Wolfgang Weingart – Da escola suíça à desconstrução tipográfica

Por Editor DesignBrasil

A construção rígida de elementos gráficos baseada nos fundamentos da doutrina suíça influenciou a necessidade de novos designers contraporem estas normas. É um jovem suíço que irá dar início as mudanças de paradigmas tipográficos, incentivando mais dezenas de designers que hoje nos apresentam uma diversidade de composições, fazendo com que a desconstrução de tipos e elementos visuais seja uma característica do design contemporâneo. É na década de 70 que este designer, Wolfgang Weingart, apresenta as primeiras alterações nos rumos do design.

Artigo 1. INTRODUÇÃO

O tipógrafo suíço Wolfgang Weingart, a partir da década de 70 ganha enorme importância na história do design gráfico, sendo influente ainda hoje. Nesse período novas tecnologias eram introduzidas nos meios de produção artística. Na Escola Suíça tradicional Weingart teve sua formação profissional, sendo também inspirado nas inovações construtivistas, no movimento De Stijl, na Bauhaus, e nos princípios da nova tipografia dos anos 30, que a partir dos anos 50 passou a ser conhecida como Estilo Internacional. Tanto os profissionais integrantes daquilo que se convencionou chamar Escola Suíça, quanto aqueles inseridos dentro do contexto do Estilo Internacional aplicavam a grid, proporções matemáticas, divisão geométrica do espaço, fotografias muito objetivas, preponderantemente as famílias tipográficas Akzidenz Grotesk, Futura e Helvética, textos alinhados pela esquerda e destaque de parágrafos através de linhas em branco, priorizando a hierarquia das informações. A Escola Suíça, por si era de dogma conservador e de limitações restritas em termos de projeto gráfico. Wolfgang Weingart é o responsável por uma das grandes mudanças no design gráfico do século XX, aplicando suas inovações por volta da década de 70 e influenciando diretamente a produção das décadas posteriores. Será o trabalho desenvolvido por Weingart o único responsável por esta profusão de imagens ou serão os atuais designers que levaram ao extremo a proposta desconstrutivista de Wolfgang Weingart?

2. MATERIAL E MÉTODOS

O material utilizado para a construção do artigo foi buscado através de pesquisa bibliográfica em meios como livros, revistas e websites. Para isto foi necessário aprofundar a pesquisa em bibliografias indicadas para o assunto, inclusive depoimentos do designer a ser discutido. As informações levantadas foram analisadas e cruzadas fornecendo subsídio necessário para a realização do artigo.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Wolfgang Weingart desde jovem provocou rumores e se destacou entre os designers suíços no exterior. Seus trabalhos já influentes na época são apenas o princípio das grandes mudanças que veio a causar. Quando convidado para lecionar na Basle Allgemeine Gewerbeschule começou a aplicar seus pensamentos revolucionários e receber estímulo de seus alunos cuja maioria tem revolucionários a sua mesma idade. O surgimento das novas tecnologias vai instigar Weingart a realizar experimentações com os tipos, a fotocomposição (sobreposição de imagens por filme fotográfico), o uso de assimetria em suas composições, e um nível de experimentalismo que não era comum ao design gráfico modernista. O resultado disto vai gerar o surgimento de uma nova linguagem gráfica, a perda da hierarquia de informações, a formação de uma visualidade conturbada, o emprego de inúmeras tipografias diferentes e uma vasta gama de imagens em um único projeto. O designer perde o interesse na escrita horizontal esquerda/direita e passa a posicionar seus textos no sentidos não convencionais, mas que sejam de interesse da peça gráfica e da mensagem a ser submetida. Fica presente em seu trabalho o uso de colagens de alfabetos e imagens com o filme fotográfico.

Weingart, apesar de tudo, estava consciente do risco que o emprego das novas tecnologias apresentava às tradições de ofício de compositor. Contudo, o ponto interessante da produção de Weingart é que ele acaba por levar o design para o campo da expressão pessoal, ou seja, aqui temos o expressionismo tipográfico. Isto se verifica no fato de que até então o designer criava em cima de padrões já estabelecidos pela academia-mor, o que acabava por deixar restrito e repetitivo a produção dos demais designers, a inovação não era aceita na escola. É esta saturação de imagens repetidas que Weingart dá o mote, na tentativa de oferecer uma nova disposição diferente dos elementos e uma visualidade mais direcionada a cada proposta, transmitindo aspectos mais simbólicos. À medida que o designer possui a liberdade de criação, ainda valorizando os grandes pontos positivos da escola suíça, ele acaba transmitindo inconscientemente para o trabalho o seu repertório visual e pessoal e é isto que vai acabar caracterizando a obra de cada autor.

O trabalho de Weingart é marcado pelo espaçamento diferenciado entre tipos, seja para mais ou para menos. A sua tipografia era baseada nos estudos de semântica, sintaxe e pragmático das funções da tipografia. Enquanto a tipografia suíça se focava na função sintática, Weingart estava interessado em como fazer as qualidades gráficas da tipografia serem utilizadas e retidas no seu significado. Ele acreditava que certas alterações gráficas nos tipos poderiam intensificar o significado.

Weingart foi responsável pelo surgimento do movimento Punk e também do New Wave. Esse último surgiu nos Estados Unidos no fim da década de 70, e a tecnologia eletrônica era utilizada para a geração e manipulação de imagens. Simultaneamente o microcomputador torna-se ferramenta de trabalho do design.

É nesta época que April Greiman se destaca e na sua estética é claramente percebida a influência de Weingart devido à ilegibilidade criada pela baixa dos tipos e imagens. O tipógrafo suíço vem a influenciar também nomes como Dan Friedman, Willi Kunz e Kenneth Hiebert.

Na década de 90 a diversidade de tipografias apresenta-se de forma demasiada, que por fim, acaba por repetir sempre o estilo gráfico de desafio ao estilo suíço. Conforme Heller, citado por FARIAS (2001, pág 31), contrastava o que chamou de design feio com as qualidades clássicas de equilíbrio e harmonia, acusando as escolas de design de difundir suas idéias experimentais pelo mundo, onde elas teriam sido reduzidas a um estilo sem substância, resultando em uma avalanche de mensagens confusas e ambíguas. Ainda, a polêmica em torno das novas tipografias passou então a girar em torno das questões da legibilidade e do respeito ao leitor. Tais tipografias foram acusadas de estarem criando um corpo de trabalhos anti-estéticos, dificultando a leitura em prol de um culto-ao-designer-como-artista.

Tais mudanças de paradigmas provocadas por Weingart e após reforçadas por alguns de seus alunos, deram início ao que é produzido atualmente. As propostas de Weingart causaram impacto diretamente ao design posterior ao seu, possibilitando a produção livre de antigos conceitos impostos pela Escola Suíça e/ou Estilo Internacional. A descontração tipográfica é frequentemente aplicada, assim como a aplicação de ornamentos do passado e ruídos. Consiste na manipulação dos caracteres, tanto das formas originais como do espaçamento entre eles e imposição de ruídos e outros elementos, alterando a legibilidade e muitas vezes perdendo-a totalmente, fazendo com que o caractere tenha função ornamental e não mais a sua função original como informação. Cabe, portanto questionar até onde estão sendo preservados tais conceitos e até onde tudo vira mero jogo entre elementos tipográficos e visuais, visto que o uso do computador pessoal permite fácil acesso a programas destinados à manipulação de imagens.

A desconstrução proposta por Weingart preconizou o que hoje vemos presente nos trabalhos contemporâneos. O que antes era utilizado como nível de experimentação, ainda respeitando as normas da escola suíça, testes de tipografia e imagens comedidos, onde eram estudadas novas formas de disponibilizar informações, foi se perdendo ao longo do surgimento de novos designers e das necessidades exigidas. O próprio surgimento das novas tecnologias clamava por novas tentativas na busca de um resultado gráfico mais impactante, os programas de editoração de tipos, vetoriais e edição de imagem permitem novas linguagens, mas por outro lado torna sistemático os métodos de trabalho difundidos e até limitam estes. O acaso passa a ser metodologia de trabalho onde o processo projetual perde cada vez mais espaço.

4. CONCLUSÕES

Hoje vivemos numa era que o designer acredita que a elaboração e a pesquisa não são pontos tão fortes, mas sim a criatividade que deve se sobrepor a pesquisa. É cabível dizer que a criatividade só se desenvolverá a partir do estudo, da análise e da verificação atenta do mundo. Esta mudança de comportamento do profissional não é totalmente responsabilidade do estímulo provocado por Weingart. Esta mudança de paradigma deu espaço e liberdade ao jovem designer de continuar experienciando, no entanto parece que foram esquecidas as devidas responsabilidades como profissional conectado aos ideais de composição. O emprego de conceitos teóricos e as bases do bom design precisam se reafirmar nos métodos de criação. Contudo, a desorganização dos elementos, a sujeira visual, o excesso de elementos podem continuar sendo aplicados, mas para isso, não é preciso perder os velhos conceitos de design que ainda permutam preponderantemente entre os mais antigos.

Podemos caracterizar o design contemporâneo como eclético, caótico, com ruídos onde a presença da atitude pessoal é mais característica do que a própria informação a ser veiculada. O primeiro passo de Weingart de levar o design para o campo pessoal mais do que nunca é visto hoje. São as experiências pessoais que vão configurar os trabalhos gráficos. O próprio estilo de vida, o urbanismo, o capitalismo e as constantes inovações/transformações tecnológicas determinam esta desordem acelerada, inclusive o uso de elementos do passado estão presentes nas peças contribuindo para esse ecletismo de culturas na globalização. A contribuição de Weingart se fez necessária para modificar os padrões de seu contexto histórico. A produção de hoje executa o desconstruir exarcebadamente, onde muitas vezes realmente fica difícil perceber o emprego de alguns elementos importantes para um trabalho bem finalizado. Esta repetição visual parece começar a não oferecer mais novidades, quem sabe já esteja por surgir algum novo movimento.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FARIAS, Priscila. Tipografia digital. Rio de Janeiro. Ed. 2AB. 2001.

BROCKMANN, Josef Muller. Sistema de retículas. Um manual para diseñadores gráficos. Barcelona. Gustavo Gili. 1992.

DENIS, Rafael Cardoso. Uma introdução à história do design. São Paulo. Ed. Edgard Blucher Ltda. 2000.

GRUSZYNSKI, Ana Cláudia. Do tangível ao ilegível. Rio de Janeiro. Ed. 2AB. 2000.

HOLLIS, Richard. Design Gráfico, Uma história concisa. São Paulo. Ed. Martins Fontes. 2001

KEITH, Tam. Wolfgang Weingarts Typographic Landscape. http://keithtam.net/ writings/ww/ww.html. Consultado em: 17/07/2006

KOPP, Rudinei. Design gráfico cambiante. EDUNISC. Santa Cruz do Sul. 2004.

WEINGART, Weingart. My Typography Instruction at the Basle School of Design/Switzerland 1968 to 1985.

http://www.complink.net/greg/designsite/weingart.htm. Consultado em: 17/07/2006

http://72.14.209.104/search?q=cache:PxETZT_JPY4J:www.compos.org.br/e-compos/adm/documentos/abril2006_flaviocauduro.pdf+escola+de+design+basle&hl=pt-BR&gl=br&ct=clnk&cd=1. Consultado em: 25/09/2006

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