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 Kátia Faggiani

11/04/2007
O mercado de luxo no Brasil

Cresce o número de consumidores em todo o mundo de produtos de alto luxo. Na mesma medida, crescem os setores da economia, como a indústria têxtil, cosmética, perfumaria, bebidas, hotelaria e tantos outros que atendem “o mercado do luxo”, como a joalheria. O Brasil também entra na onda, estando entre os dez maiores mercados do mundo. Na América só perde para os EUA. O crescimento desse mercado, que movimentou em torno de US$ 1,5 bilhão ao ano, nos últimos cinco anos, baseia-se na motivação de “realizar sonhos e investir numa sofisticada imagem pessoal”.

O Brasil, para quem olha à primeira vista, não parece país ideal para a venda de luxo, mas, ao se olhar com mais atenção, percebe-se que além de existirem pessoas de alto poder aquisitivo com potencial de consumo enorme - apesar de se restringir a apenas 0,17% a 0,28% da população brasileira, o brasileiro tem o perfil perfeito para esse tipo de compra: adquire produtos por impulso e se deixa levar pela emoção.

Não é à toa que o País tem apresentado um crescimento contínuo nos últimos cinco anos dentro deste mercado. São Paulo é a única cidade do mundo a ter quatro butiques da Montblanc. Das 320 lojas mundiais da Louis Vuitton, a de São Paulo, está na terceira posição entre as mais rentáveis por metro quadrado. Nos últimos anos, no eixo Rio - São Paulo, destacaram-se grifes como Tiffany e Fendi. Não importa como vai a economia do país, parece que as vendas só aumentam. Soa quase irreal mas são exemplos que comprovam a ascensão do mercado no País.



Porém, o consumidor no Brasil está cada vez mais exigente e a compra do produto em si já não basta. Um “algo mais” é a alma do negócio. Ninguém compra uma Montblanc para escrever, um celular Vertu para falar, um óculos Vuitton para se proteger do sol ou um relógio Van Cleef apenas para ver as horas. As pessoas já não compram jóias por seus preços altos e inacessíveis mas pelos outros valores que o produto carrega consigo: tradição, funcionalidade, qualidade, status, moda e design.

Enfim, o que ontem era visto como direito de “berço” (linhagem, tradição, nobreza, aristocracia), hoje é considerado “conquista” (liderança, realização). Hoje uma jóia  pode ser adquirida por qualquer mortal, se seu símbolo representa ascensão pessoal, validação, apresentação pessoal, ou seja, o luxo integra um grupo de pessoas que venceram na vida através de suas conquistas profissionais.

Trata-se de um fenômeno muito interessante a descoberta deste nicho. Então, diante disto tudo, o que poderia faltar à indústria do luxo? No Brasil, certamente o desenvolvimento de estratégias de marketing específicas, desse setor tão exclusivo. As estratégias para seduzir estes clientes são diferentes das usadas durante muito tempo na administração para o consumo de massa.

Fonte: Livro "O Poder do Design: da ostentação à emoção".

 
 
Uma das pioneiras no estudo de bens de luxo no Brasil, é autora do livro "O Poder do Design: da ostentação à emoção" (Editora Thesaurus). Doutoranda e mestre em Design pela PUC-Rio e especialista em Marketing pela FGV/RJ, graduou-se em Desenho Industrial pela Universidade de Brasília. Atua como professora em cursos de marketing, design e moda e figurino. Desenvolveu junto ao CNPq o CD-ROM “A Arte de Produzir Jóias”. Em paralelo produz coleções para particulares e empresas do ramo joalheiro, tendo algumas de suas peças premiadas em concursos nacionais e em Portugal; participando de exposições, no Brasil, Portugal, Itália e Romênia. Site: www.katiafaggiani.com.br
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