etiqueta que hoje custa US$ 0,20 por produto e deverá custar US$ 0,03 para ser totalmente viável. Os especialistas calcularam que este valor será alcançado em 3 ou 4 anos no máximo, mas antes disso provavelmente já vamos começar a encontrá-la aqui e ali.

Além da Etiqueta Inteligente, já existe também a “Embalagem de Inteligência Avançada” que faz uso de um micro-chip, mas isso é assunto para um próximo artigo.

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