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MAGALHÃES, Aloísio

1927, Recife (PE) - 1982, Pádua (Itália)

Seus primeiros passos no campo do design gráfico foram quando ainda cursava a faculdade de Direito, no Recife. Em 1950, ilustrou o livro de poesias "Palhano", escrito por seu colega de faculdade José Laurenio de Melo.

Terminado o curso de Direito, em Recife, Aloisio Magalhães seguiu para Paris, onde estudou pintura e gravura com Stanley Hayter no Atelier 17, importante centro de gravura europeu.

Em 1954, por influência de seu primo, o poeta João Cabral de Melo Neto, Magalhães organizou uma gráfica popular denominada O Gráfico Amador, juntamente com alguns amigos. Nos seus oito anos de existência, a gráfica publicou 27 livros, três volantes, dois boletins e um programa de teatro.

Em 1960, fundou um escritório de design, originalmente denominado Aloísio Magalhães, que em 1976 passou a denominar-se PVDI. O escritório precursor continua ativo até hoje, realizando projetos na área de programação visual e design de produto.

Em 1970, desenvolveu o primeiro grande projeto de design no país, para a Petrobrás. O projeto abrangia desde a criação de um símbolo para as embalagens de óleo, até os elementos de identidade visual nos postos de distribuição e a bomba de gasolina.

Em 1976, foi chamado pelo Banco Central do Brasil, para contribuir novamente (já havia realizado trabalhos em 1967 e 1972) para a remodelação do padrão monetário brasileiro. Desta vez, foi necessário estabelecer um sistema complexo de criação, englobando desde a escolha do temário a ser utilizado, até definições importantes quanto ao uso da tecnologia disponível. Magalhães visava conquistar para o país, autonomia na produção de cédulas e moedas.

Em 1979, assumiu a direção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Suas propostas de revisitação a conceitos enunciados 50 anos antes por Mário de Andrade, o levaram a promover uma revolução em valores àquela época cristalizados no IPHAN. Seu conceito amplo de bem cultural e sua formulação de que o melhor guardião do patrimônio é a própria comunidade, que com ele mais de perto se relaciona, estabeleceram novos tempos para o trato com a memória nacional.

Foi nessa ocasião que Aloísio, valendo-se da sua habilidade como designer, começou a traçar um novo desenho para o quadro institucional relacionado com a questão cultural no Brasil. Em janeiro de 1980, fruto de intensa atividade e convencimento político, o IPHAN foi alçado à categoria de Secretaria do Ministério da Educação, sendo criada a Fundação Nacional Pró-Memória.

Prosseguindo em seu projeto de reorganização do aparato estatal para o trato das questões relativas à cultura, assumiu a Presidência da Fundação Nacional de Arte e foi conduzido ao cargo de Secretário da Cultura.

Faleceu em 1982, após um derrame cerebral, em Pádua na Itália. Em homenagem à data de seu nascimento, o dia 5 de novembro foi convencionado como o Dia Nacional do Designer .
(KF)


Leia mais:

Internet
www.mamam.art.br/mam_apresentacao/aloisio.htm

Livros
Magalhães, A. E Triunfo? A questão dos bens culturais no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

A Herança do Olhar: o Design de Aloisio Magalhães. São Paulo: Editora SENAC, 2003.

Catálogo da Mostra Internacional de Design. Design Método e Industrialismo. CCBB,1998.

Créditos das imagens
- retrato: Boletim ADG, nº19 - Março de 2000

 
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